quinta-feira, 7 de junho de 2018

Coisas que doem*

Resultado de imagem para emigração portuguesa


 


Foi conhecido por estes dias o mais recente Relatório de Envelhecimento da Comissão Europeia, que é publicado de três em três anos, segundo o qual Portugal será dos países europeus com maior redução de população nos próximos 50 anos, altura em que aqui no rectângulo seremos oito milhões de portugueses, praticamente ¾ da população actual. Pior, isto é, com maiores perdas de população, apenas dois países de leste - Roménia e Bulgária – e a Grécia, essa velha conhecida e companheira de rota das últimas décadas.


Claro, com esta panorâmica, o potencial de crescimento da economia portuguesa será o mais baixo da Europa. Porque, evidentemente, a economia é feita de pessoas, e são as pessoas que fazem a economia. Com menos pessoas, menos economia.


Mas nem é aí, no lado da economia, que está o lado mais dramático da realidade que está à vista de todos. Dramático é mesmo a percepção que, se o rumo não for invertido, no limite, o país tende a desaparecer. Dramática é essa ideia de falência colectiva para que fomos arrastados nas últimas décadas por elites míopes e sem estratégia.


Basta lembrarmo-nos que ainda há dois ou três anos tínhamos um primeiro-ministro que mandava os jovens emigrar, e um país rendido à irresponsável ideia da zona de conforto. Instalou-se na sociedade portuguesa uma espécie de convicção que, insistir em viver em Portugal, era recusar sair da zona de conforto. Que emigrar, sair da famigerada zona de conforto, era sinal de espírito empreendedor, na linha dos portugueses de quinhentos.


Não era. Não é. É a linha dos portugueses de 50 e de 60 que, a salto, fugiam do país para sobreviver.


É também por isso que estas notícias doem mais...


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

8 comentários:

  1. Em vez de andar sempre e só a medir o peso que cada medida tem no défice, era necessário quem se importasse com as consequências de cada medida no combate à pobreza, no combate à desigualdade, na melhoria das condições de quem trabalha, e na melhoria das condições dos jovens que querem ter filhos aqui sem terem de emigrar.

    Mas para isso, era precisa uma Geringonça que fosse liderada por soberanistaa, em vez de fanáticos EUropeístas, uma maioria parlamentar que fosse populista (pelo povo, pelos 99%, não demagógica), em vez dos elitistas, e um povo que fosse civicamente activo, em vez de um passivo "bom aluno" de péssimos professores (elite globalista).

    Dá dó ter um 1° ministro dar pulos de alegria, quando o desemprego real ainda está nos 15%, o desemprego jovem nos 32%, e a população em risco de pobreza (antes dos apoios sociais) nos 45%.
    Dá dó ter um líder da oposição que queria ir na austeridade ainda mais além do que o governo que já tinha ido além da troika, e cuja recente demagogia vomitou uma proposta de 10 mil € para subsídio universal para crianças, que na prática iria dar +5 mil € aos mais ricos, e tirar -6.7 mil € a quem precisa.

    Dá dó que os "herdeiros" da padeira de aljubarrota sejam uns covardes com medo de fazer a coisa certa: voltar a ter soberania monetária, e enfiar os "brochelocratas" do BCE, FMI, OCDE, WTO, EURO-grupo, e Comissão Europeia, dentro de um forno bem quentinho, pois são esses os invasores do séc. XXI. Os mesmos que sistematicamente nos avisam: "cuidadoque o saláriomínimo é muito alto", " olha que é preciso cortar pensões", "cuidado com os gastos no SNS", " toca a privatizar monopólios naturais para Franceses, Alemães, e Chineses aproveitarem", etc.

    Enquanto Portugal tiver uma maioria política acrítica da estupidez em que a UE se tornou, uma maioria absolutíssima do "arco da corrupção e negociata", dos mesmos de sempre que nos colocaram nesta situação, PS, PSD, e CDS, o país continuará a ver relatórios destes com resultados cada vez piores, e com o futuro do país inteiro em risco.

    A democracia é o menos mau de todosos sistemas, pois é o único em que podemos mudar os governos, as políticas, e até mesmo as elites, quando estes falham para com o seu povo. Infelizmente, o eleitorado Português ainda não percebeu como a democracia funciona ao fim de 44 anos.

    Vivam o BE e o PAN. Que um dia sejam uma Geringonça maioritária, que afirme perante os mercados: quem mabda aqui aomos nós, governamos para nós e não para quem nos quer mal. E que o povo os saiba tirar de lá, e trocar por novos partidos, assim que começarem a ganhar os mesmos vícios e defeitos de quem chega e fica no poder. Isto já devia ter acontecido em 2011. Só vamos, como de costume, com umas quantas décadas de atraso...

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    1. Mais um Manifesto, Jorge. Eu por mim gosto de Manifestos... Olhe, há 50 anos, quando quisemos proibir que se proibisse, é que era...

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    2. Pelos vistos as democracias também elegem os Hitler, os Trump,os Putin, os Duterte, os Erdogan e tutti quanti.

      Indexar um número de votos ao QI de cada votante. Quem quiser votar terá de conquistar esse direito e só terá o nº de votos que merecer. Sei que a inteligência não é uma garantia absoluta mas a pimbalhice é-o muito menos.

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    3. Do mesmo anónimo - porque terão pessoas de nível intelectual superior de depender das análises e escolhas de ignorantes ou idiotas? Sendo hoje possível avaliar com mais ou menos rigor as capacidades de cada um e havendo protecção de dados seria possível votar segundo uma pontuação merecida. Para votar fazia-se um teste que outorgaria um nº e ou qualidade de votos. Não seria exactamente como quando votavam apenas as camadas altas da sociedade. O nível de vida tem influência no nível de inteligência mas se o nível dos testes fosse adaptado ao nível de escolaridade por exemplo talvez se atingisse algum nível aceitável de justiça. Seria de cada um segundo a sua capacidade. Consigo perceber as implicações e dúvidas morais da coisa mas perante os Trumps, Dutertes, Erdogans, Putins, Berlusconis e quejandos não tenho ideia melhor.

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    4. A democracia não é perfeita. É mesmo, como dizia o grande Churchil, o pior dos sistemas... à excepção de todos os outros. É isso, não é perfeita, mas ainda ninguém encontrou melhor. E a democracia só é democracia na base de um homem (ou ma mulher)/um voto.
      Nenhum voto de nenhum homem, ou de nenhuma mulher, pode valer mais que o de qualquer outro, ou qualquer outra. Quando houver pessoas cujo voto valha mais que o de outras isso pode haver tudo, mas não há democracia.

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  2. Política concertada é o que precisamos.
    Política consertada é o que temos.

    A homofonia faz toda a diferença!

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    1. Nestas coisas estratégicas nunca houve concerto, foi sempre cada um para seu lado. E de sopro, só o assobio. Por isso é que isto já não tem conserto...

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    2. Talvez coro de concertinas sem tinas mas tino?

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