quinta-feira, 3 de outubro de 2019

A comunicação de Bruno Lage

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O futebol desconexo que o Benfica está a apresentar - e não, não é só na Champions, embora aí o estigma seja maior - está em linha,  já não sobra qualquer dúvida, com o desconexo discurso do seu treinador. Hoje é tão penoso o futebol da equipa como o discurso do treinador.


Há poucos meses Bruno Lage, mais que uma lufada de ar fresco, era a grande revolução do futebol português. Recuperava jogadores dados por perdidos, lançava miúdos desconhecidos, apresentava um futebol que maravilhava toda a gente e galvanizava os adeptos e não se limitava a ganhar, goleava. E a par de tudo isto introduzia na paróquia do futebol nacional um discurso bem composto, claro, bem articulado, explicativo, respeitoso e elegante, com efeitos contagiantes que felizmente se começam já a notar.  


Os mais resistentes a este discurso, invariavelmente os adeptos mais empedernidos dos rivais, daqueles que por princípio de vida recusam o que quer que seja de positivo nos adversários, desvalorizavam a novidade, e a inovação, apenas sustentadas no sucesso dos resultados. Quando os resultados deixassem de aparecer - coisa por que obviamente ansiavam -  iria esfumar-se e desaparecer no meio das agressões, insinuações e impropérios do carroceiro discurso oficial do futebol português.


O momento actual do Benfica não está a dar-lhes razão na medida em que Bruno Lage não cedeu ao discurso carroceiro, e era esse o ponto daquela perspectiva. Mas é inegável que Bruno Lage surge sem discurso para ciclos negativos, como o que está a atravessar. 


Nos tempos actuais a comunicação não é tudo. Mas sobra muito pouco. É quase tudo!


E a comunicação de Bruno Lage está a falhar quando mais falta lhe faz. Mesmo que com alguma dificuldade, acabamos por perceber que o planeamento possa falhar, que as opções possam não ser sempre as melhores em todos os momentos, que os jogadores percam mínimos de forma aceitáveis, ou que caiam em depressão. O que não se percebe, e se torna inaceitável, é um discurso sistematicamente auto-explicativo e negacionista, enrolado e sem convicção, que lança todas as dúvidas sobre a real capacidade de reacção à adversidade.


 


PS: Não se conclua deste texto que atribuo a Bruno Lage todas as responsabilidades pelo que se está a passar. Nada disso. Este texto apenas trata de discurso, de comunicação. De Bruno Lage.


 


 


 

7 comentários:

  1. Tanta teorias, tantas explicações, quando o futebol é simplesmente o resultado mais nada.
    Quando se ganha, o feitio do treinador é elogiado "é um senhor, é uma lufada de ar fresco, blá blá…" quando se perde o feitio do treinador já é criticado pelo mesmos que o elogiavam outrora "tem que falar menos, tanta teoria, é um sonso, nem é carne nem é peixe, blá blá…"
    Noutro clube quando se ganha, o feitio do treinador é elogiado "é raça, isto é mística, blá blá…" quando se perde o feitio do treinador já é criticado pelo mesmos que o elogiavam outrora "é um arruaceiro, desbocado, não sabe estar, é muito nervoso, blá blá…"
    E pronto não tenho mais nada para dizer!

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  2. Estes resultados moem-me, principalmente porque inexplicados.

    Mas se concordo que Lage não deve explicar-se tanto, também não acho que seja uma falha de comunicação - antes uma falha na avaliação do que se está a passar. Lage está apenas a falar como falou nos bons momentos, o problema é que para os bons encontrou explicação e dividiu-a com outros e para os maus ainda não encontrou mas assume-os todos.

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  3. E por que se exige aos profissionais de futebol, treinadores e até jogadores, que tenham aptidões filosóficas, se os filósofos nunca pretenderam armar-se em futebolistas?

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  4. Exige? Eu apenas lhes exijo que respeitem a Língua Portuguesa e se expressem com clareza. Não terá a ver com profissionalismo, mas com cidadania e autorização de residência :)

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  5. Não encontrar explicação é o grande problema. Sem perceber os acontecimentos não é possível invertê-los. E o seu discurso comprova isso tudo.

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  6. Por muitas voltas que se queira dar ao assunto, o único acontecimento que conta é: Marcam ou não mais golos que os adversários que se vão defrontando. Pouco importa até se são limpos, que são por definição, os que o "meu" clube marca.

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  7. Olha quem fala de arruaceiros/carroceiros,ou lá o que for!
    Não fale dos adversários. O seu clube está cheio deles, a começar por si. Ou julga que por ser bem falante, isso o excluí?
    Já para não falar do 'seu' presidente:arruaceiro, labrego, ignorante e mal-falante.

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