quinta-feira, 1 de setembro de 2011

DE BECA NOVA

Por Eduardo Louro


 


Assisti hoje à tomada de posse de 38 novos magistrados judiciais. Entre eles a minha filha mais nova – a Filipa -, uma jovem senhora de grandes méritos, enorme talento e que ainda quer, e acha que pode, mudar o mundo; atributos que a levaram a essa opção de carreira e a fazer dela uma opção de vida, o seu destino, como gosta de dizer.


Era, para ela e por inevitável consequência para nós, família, um dia importante: um dia em que se cumpria uma promessa! E os dias importantes são para vivermos juntos. Por isso lá estivemos, todos juntos…


A cerimónia decorreu na sede do Conselho Superior da Magistratura, como parece que tem que ser. Parece-me que é daquelas coisas que são assim, pronto!


Nada de mal haveria em ser assim não fosse as instalações disporem apenas, para esse efeito, de um auditório com capacidade para 50 pessoas. Não sei se as famílias de todos os outros novos juízes entendem também que estes dias são para viver juntos, mas a verdade é que, com uma média de quatro membros por cada um, estariam cerca de 160 familiares. Com os 38 empossados e com os membros do órgão empossador onde é que já vão as duas centenas… Mais do quádruplo da lotação da sala, a lembrar uma carruagem do metro em hora de ponta…


O juiz conselheiro que presidiu à sessão não podia fingir que não via. Viu e pediu desculpa. Evocou a situação do país. Que nem justifica nem desculpa, como se verá na cerimónia de abertura do ano judicial, onde pompa não faltará à circunstância!


Mesmo assim fez-se festa, à volta de uma beca vestida pela primeira vez. Bem a propósito, com muito para festejar. O sucesso de todos e cada um daqueles 38 jovens juízes, que concluíam ali um percurso pessoal longo, árduo e exigente e abriam, também ali, um outro. Ainda mais exigente e de muito mais responsabilidades, a maior das quais a de injectar sangue novo no sistema. Que, mais que sangue novo a correr em veias jovens, é a ilusão de mudar o mundo que ainda transportam. É a esperança que agarram!


São gente nova, sim. Mas, pela parte que conheço bem, são mais que isso: gente muito qualificada, capaz, determinada e, acima de tudo, empenhada em fazer bem. Gente capaz de nos fazer acreditar que, apesar de tudo, este país poderá vir a ser melhor.


 

2 comentários:

  1. Muitos parabéns à Filipa e aos pais. Fazer o percurso que a Filipa fez e chegar à final integrando o pelotão dos 38 finalistas é de génio. Em boa hora, pois a justiça bem precisa de rejuvenescimento e competência. Os mais sinceros votos de felicidades e sucessos na carreira da magistratura.

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