quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Paradoxos e milagres

Benfica 2-1 Lyon: Pizzi (com ajuda de outro português) dá a primeira vitória aos encarnados


(EPA/RODRIGO ANTUNES)


 


Que sofrimento!


Foi com muito sofrimento, e alguma sorte, que o Benfica alcançou a primeira vitória nesta edição da Champions, e uma das raríssimas dos últimos anos nesta fantástica competição.


No meio da alegria desta vitória, a profunda tristeza da certeza certa do desaparecimento definitivo do Benfica alegre, confiante e competitivo de Bruno Lage. Nada esconde esta triste realidade!


Este jogo de hoje com o Lyon, provavelmente a equipa do grupo melhor apetrechada a nível de individualidades, foi um jogo de paradoxos. O primeiro é mesmo aquela alegria naquela tristeza. O segundo, mas mais notório ainda, foi que o Benfica acabou por ganhar, com sorte, um jogo cheio de azares.


 À sorte de marcar na primeira oportunidade, logo aos 4 minutos, por Rafa (Who else?) seguiu-se logo o azar da sua lesão, privando a equipa do seu mais desiquilibrador e talentoso jogador. E não se ficaram por aqui os azares do jogo porque, vítima de uma das muitas entradas violentas e cheias de maldade dos jogadores do Lyon, Seferovic cedo ficou inferiorizado e praticamente fora do jogo. E, sem que se percebesse bem por quê, Bruno Lage deixou-o em campo até à hora de jogo.


Ao azar do remate de Pizzi ao poste, quando o Benfica esboçou a reacção possível ao golo do empate do Lyon sucedeu, dois minutos depois, aos 86, a sorte do golo da vitória... Não. Essa é que não. Não foi sorte o golaço de Pizzi, foi um grande golo, de grande execução. A reposição da bola do Anthony Lopes foi um incidente de jogo, um erro como tantos outros. O que se seguiu foi um momento de grande concentração competitiva, de enorme visão de jogo e de finalização de excelência. Aqui, a sorte foi ter Pizzi naquele momento, como já tinha sido dois minutos antes. E o azar foi nunca ter tido Pizzi desde os vinte minutos de jogo quando, mais de cinco minutos depois da lesão, entrara a substituir o azarado Rafa, acabadinho de regressar.


Do resto, para além destes paradoxos de sorte e azar, fica mais um jogo muito fraquinho do Benfica, de novo com demasiados passes errados, a quebrarem  todas as hipóteses de qualquer dinâmica de jogo. 


Apesar de tudo a primeira parte nem foi verdadeiramente má. De mau apenas que o Benfica não tenha tido capacidade para tirar mais de um jogo que lhe estava de feição, ainda mais depois daquele golo madrugador. Haverá sempre a desculpa da lesão de Rafa que, evidentemente, cortou com tudo o que tivesse sido a planificação do jogo. A segunda parte foi pouco menos que péssima, e o Benfica só ganhou o jogo, pesem todas as incidências, porque o Lyon, como afinal todos quantos assistiam àquela pálida exibição, pensou que tinha tudo para o ganhar.


Não foi um milagre, esta primeira vitória. Mas não ficou muito longe disso. E  se não há milagres todos os dias, também os sucedâneos são esporádicos. Por grande que seja a fé!

3 comentários:

  1. Depois do Benfica e com a expetativa de ver um jogo de futebol a sério esperei pelo Flamengo - Grémio e não me arrependi. Espero que todos aqueles que torcem o nariz a um possível regresso de Jesus ao Benfica também tenham visto.

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  2. Quem viu esta equipa na 2º volta da época passada e vê agora.Que difreneça, falta intensidade ofensiva, rapidez, pressão alta, alegria, basicamente pouco sobre do ano passado.

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  3. Sobra mesmo muito pouco, se é que sobra alguma coisa...

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