sexta-feira, 7 de junho de 2019

RIR, para não chorar*

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Foto: Tiago Petinga/LUSA


Encontramos frequentemente no sistema partidário português justificação para todos os males de que enferma o regime, que damos por esgotado e bloqueado. Se falamos de abstenção, a culpa é dos partidos. Se falamos de corrupção, a culpa... de quem haveria de ser? Não há renovação da classe política e, a culpa é, evidentemente, dos partidos políticos... Que usurparam o regime e dele dispõem ao serviço exclusivo das suas parasitárias clientelas.


Nem sempre será tudo tanto assim, mas é inegável que a cristalização da actividade política e o constante afastamento dos cidadãos da coisa pública, que está a levar ao bloqueamento do regime, tem muito a ver com o descrédito em que os partidos se deixaram cair.


Dávamos a regeneração do sistema partidário por causa perdida. Os grandes partidos do sistema, os que, para o bem e para o mal, trouxeram o país até aqui, eram intocáveis. A abstenção crescia, é certo, mas a votação expressa andava sempre por ali à volta dos mesmos.


Até que, de repente, parece que alguma coisa está a mudar e os dois partidos do centrão, que há mais de 40 anos repartem o poder, e que até há aqui recolhiam mais de 75% dos votos expressos, não representam agora mais de 50% do eleitorado que se digna a votar. 


É como se, de repente, os partidos tradicionais começassem a deixar espaço que se revelasse tentador para novas formas de expressão política. E a verdade é que novos partidos começaram a nascer que nem cogumelos.


Vimo-los nas últimas eleições europeias. Faltava um, agora acabadinho de chegar. Chama-se RIR e vem pela mão do “Tino de Rans". Dir-se-ia que é para rir, mas diz que é de Reagir, Incluir e Reciclar. Um RIR forçado, cujo líder, sem se rir, acha legitimado pelos 150 mil votos que lhe valeram o sexto lugar das últimas presidenciais, em 2016.


Já para não falar de outras figurinhas que já vimos surgir nos jornais, de que o melhor é mesmo nem falar... Haja tino, porque isto não é para rir. É mesmo para chorar... Mas não de chorar por mais. Já chega. E basta!


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

7 comentários:

  1. "I fear they are just beginning..."

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  2. A fazer pequenas experiências em pequenos tubos de ensaio? Também me parece!

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  3. Pode informar qual o limite de carateres por cada comentário? Obrigado.

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  4. Só temos de ter cuidado e não lhes dar água nem comida depois da meia-noite...

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  5. O povo culpa os partidos mas ignora que os partidos só lá estão porque votaram neles. Não estão satisfeitos? Votem noutros. Eu cá recuso-me a votar em PS, PSD ou CDS.

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  6. Com os pequenos a ser ridicularizados e os grandes aconchegados também vou nessa.
    Os do costume habituaram-se à maleita seletiva da falta de memória, metem um peixe podre no cu e dizem ser sereia de brilhante rabo.

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