quarta-feira, 9 de maio de 2012

DIA DA EUROPA

Por Eduardo Louro


                                                                      


Comemora-se (?) hoje o Dia da Europa, assinalando a “Declaração Schuman”, a proposta de criação de uma estrutura de organização da Europa como forma de evitar novas guerras, que Robert Schuman apresentou a 9 de Maio de 1950.


Provavelmente nenhum dos anteriores 9 de Maio teve menos motivos de comemoração que o de hoje. Quando percebemos que o changement virá menos de Paris – Hollande encontrará rapidamente uns buracos insuspeitáveis que o obrigarão a negar tudo o que espalhou durante a campanha eleitoral, e a passar de escravo da palavra dita, ou da promessa feita, a escravo da realidade descoberta – e mais de Atenas.


É a Grécia de não se sabe de quem, e não a França de Hollande, que vai fazer mudar a Europa. E, provavelmente, da forma menos esperada: com a saída da Alemanha!


O que nem dará em nada de muito diferente…


 

2 comentários:

  1. Olá,

    Foi uma bela derrota para Sarkozy. A vitória sobre um sistema que se assemelhava, cada vez mais, a uma ditadura nascente em que jornalistas são ameaçados de morte, juizes são nomeados em função de suas opiniões políticas, etc.
    E Bayrou (centro direita católico) foi imensamente claro:"A linha que escolheu sarkozy é violenta e entra em contradição com os nossos valores....da direita república e social". E apelou como sabe a votar Hollande.

    Sarkozy foi o primeiro presidente a afirmar que exercia uma profissão... Esqueceu-se da sua função... E, por associação de ideias: Se em Portugal não existe qualquer média nacional independente dum grupo financeiro ou partidário, em França existem três: O diário La Croix, os semanais "canard enchainé"(satírico) e "mariane"... Estas três publicações não se deixaram intimidar e La Croix faz um dossier excelente sobre Aubrac, resistente histórico falecido mesmo antes das eleições. A família recusou a sakorzy a possibilidade de qualquer recuperação política aquando do enterro.

    Concluindo: Não esquecemos que um presidente exerce uma função não uma profissão nem é chefe dum partido.

    Se atestarmos o mapa e nos apoiarmos na obra de E.Todd, verificamos que Hollande tem a maioria nos centros urbanos e no litoral oeste que é tradicionalmente católico opondo-se ao este onde Sarkozy tem a maioria.

    Ontem festejou-se (aqui é feriado) a vitória sobre o nazismo. A Europa nasceu e as pessoas com a minha idade (nasci em 58) fazem parte da primeira geração que não conheceu a guerra no solo Francês. Hoje há alemães que são a favor de Hollande, como há franceses que são a favor de Markel... A ideia de Europa existe e é uma realidade.

    Hollande ainda não tomou posse. Dificuldades são esperadas como as vagas de despedimentos que a indústria de distribuição tinha programados... O que é certo é que a ideia de combate à crise pelo crescimento está a tomar uma dimensão importante. Até M. Monti é favorável como Barroso já começa a dizer que é necessário (ahahahah)... O apoio de simpatia que Hollande está a alcançar na Alemanha é importante. Veja a caricatura de Willem no diário Libération de hoje. Markel disposta a receber Hollande com luvas de boxe. E são para breve as eleições alemãs.

    A França não é qualquer país. Ainda tem prestígio e potência para pesar no mundo... E este desde 17 anos mudou muito...nem que seja a cor do mapa sul americano e do mundo árabe...

    Se pensarmos: Havia 30 anos que cidadãs e cidadãos nunca tinham visto outro partido no poder presidencial.

    Para terminar: Concordo com a sua análise que se Hollande falhar pode haver uma Europa que caia para o nacional socialismo. No nacional socialismo existe a palavra socialismo, o que cria é claro confusões. Não é porque se vai impedir que os reformados portugueses recebam as suas pensões em Portugal que se vai resolver a crise. Não estou a inventar. Ouvi isto.

    Desta vez o "front de gauche" apelou a votar ps, coisa que o pc alemão não fizera nos anos 30, permitindo que Hitler chegasse legalmente ao poder. Tudo dependerá das eleições legislativas no mês que vem e também dos ecologistas que pesam muito mais do que se pensa nas eleições legislativas e locais. E muito também dependerá das mobilizações sociais...sem haver receio de avançar para uma Europa federal.

    Da mesma maneira que a Alemanha abandonou o núclear, também penso que não abandonará a Europa. Mas seria um outro debate.

    Abraço,
    Nuno








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    1. Belo comentário, Nuno!
      Muito mais interessante que o post. Que essencialmente levantava o problema - e é um problema - de o changement vir da Grécia em vez da França no caso de Hollande desbaratar todo o capital político e de esperança que lançou na Europa.
      Pegou por aí e muito bem. Parece-me que afasta essa hipótese e lá terá as suas razões. Por mim espero que tenha razão. Também sei que a França ainda é a França, grande potência de facto, de direito e de História e que, por isso, se não possa comparar o que aí vai suceder com o que cá aconteceu: simplesmente incumprir sucessivamente com a palavra dada, fazer exactamente o contrário do que anunciava até chegar ao poder, com a desculpa inaceitável da surpresa. Que a realidade encontrada - a pesada herança - não permite outra coisa se não curvar a espinha, obedecer a tudo e a todos cegamente, mesmo quando "se vê claramente visto" para onde isso nos leva. E quando foi exactamente para fugir disso que lhe confiamos o poder.
      E já que fala no vosso feriado, agora que por cá o governo está a abolir feriados que alimentam a alma e os valores do sentido pátrio, quando chegou aos feriados religiosos esperou pelas ordens da Santa Sé. Quer dizer, limitamo-nos a obedecer a ordens da troika por um lado e do Vaticano por outro.
      Um abraço

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