Por Eduardo Louro
Por culpa das eleições de ontem na Catalunha (também por lá, os socialistas levaram uma grande banhada:"votar foi um prazer"... mas nos outros) disputou-se hoje o grande clássico do futebol espanhol – um Braça v/s Real Madrid – de enorme expectativa. Lá, onde os bilhetes chegaram a atingir os 3 mil euros no mercado negro, e cá! Também por cá se seguiu o clássico espanhol a par e passo, com os portugueses divididos entre um Barcelona que encanta e fixa as maiores fatias das nossas simpatias – os clubes de fãs culés já vêm dos anos 90, do Barcelona de Robson (e Mourinho), Ronaldo e Rivaldo, – e um Real Madrid, agora transformado no maior fornecedor do onze titular da selecção nacional, onde três portugueses e meio (que me perdoe o Pepe) activam indisfarçáveis sentimentos nacionalistas.
Bastou ver a imprensa do fim-de-semana para nos apercebermos desses corações divididos. Pelo menos dos corações mais mediáticos! Os outros também não interessam…
Em confronto estavam duas coisas antagónicas. Sim, duas coisas e múltiplos sentimentos contrários: duas representações distintas – uma representação de uma comunidade e de uma região em oposição a uma representação de um estado que, em vão, se procura projectar numa nação; duas ideias distintas de construção de uma equipa – uma que o faz a partir das suas escolas de formação, da sua cantera (no onze do Barça apenas dois jogadores haviam sido adquiridos no mercado – Abidal e David Villa) e outra que o faz através de investimentos multimilionários na aquisição de jogadores por esse mundo fora (apenas um jogador da cantera no onze, o guarda-redes Casillas); duas ideias de jogo completamente diferentes – um que privilegia a posse de bola, o jogo rendilhado que encanta o espectador, com quinze a vinte passes antes de chegar à finalização e outro que o faz através de apenas dois ou três, um que encurta o campo e outro que o alonga. E até duas imagens opostas. Duas imagens que as principais figuras de cada lado bem personificam: um Mourinho superstar, arrogante (porque não dizê-lo com frontalidade! como diz o outro) e exuberante a par de um Pepe Guardiola que transpira humildade e recato. Ou um Cristiano Ronaldo de porte altivo e atlético, figura de grande inspiração mediática à custa das mais variadas extravagâncias, de namoradas e até de um filho e um Leonel Messi, atarracado e pacato, que limita o seu protagonismo ao rectângulo verde de jogo.
O jogo rendilhado do Barça, feito de uma interminável cadeia de passes e de uma obscena posse de bola, asfixiou por completo o Real Madrid de Mourinho. Um banho de bola, foi o que foi! Um banho que deixou em êxtase todos os que gostam de futebol, desse espectáculo fabuloso que Messi, Iniesta, Xavi, Pedro e Villa conseguem produzir com uma simples bola. Não sei se o Mourinho já percebeu bem o banho que o Guardiola lhe ofereceu: banho de bola, de humildade ou ambos?
Claro que esperávamos um grande jogo entre as tais duas ideias de jogo: as mesmas duas ideias de jogo que tão bem sucedidas vinham sendo até aqui. Era aí que residia a grande expectativa que rodeava o jogo.
Deu apenas Barcelona! É na frustração dessa expectativa que também está a humilhação de Mourinho!
Foi lindo!! Foi francamente lindo!! Nao estive obviamente no estádio... nem sequer entendo como se poide dar essas fortunas por um jogo de futebol... mas agora isso também nao interessa nada... mas estava cá, na cidade palco deste acontecimento! O meu coraçao nao estava nada dividido, sempre tive um carinho muito grande por este clube (Barça) e por esta cidade... E nem um Madrid cheio de portugueses faz vacilar o meu favoritismo... E muito menos um Mourinho que inunda as televisoes e os jornais deste país... Nao partilho a sua postura, nem a sua arrogancia... Simplesmente nao gosto, nao me identifico. Tenho esse direito
ResponderEliminarA tua analise do jogo e do contexto foi perfeita.
Por aqui a festa começou na fonte "canaletas" que como tudo o resto que tao bem descreveste, nada tem a ver com a imponente Cibeles de Madrid... E continuou pelas ruas e pela noite fora. Foi lindo!!!
Ainda é...
Foi lindo!! Foi francamente lindo!! Nao estive obviamente no estádio... nem sequer entendo como se poide dar essas fortunas por um jogo de futebol... mas agora isso também nao interessa nada... mas estava cá, na cidade palco deste acontecimento! O meu coraçao nao estava nada dividido, sempre tive um carinho muito grande por este clube (Barça) e por esta cidade... E nem um Madrid cheio de portugueses faz vacilar o meu favoritismo... E muito menos um Mourinho que inunda as televisoes e os jornais deste país... Nao partilho a sua postura, nem a sua arrogancia... Simplesmente nao gosto, nao me identifico. Tenho esse direito
ResponderEliminarA tua analise do jogo e do contexto foi perfeita.
Por aqui a festa começou na fonte "canaletas" que como tudo o resto que tao bem descreveste, nada tem a ver com a imponente Cibeles de Madrid... E continuou pelas ruas e pela noite fora. Foi lindo!!!
Ainda é...
Não vi nem ouvi as reacções de Mourinho logo após o jogo. Mas já as vi hoje e só tenho que aplaudir: nada de desculpas esfarrapadas, tudo em conformidade com a sua grandeza.
EliminarNão quero deixar de partilhar uma observação de um leitor do Quinta Emenda a este propósito. Dizia-me o Zé Carlos: "Nos últimos 20 minutos do jogo o Mourinho já não tinha nada a fazer e aproveitou para preparar o que iria dizer aos jornalistas numa situação daquelas". Foi isso, e por isso ele é continuará grande, mesmo depois de um banho daqueles.