quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

ADSE - ameaças e oportunidades

Resultado de imagem para adse transformar ameaças em oportunidades


 


Vivem-se dias agitados na Saúde. O Serviço Nacional de Saúde paga agora a factura de anos e anos de desinvestimento, e as greves dos enfermeiros, cirúrgicos e cirúrgicas, deixaram-no em pé de guerra. De guerra é também a imagem das urgências hospitalares, de há bastante tempo a esta parte. Entramos numa urgência de um hospital e ficamos com a ideia que estamos a viver uma catástrofe, com um afluxo de emergência próprio de uma guerra e de uma calamidade nacional semelhante.


Na própria greve dos enfermeiros há quem veja mão de outros interesses, que não os meramente corporativos desta classe profissional, particularmente suscitados pela forma inovadora com tem vindo a ser financiada, mas também pela emergência de sindicatos que desafiam o enquadramento orgânico convencional.


É neste quadro, por acaso ou talvez não, que o anúncio da rotura dos principais grupos privados do negócio da saúde com a ADSE surge, esta semana, no topo da actualidade.


Não será certamente por acaso que, começando por esconder que em causa estava a exigência da devolução de 38 milhões de euros recebidos em excesso em 2015 e 2016, os principais grupos privados de Saúde, uns atrás dos outros, concertadamente, como num cartel, vieram anunciar a intenção de romper com o subsistema de saúde criado para os funcionários públicos, numa posição a que dificilmente deixamos de poder chamar chantagem.


A ADSE foi a primeira alavanca das PPP´s da saúde, com todas as suas vicissitudes, com o melhor e o pior que estas parcerias comportam. No pior está, nestas como noutras PPP´s, a forma como o Estado descura o rigor no seu controlo e, consequentemente, os seus interesses, que são afinal os de nós todos.  


Criada em 1963, a ADSE passou de integralmente financiada pelo Estado a integralmente financiada pelos beneficiários, como qualquer seguro de saúde, através do pagamento de um prémio que começou em 0,5% do vencimento dos funcionários no activo (com os reformados isentos) em 1979, fixando-se em 1% logo no ano seguinte por quase 30 anos. Em 2007 passou para 1,5% e os reformados passaram a contribuir com 1% do valor da pensão, para na governação de Passos Coelho passar para 2,5% até se fixar, em 2014, nos actuais 3,5% e sair da esfera do Orçamento do Estado. Só em 2017, contudo, se estruturou e atingiu um estatuto autónomo, com a passagem a Instituto Público que lhe garantiu recursos para passar a exercer o controlo a que os prestadores de serviços não estavam habituados.


É sintomático que, no meio da discussão que esta semana tomou conta do espaço mediático, se tenha ficado a saber que, no regime convencionado, ADSE paga um preço pelas consultas muito abaixo do valor de mercado. É que – e não pode ser outra a leitura – os hospitais privados aceitaram esses preços pela simples razão de darem por garantido que facilmente compensariam nos restantes serviços, de mais difícil escrutínio, e provavelmente com grande vantagem, os baixos preços desses actos médicos.


Porque não há volta a dar, e toda a gente sabe que o sector privado da Saúde ainda – saliento, ainda – não pode dispensar o negócio da ADSE, da mesma forma que, no actual estado das coisas, o país não pode dispensar o funcionamento da parceria, as partes estão condenadas a entenderem-se. Seria bom que aproveitassem para o fazer com a máxima transparência e sem deixar esqueletos nos armários...


O povo diz que "há males que vêm por bem". Os gurus da gestão chama-lhe "transformar ameaças em oportunidades". Chamem-lhe o que quiserem, mas "ponham isso no são". Se forem capazes...


 

16 comentários:

  1. Resta saber porque não foi detectada a sobrefacturação antes de 2017. Ela já existia, e era descarada. Não sou utente mas a minha mãe era, e vi as facturas do internamento. Não sei se chamar chantagem ao que os privados estão a fazer é o termo mais correto. Nem todos os prestadores têm acordos com todas as seguradoras, por exemplo. Separem os temas, esclareçam as contas. E já agora párem de gabar o SNS, se algo fica claro nesta trama é o estado calamitoso em que está.

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  2. Se alguém não fica bem na fotografia chama-se "estado"
    . Pois, um Estado a sério preocupar-se-ia com produtividade, eficácia e economia de meios sem descurar a qualidade dos serviços. Dou um exemplo, na sequência de um acidente doméstico dei entrada no Banco de urgências de um hospital distrital onde foi diagnosticado um golpe profundo num dedo com rutura de um tendão. Reencaminhado para o Hospital de São José onde fui sujeito a uma triagem e visto passado 5 horas pela equipe de cirurgia plástica. Não pude ser operado no dia, daí ter sido internado e operado 16 horas depois, com alta quase de imediato.
    Houve ,naturalmente, para fins estatísticos a contabilização de x episódios médicos, atraso inevitável na urgência, custos em duplicado, perdas de tempo e, antes de ser operado ainda assisti a uma cena surreal de uma enfermeira instrumentista a dizer; "que só abria as pernas para quem ela quisesse", pois, não se sentia no direito de fazer o serviço porque a colega que a vinha substituir se atrasou. Atenção: Não havia greves.
    Espero que as seguradoras aproveitem esta janela de oportunidade e façam um controlo apertado aos custos dos serviços e paguem ao estado aquilo que pretendem pagar às empresas convencionadas sejam elas Melo Saúde, Lusíadas,... ou uma clínica no interior do país.
    O Estado poupa muito se deixar que as entidades privadas façam bem e com rigor de gestão o que via de regra o "estado" não sabe nem quer fazer.
    Fazer muito com pouco não está no adn do "estado", pelo menos deste. Pois, colocar a ideologia no lugar do rigor não está ao alcance de todos.

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  3. QUANDO O DR PASSOS COELHO AUMENTOU OS DESCONTOS PARA ADSE JÁ ESTAVA A PREPARAR O CAMINHO PARA OS PRIVADOS QUE AGORA DE DENTES AFIADOS FAZEM O CERCO. DE RESTO SEMPRE OS PARTIDOS DA SUA ÀREA POLÍTICA, QUEREM PRIVATIZAR COMEÇAM POR TORNAR RENTÁVEL O DOTE DA NOIVA PARA ABRIR O APETITE AOS POTENCIAIS ITERESSADOS. NADA DE NOVO. MAS A ADSE É DOS SEUS SÓCIOS POIS SÃO ELES QUE A SUSTENTAM

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  4. O ódio da escumalha das caixas de comentários aos funcionários públicos é tanto que suponho que a escumalha das caixas de comentários seja rica o suficiente para frequentar exclusivamente hospitais privados e escolas privadas e para nunca precisar de usar transportes públicos.

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  5. EU PAGO MAIS POR UM SEGURO DE SAÚDE E TENHO MENOS REGALIAS QUE OS SÓCIOS DA ADSE, E NEM POR ISSO ACHO QUE SEJA DONO DA SEGURADORA.

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  6. Não tenho ódio aos funcionários públicos, tenho aos funcionários parvos. Acontece que no sector privado os funcionários parvos não fazem carreira.

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  7. Os privados viram uma mina de ouro massiço quando o governo aumentou o valor para 3,5%. Ao mesmo tempo, tinham introduzido a comparação de preços pelas várias entidades. Em 2015, o estado já teria notado que existiam serviços que custavam 400 euros numa clínica e o mesmo serviço custava 5000 euros noutra. Para o mesmo serviço, para o mesmo código, já deviam notar que existia algo de estranho, o estranho foi mesmo que o vice-primeiro ministro (Paulo Portas) ordenou que a ADSE arquivasse aqueles dados, ignorando a própria lei. Em 2016, o governo fez a análise e lançou perguntas. Em 2017, exigiram a devolução de 29 milhões. As empresas privadas (7 empresas) recorreram a tribunal. No ano passado, o governo apresentou a conta de 38 milhões e exigiu a devolução, com efeitos imediatos. Curiosa é a coincidêndia de o Crowdfunding começou por 5 enfermeiros que trabalham no hospital de Braga... a tal PPP que a José Mello Saúde exigiu um aumento de 85 milhões ao valor anual que recebiam para renovarem a PPP. Assim que o governo recusou, deve ter sido só coincidência que são 5 enfermeiros, da parte privada, que iniciaram o tal movimento cívico que obteve mais de 900000 euros em 3 meses. Isto com um grupo de apoiantes que não chega aos 1000 enfermeiros e boa parte são os membros da ordem dos enfermeiros que não deveriam participar em greves. Serão mesmo coincidências? Mais coincidência é que 4 enfermeiras do Santo António, fizeram parte das listas do CDS nas autarquias de 2017 e são o elo de ligação entre 87 sindicatos, criados entre Maio e Setembro de 2018 que tem menos de 10 associados cada, da região norte do país e a ordem dos enfermeiros.
    Mas, os espanhóis bem defendem que há brujas... podemos não as ver mas, elas estão por aí.

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  8. Se a ADSE é dos sócios, os sócios só têm de a gerir, sem intervenção do Estado. O abuso dos sócios também contribuiu para este triste estado.

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  9. Não há aqui sócios. Há beneficiários que pagam por um serviço de saúde. Não percebo o que poderão ter a ver com o que está em causa. A ADS, por enquanto, é sustentável e até superavitária. Irá ddeixar de ser, mas isso não tem nada a ver com gestão. Decorre simplesmente de as novas gerações não estraem a entrar no sistema, quebrando o mescanismo de solidariedade intergeracional.

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  10. Ao não fazem? Para fazer um comentário desses não pode mesmo trabalhar no sector privado de todo. Ou então, como o seu comentário mostra, é um desses muitos funcionários parvos no sector privado.
    Escumalha há em todo o lado, como é o caso do anónimo das 21:53.

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  11. Olhe que não, olhe que não.

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  12. Pois não trabalho no privado não senhor. Por isso mesmo é que ganho mais, trabalho menos horas, tenho mais férias, sou promovido por tempo, e mesmo não fazendo nada na maioria dos dias não me podem despedir. E hoje estou em greve. Ehe.

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  13. Se o financiamento do Orçamento Geral do Estado terminou em 2014, foram 51 anos pagos pelos que não têm direito a essas mordomias, e têm de esperar meses ou anos por uma consulta no SNS. Se não é viável, só tem uma solução: acabar.

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  14. Ó anónimo das 11:52, não fale do que não sabe! Você não passa de escumalha...

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