terça-feira, 27 de novembro de 2018

O tempo contado nas contas da política

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No primeiro dia do debate na especialidade do Orçamento, uma maioria parlamentar que fez o pleno contra o PS, aprovou as propostas do CDS e do PSD que obrigam o governo a fazer "marcha atrás" na sua posição sobre o tempo de serviço dos professores. 


É velha a questão da legitimidade dos professores, tão velha como a questão de quem paga a crise, que já aqui trouxe por diversas ocasiões. Deixemos-las por isso de lado porque, agora, em causa está importância eleitoral dos professores, e as voltas que isso provoca nos partidos políticos.


As posições do Bloco e do PC, suportes do governo, eram e são conhecidas. Não quer dizer que passem à margem do peso eleitoral desta categoria profissional - não passam, evidentemente -, mas estão sempre do mesmo lado e, bem ou mal, não interessa para o caso, estão e têm estado sempre do lado dos professores.


Coisa completamente diferente acontece com o PSD e o CDS. O que está em causa é até repor o que eles próprios tiraram quando governaram. O que estão a dizer é que estão a exigir que outros paguem uma dívida que eles fizeram. Eles, que sempre se opuseram à política de reposições e reversões deste governo, fazendo até delas motivo de regresso do diabo.


Isto é despudoradamente hipócrita, mas é assim que se faz política. E mais assim, ainda, em Portugal. Não sei se os professores ganharam alguma coisa com esta decisão no Parlamento, que não lhes traz nada de concreto, mas não tenho dúvidas que o governo, sem ter que dar nada, perdeu muito. Não lhe podia sair pior que ter de lidar com este tema durante todo um ano, com duas eleições pelo meio!


 

3 comentários:

  1. Ao PSD não terá feito nenhum bem, pelo menos internamente; e não sei se o PP (qual CDS?) ganhou 5 professores e respectivos agregados... acho mesmo que, se houve vencedores, foram aqueles que lá estiveram sem estar...

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  2. Acho que ninguém ganhou nada. Mas o PS perdeu. Às vezes acontece: perde-se sem que ninguém ganhe. Quando assim é, há quem lhe chame "política de terra queimada". A mim parece-me mais "política de inteligência queimada".

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  3. Tenho dificuldade em ver nisto perdas ou ganhos... apenas de tempo.

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