
Ao anunciar, ainda na entrevista à TVI de anteontem, que prefere aumentar os salários mais baixos da função pública, mantendo os restantes (eufemisticamente, os mais altos), o primeiro-ministro não revela apenas a sua manha. Revela também a sua falta de princípios, e a "casa de papel" de que é feita a sua consciência política.
António Costa é manhoso, todos já reparamos. E, por ser manhoso, diz que prefere aumentar em 35 euros os salários mais baixos, que aumentar todos em 5 euros. Antes, com a mesma manha, já tinha dito que, desta vez, a revisão salarial na função pública não seria estabelecida em bases percentuais, mas em valores absolutos.
O salário é, e terá sempre de ser à luz da dignidade dos cidadãos e da organização da sociedade, um valor sagrado. É aquilo por que cada um vende o seu trabalho. No plano dos princípios, o trabalho é o que de melhor cada um tem para oferecer à sociedade, e o salário o reconhecimento por esse trabalho, sabendo-se que o reconhecimento é, a seguir às necessidades primárias de sobrevivência, a mais básica necessidade humana.
António Costa, em nome do que gostam de chamar pragmatismo político, mas que não é mais que manha em estado puro, ignora estes princípios, e coloca tudo no saco da redistribuição de rendimento, como se de um saco de esmolas se tratasse.
Mas - é assim - um manhoso não tem princípios. Só tem manha!
Estou um pouco alheada das últimas politiquices, mas numa primeira leitura faço duas sobre tal medida:
ResponderEliminar- a leitura da medida populista, destinada a agradar a uma larga franja;
- a leitura desapaixonada que se/me interroga até que ponto não será a medida um impulso na valorização salarial. Um aumento percentual afecta todos por igual, aumentos em valor absoluto obriga a rever as tabelas e as relações de equidistância em sede de CCT, não?
Repito, estou algo fora do contexto desta manhosice, como o Eduardo lhe chama Mas vejo CCT em que entre os níveis salariais mais baixos distam 4€, e nos mais altos as equidistâncias são no mínimo de 40€. Entre quadros do mesmo grau, note-se.
Aumentos "obrigam", não "obriga".
EliminarSim, é populista. Manhosa, portanto. Não tem nada a ver com valorização do salário. Pelo contrário, tem a ver com rateio de esmolas.
EliminarActualizar salários é refazê-los da erosão sofrida, em especial da que é provocada pela inflação. Isso só se faz em bases percentuais. Isto sem falar da revisão salarial como instrumento de gestão, pura utopia na função púbica.
Está visto, tenho que ler os jornais para trás, assim fora de contexto não arrisco opinião... nem saberia dos montantes se não fosse pelo Eduardo, assim pode ver o quão afastada estive.
EliminarNão precisa, Sarin. Os jornais de hoje deixam-na a par de tudo, quando dizem que o Centeno já deixou tudo em pratos limpos: tem 50 milhões de euros para o saco das esmolas, agora distribuam-nos como quiserem.
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