quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

TRANSPARÊNCIAS

Por Eduardo Louro


  


Depois dos ministros que abandonam o governo para se passarem para as administrações das empresas, muitas com negócios nas áreas que tutelavam. E de deputados que transitam do parlamento para empresas bem chegadas a matérias tratadas nas comissões parlamentares por onde passaram. E de responsáveis pelos serviços secretos do Estado que trocam a excitante actividade da espionagem pela confortável vida da gestão em empresas privadas, surgem agora os magistrados do Ministério Púbico a fazer o mesmo.


Dizia-se hoje por aí que o Procurador Orlando Figueiredo, que teve a seu cargo a investigação do caso BES Angola, teria trocado o Ministério Público pelo BIC. Um banco, o tal que ficou com aquele bocadinho pequenino de lombo que deixaram esquecido no BPN! E um banco de capitais angolanos. Luso-angolanos, corrigir-me-ia agora Mira Amaral…


Que já negou tudo. Tanta gente mal informada... É difícil ter mão neste país!


Por este andar desconfio bem que, dentro de pouco tempo, veremos uma boa parte dos deputados a transferirem-se para as administrações de empresas de águas de mesa. A informação - seguramente privilegiada - que guardam, agora  que a Assembleia da República concluiu que a água da torneira que lhes queriam impingir fica 30 vezes mais cara que a engarrafada, abre-lhes seguramente as portas dos conselhos de administração das melhores empresas do negócio. 


Tudo tão transparente como a água. Dentro da garrafa, do jarro ou do copo!

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