Por Eduardo Louro
Rui Tavares é deputado no Parlamento Europeu. Foi eleito pelo Bloco de Esquerda nas últimas eleições, em Junho de 2009: precisamente o terceiro e último a ser eleito, num ambiente de suspense, surpresa e, finalmente, festa!
Pouco depois de chegar a Estrasburgo, no final do seu primeiro ano de mandato, soube-se da sua intenção de oferecer parte do seu salário de deputado europeu – um salário suficientemente generoso que, em tempo de constituição das listas para essas eleições, transforma as sedes partidárias em verdadeiros sacos de gatos assanhados – para bolsas de estudo. Não sei – nem me interessa – se essa decisão teve alguma coisa a ver com o cenário de suspense daquela noite eleitoral, ou mesmo com a surpresa desse êxito eleitoral decorrente de uma eleição à partida tida como muito pouco provável. Sei é que ainda há pessoas que têm da vida uma visão diferente daquela que faz carreira.
Soubemos agora, e apenas seis meses depois, em plena semana de Natal que, prescindindo de um quarto do seu salário, financiou quatro projectos de investigação de outros tantos jovens concidadãos. Ficamos a saber que o Rui Tavares, licenciado em História da Arte e a terminar um doutoramento em Paris (sobre a censura no tempo de Marquês de Pombal) é um político que cumpre o que promete – o que, como sabemos, devendo ser a coisa mais natural é a mais extraordinária do mundo. E que cumpre a partir do seu próprio bolso, o que é ainda mais extraordinário! Mas mais: ao que parece não pretende tirar dividendos políticos disso!
Simplesmente – ao que diz – ajuda porque quer, porque pode e porque acha que é seu dever. Diz que não quer outra leitura para além dessa. E que não está fazer nada que não lhe tenham já feito, ele próprio bolseiro da Fundação da Ciência e Tecnologia e licenciado na qualidade de ex-bolseiro da Universidade Nova!
Mas ficamos a saber mais: ficamos a saber que a ideia lançou amarras. Que outros políticos lhe seguiram as pisadas? Não! Evidentemente que não! Mas que três elementos dos Gato Fedorento se lhe associaram permitindo duplicar o valor das bolsas!
Tudo isto sem parangonas. E, sem que queira dar o exemplo, seja de facto o exemplo! Nem que seja apenas o exemplo de que “eles” não “são todos iguais”. Ou que não “querem todos o mesmo”…
Sem comentários:
Enviar um comentário