sábado, 5 de julho de 2014

Brasil 2014 XXIV - Quartos de final

Por Eduardo Louro


                                        


Foram-se os quartos, venham as meias!


Nos quartos de final, com menos espectacularidade e menos golos, imperou a lei do mais forte.


O Alemanha-França já foi aqui tratadoNão vi o Brasil-Colômbia, pelo que não sei se alguma coisa mais importante que a lesão do Neymar aí se passou. Que afastou aquele que era uma das grandes figuras deste mundial e talvez o maior pilar das aspirações brasileiras. A carga do jogador colombiana não terá certamente sido propositada. Não terá tido por objectivo partir-lhe as costelas, mas não é aceitável!


O Argentina-Bélgica teve bastantes semelhanças com o primeiro destes jogos, com os das pampas a fazerem de alemães, e os belgas de franceses. Os argentinos são, e foram sempre, melhores. Mas bem podiam não ter ganho, com os belgas a desfrutarem da sua melhor ocasião de golo nos últimos momentos do jogo.


A Argentina continua sem encantar, embora tenha vindo a melhorar a sua qualidade de jogo, continuando a ser levada às costas de Messi. E de Di Maria, que hoje se lesionou e que, tal como Neymar, está também fora do mundial.


A Bélgica voltou a confirmar que é uma equipa de compartimentos, com valores individuais de grande qualidade, atrás e à frente. A começar no guarda-redes, tem uma defesa de imensa categoria. E no entanto defende mal!


Na frente tem igualmente jogadores do melhor que se viu no Brasil. E nem por isso constrói muitas oportunidades de golo. Porque não tem – não teve – meio campo, e não tem sistema de jogo. Faz mal as transições ofensivas, e com isso não tira o melhor proveito da qualidade que tem no ataque. Mas é nas transições defensivas que é um verdadeiro desastre. Não se percebe quem fica, quem compensa nem quem transporta. E aquele Fellaini... Francamente! 


O último, mesmo sem golos, foi o mais emocionante de todos os jogos dos quartos de final. Encontravam-se a surpreendente e extraordinária Costa Rica e a Holanda que, ao contrário das restantes apuradas, vem de mais para menos. Começou espectacularmente com a goleada imposta à Espanha, mas depois disso foi sempre a descer. Pela simples razão de que é uma equipa – a exemplo da portuguesa, e salvo as devidas distâncias – talhada para o contra-ataque e para o ataque rápido. Quando enfrenta adversários que não tomam a iniciativa do jogo, e tem de jogar em ataque planeado, o rendimento é outro. E bem inferior!   


Esta Holanda é a capacidade de passe de Sjneider, a aceleração, velocidade, drible e diagonais de Robben, e capacidade de execução de Van Persie. Sem espaços nada feito, não funciona!


Se bem que haja sempre Robben: a alma de Robben, a encher o campo todo e… os mergulhos, às vezes a resolverem o que tudo o resto não resolveu!


Dá vontade de dizer que a selecção das Caraíbas mereceu toda s sorte que teve durante os 90 minutos do jogo e mais 30 de prolongamento, e não mereceu o azar que teve nos penaltis, acabando por morrer com os ferros com que matara a Grécia


Os holandeses tiveram três bolas na barra, mas só verdadeiramente tomaram conta do jogo nos últimos 10 minutos dos noventa e no prolongamento. Tivessem mais cedo posto em campo o empenho, e especialmente uma velocidade aceitável, e talvez não tivessem de se sujeitar aos penaltis que, pela história deste campeonato e pela extraordinária exibição – mais uma – do fantástico (será apenas guarda-redes de engate?) Navas, tinham tudo para não desejar.


Van Gaal não fez muito para alterar o curso dos acontecimentos. Fez duas alterações bastante tarde, a segunda (entrada do ponta de lança Huntelaar por saída do defesa português Bruno Martins, que está a caminho do Porto) já na segunda parte do prolongamento. E guardou a terceira para o último minuto do prolongamento. Insólito: trocou de guarda-redes, para os penaltis. Como já se percebia pelos exercícios de aquecimento que o guarda-redes Krul há minutos vinha fazendo à vista de toda a gente!


E resultou, defendeu dois penaltis e assegurou a qualificação da Holanda para as meias finais. Para compensar o azar das três bolas no ferro, Van Gaal teve sorte! 


Com a Argentina, nas meias finais, a Holanda poderá voltar a encontrar as condições naturais ao desenvolvimento do seu jogo. Pode ser que se volte a sentir como peixe na água... Mas se há coisa que caracteriza esta Argentina de Sabella é a forma como não permite desiquilíbrios!

2 comentários:

  1. Eu bem tinha avisado aqui, que a Holanda não iria ter vida fácil. A Costa Rica pôs em prática todos os trunfos que tinha para usar. Fizeram a sua obrigação!
    Quanto aos Brasileiros, penso que foram justos vencedores. E penso que têm vindo a fazer um Mundial em crescendo. Ainda que com arbitragens dúbias, mas isso faz parte do futebol. Para o bem e para o mal.Por falar em mal, a lesão do Neymar foi terrível de se ver! O jogador Colombiano foi um bruto desumano! É nestas ocasiões que eu defendo esta teoria: porquanto sejam os dias que o lesionado estiver em recuperação, são exatamente os mesmos dias que o agressor estará impedido de jogar! (assim terá tempo suficiente para pensar no que fez)
    A Argentina parece aquela equipa que não age, não mete medo, não refigura nada no futebol. Mas....mas o futebol também é um jogo psicológico, e as outras equipas sabem que do outro lado está Messi, que sabe resolver jogos num piscar de olhos. Isso é uma nuance psicológica enorme, acreditem! Os adversários são obrigados a estar concentrados até ao fim, é com essa arma que o treinador Argentino se vale.
    Alemanha: não tenho dúvidas, é a melhor Seleção do lote dos 4 semi-finalistas. Em todos os aspectos, táticos e psicológicos, é a mais forte das 4. Não tem Messi, nem Ronaldo. Mas tem eficácia nos processos. Simples. Não complicam. Jogam sempre com concentração absoluta. Talvez o mais sério candidato a vencer, na minha opinião.
    Um abraço amigo Eduardo!

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