quinta-feira, 5 de julho de 2018

O Problema*

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A recuperação da progressão na carreira dos professores tornou-se, de repente, provavelmente no maior problema político do país, capaz de condicionar fortemente o nosso futuro próximo. Não é um problema. É o problema!


Para já só temos duas certezas. A primeira é que os professores têm tanto direito a recuperar o que perderam nos anos da crise como qualquer outra categoria de portugueses. Os professores foram sacrificados nestes últimos 10 anos – e são até muito penalizados em muitas das circunstâncias em que exercem a sua profissão – mas houve muito mais portugueses muito mais sacrificados. Os que perderam o emprego e não mais o recuperaram, os que, os que perderam o emprego e quando o recuperaram nunca mais recuperaram o salário anterior e os centenas de milhares que tiveram que tiveram de abandonar o país e a família, muitos deles também professores.


A segunda certeza é que o governo tratou muito mal do problema. Com leviandade e sem frontalidade e rigor. Começou por não ser claro, por empurrar a coisa para baixo do tapete, à espera que fosse o tempo a resolver o que lhe competia a si resolver para, agora, perder por completo o senso, como se viu no lamentável episódio da referência às obras do IP3. Em política, trade off é chantagem. Quando é populista, para além de chantagem, é uma vergonha!


Não é preciso muita intuição para perceber que contrapor obras numa estrada à reivindicação dos professores, quando as divergências são bem maiores que as convergências, quando há um orçamento para aprovar, e quando começa a intensificar-se o cheiro a eleições, não é a melhor das ideias …


Nem nada que se pareça!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

9 comentários:

  1. O que mais chateia no amadorismo é ser tão amado por quem não sabe ser profissional - o que nada tem a ver com ser trabalhador do sector, caso contrário os nossos políticos seriam soberbos. Bom, alguns andam próximo, conseguem demonstrar soberba.

    Os sindicatos estão a fazer a parte deles, mas lembro-me como foram as greves aos exames em 1989... toda uma geração penalizada com um primeiro ano universitário reduzido a 6 meses. Há greves e greves? e na física como num estado de Direito o uso desproporcionado da força causa rupturas.
    Aguardemos; que não chegue a tanto - embora não deixasse de ser irónico (?), ver a força da luta contra um governo muito maioritário ser parecida à usada contra um governo suportado no parlamento por mais 3 partidos (não esquecer o PEV, em divergência do PCP)...

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    1. "Os sindicatos estão a fazer a parte deles". Os outros é que não!

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    2. Nitidamente não, os outros não estão a fazer a parte deles.

      Mas... greves às aulas causam transtorno no curto prazo mas recuperam-se as matérias em casa; greves a exames e avaliações penalizam os alunos e a sociedade no médio prazo se se arrastarem como em 1989. Foram 6 meses a remarcar alguns dos exames, que nesse ano começaram a ser diferentes cf os cursos e as universidades (vá lá que o CRUP chegou a consenso nisto).

      Haverá outras formas de pressão que não comprometam o médio prazo, suponho... e desejo.

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  2. A força da luta tem que ser superior à injustiça, ao problema. As greves causam tanstornos. Não partilhamos da mansa opinião de que não se deve beliscar o interesse,por muito público que seja. Seguir esta tendência, é uma forma atrasada de conceber as transformações sociais que, para o serem verdadeiramente. implicam violência. "Do rio que tudo arrasta se diz que é violento.Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem." (Bertolt Brecht).

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    1. O texto fala de um problema político. Um problema que poderia e deveria ter sido evitado mas que, em vez disso, foi criado e aprofundado. Qualquer problema requer solução, e a deste não está à vista. O texto fala disto, não fala de luta, de justiça ou injustiça. Isso é outra coisa!

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  3. Nem o seu texto se refere a luta, nem o senhor a injustiça. Coube-me a mim, preencher a lacuna que, pelos vistos, prepositadamente, deixou em branco.Não se percebe porque lhe causam as ditas referências tanto incómodo, quando é o próprio a falar em problema político e em divergência. O seu problema é que não aceita que um grande problema político que o governo não quis nem foi capaz de resolver, usando palavras suas, e que contrapõe governantes e governados, seja resolvido através da reposição da justiça só alcançável, em virtude ao que se chegou, com recurso à tão odienta luta. Historica e politicamente, os problemas sociais e políticos não se resolvem sempre, como deve ter aprendido, por meios pacíficos.
    Não há dúvida que gastou muito do seu tempo a tentar explicar que não está de acordo com o comentário. O modo como o fez, deixa transparecer tendências, quando o julgava, pelos textos, um outro mais independente. Para a próxima, se a houver, basta dizer: não concordo. E a vida continuava. Boa noite.

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    1. Está equivocado. Eu só quis dizer "cada macaco no seu galho". Que, quando falo de uma coisa, estou a falar dessa coisa, e não de outra qualquer. Se não percebe ... paciência...

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  4. PS:. Na verdade houve aqui um lapso e alguma precipitação que originaram confusão. O primeiro dos meus comentários tinha Sarin como destinatária, pois falava ela em greves. Eduardo Louro respondeu em sua substituição ou antecipação. Não era minha intenção responder a EL. Calhou.Desculpe Sarin, fica para a próxima, se EL me deixar.

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    1. Deixo pois. Como o comentário apareceu dirigido ao texto, eu respondi pelo texto.

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