segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O canto do cisne

Presidenciais 2026: Tudo sobre a segunda volta das eleições ao minuto ...


Sou dos que acreditam que as eleições de ontem, na segunda volta das presidenciais, ficarão a constituir um marco da nossa democracia.


Em primeiro lugar pela participação eleitoral. Não foi estrondosa, nada que se parecesse com a de  há 40 anos. Mas, nestas circunstâncias - a quase certa vitória antecipada de um dos candidatos; no meio de uma catástrofe, que impediu muita gente de votar (em 20 freguesias, em oito municípios, num total de 36.852 eleitores inscritos não se pôde votar), e desmotivava muito mais; numa sequência de eleições anteriores com registos crescentes da abstenção; e com um dos candidatos a apelar ao seu adiamento - o povo foi às urnas num número muito próximo do da primeira volta, e superior ao das presidenciais dos últimos 15 anos.


Esta foi a primeira derrota do André Ventura, anunciada quando ainda faltava uma hora para o fecho das urnas, enquanto ele entrava para a missa, rodeado de câmaras de televisão e de microfones.


 Depois, mais ainda que a expressiva vitória de António José Seguro, a sua história. Entrou na corrida com 6% nas sondagens, sozinho, sem despertar nenhuma onda de entusiasmo em qualquer segmento da sociedade portuguesa, e acaba como o português mais votado de sempre.   


Visto como cinzento, e incapaz de mobilizar quem quer que seja, bastou-lhe apresentar-se como o moderado que procura consensos, exactamente ao contrário do seu adversário, para atingir este resultado histórico, passando do 1.755.764 votos da primeira volta para os 3.482.491que, quando ainda faltam votar quase 40 mil eleitores, o tornam no português mais votado de sempre.


Quer isto dizer - contas feitas aos resultados dos restantes candidatos na primeira volta - que  cerca de um milhão e meio de eleitores que votaram à direita na primeira volta, votando agora em Seguro, rejeitaram André Ventura, e tudo o que ele representa. E isto não pode deixar de ter consequências políticas profundas.


André Ventura reteve os votos que obteve há três semanas, mas teve um crescimento anémico nos restantes eleitores da direita. E não consegue por isso - a não ser que minta! - assumir-se como líder da direita. 


 Apressou-se a sublinhar que tem uma percentagem superior à obtida pela AD nas legislativas do ano passado, o que acontece por centésimas. Mas com menos 270 mil votos, em número absoluto. Não lidera a direita, lidera a extrema-direita. Que só venceu em Elvas e em São Vicente, e que em foi passada a ferro em Lisboa e no Porto.


Atingiu provavelmente o limite superior do seu potencial crescimento. Daqui para a frente, no quadro de estabilidade agora configurado, e sem eleições à vista, como Seguro apontou no seu discurso de vitória, se Montenegro deixar de continuar a fazer asneiras, e começar finalmente a governar, será sempre a cair.


Ontem o cisne cantou!


 

3 comentários:

  1. "Seguro apontou no seu discurso de vitória, se Montenegro deixar de continuar a fazer asneiras, e começar finalmente a governar, será sempre a cair."
    Seguro disse que Montenegro a governar bem é para cair?
    honestamente tenho que formular esta pergunta, pedindo antecipadamente desculpa por alguma má interpretação da minha parte.

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  2. Não tem que pedir desculpa. Porventura (não é Por Ventura, atenção!) não estará bem claro. É assim: "Atingiu [Ventura] provavelmente o limite superior do seu potencial crescimento. Daqui para a frente, no quadro de estabilidade agora configurado, e sem eleições à vista, como Seguro apontou no seu discurso de vitória, se Montenegro deixar de continuar a fazer asneiras, e começar finalmente a governar, será sempre a cair".
    Quer dizer que, no quadro de estabilidade [que ressalta do resultado eleitoral], e agora com um grande intervalo sem eleições [sem ter que "governar" para eleições], e isto foi o que Seguro disse no seu discurso de vitória, Montenegro pode começar a governar, que é o que não tem feito. Se o fizer, se for assim, daqui para a frente, Ventura entrará em perda.

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  3. Obrigado pelo esclarecimento que registo com agrado.

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