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Os jornais fazem hoje eco, dois deles com destaque de capa, de um estudo que conclui que os alunos provenientes das famílias mais desfavorecidas são os que menos acesso têm aos cursos que exigem as notas mais altas.
Ninguém se surpreende com a notícia. Quase se poderia dizer que estranho é que seja notícia. Ou que há estudos que não servem para mais do que para nos dizerem aquilo que já sabemos. Num país, como o mundo, cada vez mais desigual é inevitável que cada vez mais seja assim.
O que não podemos achar inevitável é que cada vez mais se feche os olhos a esta realidade, que não só destrói a principal alavanca do sistema como as suas vias respiratórias. A educação é o factor crítico da mobilidade social, e o elevador social a base do sucesso do sistema.
Acentuar as estratificações no acesso à educação é deixar o elevador fora de serviço, é acentuar desigualdades, e é pôr a História a andar para trás. Chamem-lhe o que lhe quiserem chamar...
Falta algum iluminado vir explicar que os pobres são preguiçosos ou burros.
ResponderEliminarA realidade é que os mais ricos podem colocar os filhos em melhores escolas e proporcionar explicadores complementares - que são caros, muito caros.
A realidade é que a aquisição de conhecimentos já é feita maioritáriamente fora da escola.
As soluções de facilitismo seguidas, e mais virão, só agravam o caso.
A quem convém esta desigualdade?
O facilitismo a que se refere, neste quadro, pode ser "um pau de dois bicos". Basta pensar que os "mais bem nascidos" terão sempre oportunidade de o complementar. Já aos outros, quanto mais dificuldades, mais ficarão para trás...
ResponderEliminarAcrescem outros factores, relacionados com hábitos de estudo e leitura: nem todas as famílias possuem elementos com conhecimento suficiente para ajudar e estimular os jovens nos trabalhos e estudos em casa; os hábitos de leitura e debate incentivam-se pelo exemplo; a capacidade crítica e a criatividade estimulam-se com a prática.
ResponderEliminarFamílias com baixos rendimentos e baixa escolaridade estarão duplamente condicionadas na estrutura de suporte ao estudo que oferecem aos seus jovens.