terça-feira, 15 de maio de 2018

Ó PÁ...

 Resultado de imagem para antónio costa edp china mexia


 


Passos Coelho entregou boa parte da EDP - a maior empresa nacional que por si só "vale" o mais determinante sector da economia nacional - ao Estado chinês, há meia dúzia de anos, numa inaceitável decisão de alienação de soberania económica em favor de uma grande potência mundial, não europeia e, valha lá isso o que nos dias de hoje valer, de um Estado totalitário.


Compreende-se que o Estado tivesse que vender a sua participação na EDP, mais ainda naquela altura. E percebe-se que, tendo de o fazer, não fosse possível mantê-la em mãos nacionais. Era necessário dinheiro para as finanças públicas, o défice e a dívida pública a isso obrigavam. E não havia no país esse dinheiro porque, capitalistas, por um lado, e poupanças, por outro, as duas faces da moeda do dinheiro, nunca foram o nosso forte, antes pelo contrário. Fomos sempre mais dados a fazer figura com crédito...


E se eram os chineses quem mais dava... 


A inaceitável decisão de Passos Coelho teria, apesar de tudo, estas atenuantes.


Agora, passados estes 6 ou 7 anos, a empresa estatal chinesa que ficou com a fatia que então Passos Coelho lhe vendeu, e que lhe vale um pouco mais de 23% do capital daquela a que continuamos a gostar de chamar a energética nacional, quer mais. Quer tudo. Mesmo que querer tudo, nestas coisas, nunca seja querer tudo, basta o mais confortável controlo possível. E para aí chegar lançou uma Oferta Pública de Aquisição das acções que lhe faltam, a OPA.


A China Three Gorges - assim se chama a empresa chinesa - desta vez não vai comprar acções ao Estado português, que já não tem nenhuma. Nem para amostra. O Estado português tem apenas alguns instrumentos de regulação e, como se sabe, a faculdade de garantir - como tão bem tem feito e parece querer continuar a fazer - as famosas rendas, tão bem desenhadas por Mexia e Pinho, e melhor defendidas por Catroga. Indispensáveis para os resultados que hão-de pagar os dividendos, que já dobraram o investimento, e para os famosos vencimentos a António Mexia & Companhia. E no entanto, sem nada para vender, sem nada de nada para o défice ou para a dívida pública, António Costa apressou-se a dar as boas vindas à OPA, que recebeu de braços abertos e sorriso nos lábios!


Apressou-se - é a expressão. E a gente não percebe a pressa. E se não se percebe a pressa, muito menos se percebe sequer o interesse em abrir um processo que, independentemente do duvidoso sucesso da OPA, tem como ínequívoco e inevitável destino uma desmedida concentração de capital na mais fundamental das empresas nacionais. A caixa que foi aberta não será mais fechada...


Quando numa matéria destas António Costa ainda consegue ir muito para além de Passos, percebe-se melhor tudo o que se está a passar.


 


 


 


 

1 comentário:

  1. A verdadeira responsável disto tudo é a Europa e,em particular, da Alemanha
    Manuela

    ResponderEliminar

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...