quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Mitos e fantasmas

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Mais do que um país dado a mitos, somos um país marcado por mitos. Os mitos são como as fadas: há os bons e os maus, como nos revela a nossa História. Camões mostrou-nos o melhor dos nossos mitos - o Adamastor. Um mito desafiador, que despertou o que de melhor temos escondido para nos lançar no mais empreendedor dos feitos históricos da humanidade. Ironicamente, pouco depois da sua morte, surgia o pior dos nossos mitos - o sebastianismo - nas antípodas, a puxar-nos para baixo, virados para trás.


O juiz Carlos Alexandre é provavelmente um dos nossos mais recentes mitos. Rapidamente se instalou a ideia que seria o nosso Baltasar Garzon, ou o nosso Giovane Falconi, o único magistrado capaz de enfrentar os poderosos e o crime de alto nível. Foi até criada uma página do facebook de "apoio ao juiz Carlos Alexandre". Se o título não enganasse, seria uma vaga de fundo, como se todo um país se transformasse na sua claque de apoio. Como o título engana, é apenas uma página de fake news, pejada do mais abjecto populismo.


Ontem, numa coisa que não é uma entrevista nem se sabe bem o que é, que passou na RTP, o Sr Juiz voltou a mostrar pés de barro. Pode até ter granjeado mais umas centenas de apoiantes para essa página do facebook, mas cavou mais uns metros na sepultura da transparência, da credibilidade e até da dignidade. Da sua própria, mas também do sistema judiciário que integra.


Só não matou o mito, porque o mito virou fantasma. E esses não se conseguem matar...


 


 

4 comentários:

  1. Há um grupo de pressão interessado em politizar a Justiça. Nitidamente. Não percebi ainda muito bem qual o objectivo, se descredibilizar a Justiça se descredibilizar os agentes da mesma, mas nenhum é de louvar e qualquer um é mais um lento inquinar da Democracia. Entre uma Justiça lenta e quase inerte e uma Justiça com objectivos políticos, semeia-se campo para manipulações várias - e as redes sociais são óptimas para difundir pregões. Leia-se "pregão" como palavra composta por aglutinação* de "prego" com "caixão".

    * e que se lixem os estudiólogos da Língua que passam a vida em gabinetes a inventar novas terminologias para velhos factos. "Composição morfossintática" o caraças!

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    1. Pregão, sem aglutinação, podeira ser: "Agarrem o algoritmo, que é ladrão"...

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    2. O Sapo apanha-me distraído e pronto: faz de mim um anónimo.

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    3. Armam-se em escuteiros com biscoitinhos... malvados cookies!

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