
Tenho para mim que, como a natureza tem horror ao vazio, a política tem horror à seriedade e à ética.
Sempre que alguém aparece na política a invocá-las … corre mal. Há sempre alguma coisa que salta das entranhas da política para lhe dar cabo das ideias.
Repare-se em Rui Rio. Tenho-o, como - creio – a generalidade das pessoas, por uma pessoa séria, que coloca a honra e a honestidade no topo da sua pirâmide de valores. Fez disso, e de uma auréola de competência e de independência, trazida da presidência da Câmara Municipal do Porto, os atributos de legitimação das suas ambições políticas. E chegou, assim, à liderança do maior partido português (na perspectiva da representação parlamentar), anunciando um banho de ética.
A primeira coisa que fez foi escolher para Secretário-Geral do partido, o responsável pelo funcionamento da máquina partidária, Feliciano Barreiras Duarte, logo à perna com uma série de aldrabices curriculares muito próprias dos aldrabões, especialmente na política. Como se não bastasse, logo a seguir, foi denunciado por aldrabice na morada, muito comum na actividade política, onde as pessoas não moram onde moram mas onde dá mais subsídio morar.
Depois de deixar que o problema se arrastasse de forma penosa durante tempo de mais, sempre a tentar justificar o injustificável, Rui Rio substituiu-o por José Silvano, trocando um carreirista dos corredores do partido por um transmontano rijo e sério.
Deu no que deu. Só não aldrabou na morada porque não precisava. De resto, valeu tudo. E Rui Rio volta a assobiar para o lado, chamando-lhes “questiúnculas” de “pequena política”, encharcado até aos ossos pela água suja do seu banho de ética.
É isto: a política tem horror à seriedade e à ética, o mesmo que Aristóteles descobriu na natureza pelo vazio.
* A minha crónica de hoje na Cister FM
Acho que Rio está mesmo a dar um banho de ética: um a um, vai escaldando os gatos escondidos que estão na ponta dos rabos-de-palha.
ResponderEliminarChama-se psicologia inversa.
Mas já avisou que não deixa cair os amigos, o que me tranquiliza: haja um! É que anda tudo a confundir amigos com parceiros de partido, assim como se o partidarismo fosse um feicebuque e dá cá amizade e toma lá laiques... será esta determinação por não ter conta nessa rede social?
Azar,Sarin. Não se tranquilize, porque nem esse... Diz que essa de não deixar cair os amigos é "mentira perversa". Assim tipo feicebuque...
ResponderEliminarEnquanto o PSD continuar a ser um saco de gatos, desde himalaios a vadios, nunca será motivo de tal tranquilidade :)
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