
As peripécias do Brexit, em cena há mais de três anos, mostram-nos exuberantemente as diversas faces do populismo, e a da irresponsabilidade em todo o seu esplendor.
À entrada para o fim-de-semana, e cansados de três anos de folhetins sem que a "estória" saia do mesmo sítio, acreditávamos que finalmente União Europeia e governo britânico, ou o que resta disso, tinham conseguido dar corpo a um acordo, e que Boris Johnson seria poupado a fazer-se de "morto numa vala". Estava tudo certo, e só era preciso que o Parlamento britânico, no sábado, aprovasse o acordo finalmente encontrado.
Não aconteceu assim, o Parlamento não se pronunciou sobre o acordo e, em vez disso, aprovou novo adiamento da data do Brexit para Janeiro, obrigando Boris Johnson a formalizar um novo pedido de adiamento, que tinha jurado nunca fazer: "antes morto numa vala". O que esta espécie de criança a brincar aos primeiros-ministros resolveu, numa brincadeira pouco elaborada para a idade, solicitando o adiamento numa carta não assinada, a que juntou outra, essa sim, assinada, a manifestar-se contra o pedido apresentado.
Aquela irresponsável - por impreparada - ideia que David Cameron levou ao Parlamento em 2015, e que conduziu ao referendo de Junho do ano seguinte, deu nisto. E isto não é apenas um impasse que já vai em mais de três anos. É isso, e as ruas cheias de gente contra o Brexit, mas com o miúdo em primeiro-ministro a subir as sondagens. É isso e o fim do próprio Reino Unido em passo acelerado...
Parece que o parlamento não quer o Brexit. A UE certamente não quer o Brexit. A Escócia não quer o Brexit, e o Ulster não quer o Brexit. Em 2016 o Brexit ganhou nas urnas por menos de 2%. Pareceria que um novo referendo arrumaria a questão, e acabava-se o Brexit. E no entanto há uma teimosia muito britânica que me leva a crer que, mesmo que o Remain vencesse, seria por uma margem igualmente escassa, o que não traria união acrescida ao Reino, pelo contrário. Um lindo impasse.
ResponderEliminarConseguir alienar os seus mais directos apoiantes e maiores entusiastas do 'Remain' não é para todos.
ResponderEliminarPenso que terá sido a sua maior façanha, mesmo tendo em conta o engano à Rainha e a suspensão do Parlamento e o puxar de tapete a May.
As peripécias do Costa, em cena há mais de quatro anos, mostram-nos exuberantemente as diversas faces do populismo, e a da irresponsabilidade em todo o seu esplendor.
ResponderEliminarAinda antes da entrada para o fim-de-semana, e cansados de três anos de folhetins sem que a "estória" saia do mesmo sítio, o Sporting escangalhou-se todo, ou o que restava dele, sem conseguir dar corpo à ideia de jogo dum treinador poupado e de baixo nível a fazer-se de "morto no banco da equipe técnica". Estava tudo certo, disse ele no fim, e só era preciso que os remates entrassem na baliza do adversário para que, finalmente, o Sporting fosse o vencedor encontrado.
Não aconteceu assim, o Presidente não se pronunciou sobre o jogo e, em vez disso, aprovou novo adiamento da data do seu próprio Brexit para data indeterminada, obrigando os energúmenos das claques a formalizar um novo pedido de afastamento, que tinham jurado fazer se o bruno do car#alho, como sucedeu, viesse a ser encontrado meio morto numa vala. O que esta espécie de quadrúpedes anda a fazer, é a brincar aos ministros, como a catrefada deles que o Costa vai nomear, numa brincadeira pouco elaborada para quem tem de sustentar essa cambada toda com os nossos impostos, pelo que temos de solicitar à Catarina que peça o adiamento da facada com a qual vai ser assassinada, a que se junta o Jerónimo, um verdadeiro cavaleiro da triste figura.
E aquela irresponsável da Cristas que, tudo indica, vai ficar fora do Parlamento, só vai arranjar ocupação a lavar as escadas da entrada e a espanar os assentos dos ex-colegas. Enfim, deu nisto. E isto não é apenas um impasse que já vai em mais de quatro anos. Se lhe somarmos o triste e pardacento Rui Rio, vêr-se-ão as ruas cheias de gente contra o tio Celito, mas com o miúdo, o meia-leca Marques Mendes, a comentar sondagens, podem ter a certeza de que o Reino Unido ainda vai fazer muita falta à Papua Nova Guiné e aos temas de escrita daquele locutor da RTP1 que escreve livros a metro.
Boris mostra o génio que é, ao não assinar uma carta obrigatória devido a uma lei ridícula, e ao assinar outra onde diz qual a real vontade do governo, que é neste momento o líder das intenções de voto.
ResponderEliminarE essas intenções mostram que a maioria dos Britânicos continuam hoje, como há 3 anos, a serem favoráveis ao Brexit. Foram 17,4 milhões então, e agora serão ainda mais.
E isto contra toda aquela minoria que anda na rua de Londres a mostrar o seu radicalismo Europeísta há 3 anos, a pedir repetição de votações até dar o resultado que querem, em desrespeito claro pela democracia. Mas foi a isso mesmo que a UE os habituou...
Isto para dizer que o fim do Reino Unido chegou só depois do fim do verdadeiro Europeísmo: da solidariedade entre Estados, da convergência económica, do Estado de bem-estar social, dos direitos laborais invejáveis para todo o Mundo.
Esse Europeísmo, bem vivo na Conumidade Económica, começou a ser envenenado em Maastrich em 1992, foi esfaqueado em 1999 com a Zona €uro, foi-lhe declarado o óbito na Crise da Zona €uro em 2010-2012, e está agora, com a "Ursa von der Liar" a ser eleita sem ter de ir a eleições, morto e enterrado.
Resta apenas o "EU-peísmo", que é o radicalismo que quem quer a UE, contra tudo e contra todos, mas não sabe bem porquê... Apenas que se habituou a defender essa ideia, mas ainda não ganhou noção para ver que foi a própria corrupção legalizada (aka lobby) em Bruxelas que a matou ao longo das últimas décadas.
O verdadeiro Europeísmo, aquela que une, que garante paz, Democracia, e bom nível de vida, essa regressará um dia, após a Zona €uro implodir, e após se fazer o MaatrichtExit.
Se calhar é apropriado dizer que abriram a caixa de Pandora.
ResponderEliminarO "rapaz" está sempre pronto para tudo e para o seu contrário. Ou quando pragmatismo e aldrabice são uma única e mesma coisa.
ResponderEliminarDás-me um autógrafo?
ResponderEliminarVá lá, não seja euroceptico...
ResponderEliminarObrigado, Sarin... Nem caibo em mim...Nunca ninguém me tinha pedido um autógrafo. É pá, é demais!
ResponderEliminarMas... eu já tinha pedido... :)
ResponderEliminarA sério, gostei do subtítulo - podias tê-lo usado :)
Mas um novo referendo é muito anti-democrático. Quantos referendos são necessários até se atingir o resultado que uma elite quer? Cá também se repetiu referendos como o do aborto que, a meu ver nunca se devia ter repetido, pois assim o primeiro referendo não fez qualquer sentido e assim também não deu sentido ao segundo referendo. Para o referendo do Brexit acontece o mesmo. Um segundo referendo do Brexit ilegítima todos os referendos feitos. Em democracia só um referendo faz sentido a não ser que tenham passado décadas.
ResponderEliminarNão creio que haja um novo referendo sobre o Brexit, não tão cedo. E concordo consigo, a proliferação de referendos é de evitar, até porque nunca se fará um referendo sobre se queremos pagar mais ou menos impostos. Referendos como o da despenalização do aborto, pelo que trouxeram no pacote em termos de despesas públicas e muitas dúvidas sobre se seria o contraceptivo dos idiotas, deviam trazer automáticamente um contra-referendo, depois de se aquilatar dos efeitos - também era preciso sabê-los, já agora.
ResponderEliminarÉ demasiado simplista perguntar sim ou não a uma questão complexa - o Brexit é um excelente exemplo. Pior ainda quando ambos os lados pintam quadros irrealistas. Em princípio, em teoria, é para isso que elegemos políticos, para que tomem decisões complexas com a informação e ponderação devida, algo que o cidadão normal não pode fazer. Fazer referendos para os políticos sacudirem a água do capote é desleal.