Por Eduardo Louro
Bem-vindos ao maravilhoso mundo da fantasia. A Bolsa voltou a subir e os juros voltaram a baixar. A credibilidade do país está de volta!
Tudo isto porque aí temos de novo um governo sério, renovado e revigorado. Um governo chefiado por um primeiro-ministro que jurou não abandonar o país, e que assinaria o que quer que lhe pusessem à frente para continuar no lugar que é seu. Muito seu. Só seu!
Um governo que tem um vice-primeiro-ministro de uma só palavra. Que revogou a irrevogável decisão de se demitir. Que tem agora toda a coordenação económica da política do governo, para onde leva um amigo que empresários e media aplaudem, reexportando finalmente o Álvaro para o Canadá. Que assegura ainda toda a coordenação das relações com a União Europeia e que é a nova voz que agora passará a falar grosso com a troika.
Um governo que mantém a Maria Luís, que tinha sido a gota de água que fez transbordar a ex-irrevogável decisão do agora todo-poderoso vice-primeiro-ministro. Que o Gaspar tinha vindo a preparar ao longo dos últimos seis meses justamente para o substituir na troika e nas instâncias europeias, com o selo de garantia de continuidade. Que fica no governo, como Passos queria e Portas não queria. Não para dar continuidade à política de Gaspar, não no papel de bom aluno para que tinha sido preparada, mas às ordens dos berros e murros na mesa que Portas dará até que a voz e as mãos lhe doam.
Um governo onde Passos mete mais um amigo, que há dois anos tinha chegado atrasado há mesa. Cortando para isso uma boa fatia ao mega Ministério de Cristas, a amiga de Portas que precisa de alguns alívios pré-parto, donde sai ainda outra boa fatia para o outro amigo de Portas, que fica a tomar conta da Economia.
Um governo que o Presidente da República vê como solução sólida, estável e credível. Mesmo que demore uma eternidade a dizê-lo, dando tempo e mais tempo para que a ideia faça o seu caminho de solução patriótica que, in extremis, salvou o país das garras dos mercados e das agências de rating. Tudo conduzido pelos comentadores do regime, que se não cansam de nos dizer quão sortudos somos em ter neste momento em Belém um homem destes. Ponderado, experiente e equilibrado. Que usa e gere silêncios como ninguém!
É este o mundo da fantasia. É esta a nossa alta política. Transforma vilões em heróis com a mesma facilidade com que resolve crises políticas: num abrir e fechar de olhos!
Boa tarde,
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Atenciosamente,
Catarina Osório
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Muito obrigado.
EliminarMuitos parabéns. Fez precisamente a análise correcta que precisávamos que passasse nos nossos media.
ResponderEliminarcom isenção.
É conhecida aquela "estória" do industrial de vinhos - contava-se que a propósito de Abel Pereira da Fonseca - que, às portas da morte, quis deixar aos filhos uma mensagem importante : " meus filhos, saibam que, de uvas, também se faz vinho". Os media institucionais... também servem para informar.,,
EliminarMuito obrigado pelo seu comentário.
À Janela:
ResponderEliminarhttp://www.rtp.pt/play/p297/e122933/janela-indiscreta