quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Um mundo perigoso*

Resultado de imagem para tribo do preconceito


 


Regresso aos sinais dos tempos que vivemos. Tempos estranhos, carregados de preconceitos que subvertem os verdadeiros problemas do nosso mundo, particularmente nas sociedades desenvolvidas, autenticamente viradas do avesso.


Na semana passada fomos surpreendidos com um estranho autoflagelo do primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, uma das vedetas da actual política internacional. Em plena campanha eleitoral, também no Canadá, veio a lume uma fotografia de uma festa de finalistas, há para aí uns 30 anos, em que o jovem Trudeau surgia maquilhado de escuro, num disfarce de Aladino, logo usada pela paranóia instalada dos tempos que correm para ser acusado de racista.


Quando se esperaria uma reacção de denúncia da infundada e abusiva acusação, completamente contra-senso, foi o próprio Trudeau que veio de imediato assinar por baixo, publicamente mostrar arrependimento e pedir desculpa pelo acto cometido na juventude, e do qual se sentia profundamente envergonhado.


Aquele acto de contrição, de violento autoflagelo, era ainda mais paranóico que a acusação inicial. E por isso mais chocante!


Trudeau não pedia desculpa por um acto racista que ninguém de bom senso reconhece, e que bem sabe não cometeu. Reagia apenas ao medo que marca os tempos que correm, num acto de tremenda cobardia perante essa tenebrosa tribo do preconceito politicamente correcto. Trudeau não a combateu, como a condição de líder mundial lhe impunha, juntou-se a ela e deu-lhe ainda mais força.


Não admira por isso que no início desta semana tivemos assistido a mais uma demonstração desta força das trevas. Desta vez a desdita caiu que nem uma bomba em cima do Bernardo Silva, a estrela da selecção nacional de futebol e do Manchester City, e por sinal uma joia de moço. Limitou-se a uma brincadeira, no Twitter, com um seu colega de equipa e amigo, o francês Mendy – negro, evidentemente - prontamente correspondida pelo seu interlocutor, usando uma imagem de um boneco negro de uma conhecida marca de chocolates.


A turba não perdoou, e saltou em comentários enfurecidos e queixas e denúncias por todo o lado. O rapaz apagou o que escrevera, mas já não lhe valeu de nada. A Federação inglesa abriu um inquérito por comportamento racista. Diz-se que poderá ser castigado com 7 jogos de suspensão!


Parece que estamos mesmo a viver o fim do mundo.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

20 comentários:

  1. Não sei se por ignorância da minha parte, ou outra coisa qualquer, mas nunca vi da parte desses movimentos uma qualquer crítica ás atrocidades cometidas por regimes ditatoriais e reaccionários de extrema-esquerda, bem com a partidos políticos que suportam os mesmos ideais.

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  2. Quando eu era miúdo lá no bairro todos tínhamos uma alcunha, nos dia de hoje ter alcunha deve ser equiparado a crime e é algo que ninguém quer, dava mais jeito uma cunha sem o al. Pois bem lá no bairro o preto era o Mapuata ou o Makukula, conforme os dias, havia também o badocha, o cabeças, o caixa de óculos, o copo de leite, o gordo, o Tolan, etc. Ninguém morreu, nem ficou particularmente traumatizado por causa disso, eramos todos felizes apesar de naquela altura ainda não sabermos.

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  3. Começo pelo principal, concordo tltalmente q

    Antes de mais tenho de reconhecer o seu trabalho pois há "meia-dúzia" de blogs que

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  4. Há verdades que não interessa recordar...e a ignorância vai-se cultivando a pouco e pouco. Basta observar que quando se fala em holocausto nazi parece ter sido o único e maior acto atroz cometido contra a humanidade, enquanto convenientemente se passou a borracha (azul?) sobre as atrocidades soviéticas ocorridas umas décadas antes que custaram mais de 6 milhões de vidas. Os camaradas não brincam,,,,

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  5. Não podia estar mais de acordo consigo, com o 1º parágrafo. O mundo está a ficar mesmo perigoso devido aos fundamentalistas, ignorantes, manipuladores e àqueles que só vêem o que lhes interessa ver.

    Dar valor ao que é insignificante é a nova moda e funciona como uma manobra de diversão para ocultar o que é realmente importante. E vemos isso em muitos lados, na comunicação social, nos blogues, etc. A comunicação social publica várias "notícias" sem interesse algum, ver por exemplo este bom artigo:
    https://ionline.sapo.pt/artigo/634458/a-caminho-da-superficialidade

    Eu próprio posso confirmar o seu o 1º parágrafo. Tenho um blogue que revela informação importante de uma investigação minha. Pois alguns "que já sabem tudo" ignoram-no, outros olham para o blogue "como um burro a olhar para um palácio" apesar de estar bem explicado qual o problema.

    As pessoas procuram o que é insignificante, divertido e está na moda. Em parte porque são assim e em parte porque são incentivadas a serem assim. São incentivadas a não pensarem!

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  6. "Catorze elefantes estão à solta no sul de Moçambique"
    O mundo está, de facto, a ficar um local perigoso.
    Até os elefantes já andam à solta.
    A culpa é do PAN.
    Já os leões… Estão todos engaiolados…
    Quanto ao Bernardo Silva. Bem, os bonequinhos de chocolate até têm um bocadinho de chocolate a mais do que as bonequinhas.
    Quanto a racismos, xenofobias, chauvinismos e demais merdas afins, isso é comigo, dado que, porque estou muito velhinho, já não tenho aquilo que alavanca o martelo.

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  7. Principalmente os regimes de DIREITA e seus correlegionários

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  8. Atualmente falta o sentido do humor

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  9. Não me parece que este seja um fenómeno que se possa enquadrar na dialética esquerda/direita. Não vejo por trás disto qualquer ideologia política. Se há ideologia - e admito que até possa haver - não será exactamente política.

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  10. Por que razão? O tema aqui não é sobre o racismo (ou o que não deveria ser)?

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  11. Pronto... Queria falar sobre elefantes e falou.
    Está bem.

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  12. Hoje é tudo demasiado público. Na privacidade entre amigos e conhecidos próprios damo-nos alcunhas e em festas de carnaval vestiamo-nos de jamaicanos ou esquimós. A coisa era gerida no grupo.
    Agora sai tudo para fora e há sempre alguém que se pica, ou que se pica pelos outros.
    Há conversas e piadas que já só conto a amigos

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  13. Chama-se Braima Dabó e mostrou ao mundo um nobre acto de solidariedade ao ajudar um colega de Aruba que estava em dificuldades a terminar a prova de 5.000 metros no Mundial de atletismo do Qatar. Um enorme exemplo de grandeza num mundo onde cada vez mais abunda a pequenez.

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  14. E verdade. Também esta "confusão" entre domínio público e privado - no que a conversa respeita, evidentemente - contribui para os "excessos" dos fundamenatalistas dos costumes. Há muita gente que ainda não percebeu que falar com os amigos pelas redes sociais é - e tem de ser - completamente diferente de falar com eles em casa, ou no café.

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  15. As marés este fim-de-semana foram difíceis, felizmente cheguei cá... :)
    Não tive tempo para malhar no Trudeau, mas apeteceu-me, e ainda bem que vejo que alguém o fez. Mas acho que foste brando... Trudeau merece desprezo por se ter vergado a admitir um erro que não cometeu! E apenas por isso! O ter acontecido há 30 anos serve para apontar a imbecilidade de outras situações, como virem cobrar um assédio, nunca antes denunciado, alegadamente cometido por Kevin Spacey - nesta história das máscaras nem sequer me serve de argumento, e apenas um me merece mérito: não houve erro porque não se tratou de menorizar ninguém.
    Quanto ao nosso Bernardo, os senhores da Federação Inglesa deveriam repensar o que andam a fazer - um destes dias temos bronca nos estádios se um inglês torcer pelos Hybs escoceses e cantar o Sunshine on Leith, não?!

    A sociedade está perigosa, sim, e desconfio que já não recuperaremos a serenidade sem uns tabefes. Nos dirigentes, antes de todos.

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  16. Tabefes figurados, Eduardo, sou pela paz!!!!!! :)
    Os primeiros tabefes passam pelas urnas, por exemplo... :)

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  17. Acho que paranóico é esse texto. Quem acha que está a ser censurado ou alguma palhaçada do género devia ser obrigado a viajar no tempo até 1973. Aí viam o que é censura.

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