terça-feira, 26 de novembro de 2019

A pobreza e os números

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A erradicação da pobreza é o mais saudável objectivo de qualquer projecto de governação. Há dois instrumentos políticos para o perseguir: a política de rendimentos e  as políticas sociais. E duas receitas, ou três, considerando a combinação das duas: redistribuir melhor o rendimento, aumentando o dos extractos mais baixos à custa do dos mais altos,  e subsidiar, através de apoios sociais, os que, pelas razões mais diversas, não tendo outras fontes de rendimento, não tenham acesso ao trabalho.


Há sempre forma de mitigar esse objectivo. Substituem-se os instrumentos políticos por instrumentos de linguagem e chega-se lá perto. Pega-se na definição de pobreza e dá-se-lhe as voltas que forem precisas até acabar com ela.


O valor de 501 euros mensais, este ano fixado em Portugal para que os pobres deixassem de ser pobres, é uma forma de fazer isso. E de, ainda assim, chegar aos 17,2% da população em risco de pobreza, menos uma décima percentual que os 17,3% do ano passado.


 


 

7 comentários:

  1. A notícia, que é de ontem, pelo menos, parece ter números mal obtidos.
    Diz-se que temos 10 milhões de habitantes.
    Dizia a notícia que há 2,2 milhões de pobres.
    há aqui um erro qualquer.
    Se há 2,2 milhões de pobres, a percentagem é de 22% e não de 17,2%.
    Por isso é que o Presidente já veio dizer que a pobreza em Portugal é um problema sério, como quem diz, aumenta e não diminui.
    O governo xuxa vai-nos tramar outra vez.
    É só fachada, é só publicidade enganosa, não há dinheiro para nada, mas prometem o paraíso.

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  2. Estes são os tristes números do país real. Mas é importante que se diga que eles são conhecidos porque foram divulgados. Se não fossem divulgados, seríamos iludidos pois para nós nada disto existia.

    Se não quiserem dar voz aos mais fracos, eles não têm forma de se fazerem ouvir. Até porque muitos estão preocupados com o ambiente e os animais mas não com as pessoas. Estão preocupados com eventuais problemas futuros, mas não com os problemas actuais.

    Assim é importante que a comunicação social nos mostre o país real e não o país que lhes interessa mostrar ou que não consigam esconder/censurar. Mas estranhamente ao mesmo tempo que fala nestes números, parece que isto não o preocupa!

    Já agora como se fala muito no que acontece noutros países:
    https://ionline.sapo.pt/artigo/677222/-problemas-globais
    Onde diz:
    "(...) existem problemas suficientes em Portugal a requerer a nossa atenção (...)"
    Como sabe, eu penso o mesmo.

    Mas se eu estiver errado, diga.

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  3. Gosto muito de ginástica na trave e nas paralelas. Exige muita flexibilidade.
    Pelo mesmo motivo, não gosto muito de estatística. Porque os números são rigorosos, nada de confusões! As premissas é que são elásticas, elásticas, elásticas...


    Nota: não repeti palavras. foi o eco.

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  4. Tens razão. O eco também é elástico. E manipulável, desde que se respeitem as distâncias...

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  5. Eu esperava que não tivesse problemas em falar em determinados assuntos, mas o seu silêncio também diz muito.

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  6. Não consigo perceber - limitação minha, certamente - quais são os "determinados assuntos" em que tenho problemas em falar. O "meu silêncio", entendendo o caro leitor que é silêncio meu não ter reagido ao seu comentário, deve-se apenas a não ter visto no seu comentário qualquer razão para o fazer. É certo que poderia ter reagido à sua conclusão que " estranhamente ao mesmo tempo que fala nestes números, parece que isto não o preocupa". Mas, para isso, era necessário que, no meu entendimento, essa sua coclusão tivesse alguma base factual. Como não tinha, e achei gratuita, não me mereceu qualquer comentário. Como a opinião que "linkou" também não estava relacionada com o que eu escrevera, também aí não encontrei motivo para qualquer intervenção da minha parte. Pode sempre tirar as concusões que entender sobre o que entender, não serei eu nunca a limitar-lhe esse direito. Não pode é obrigar-me a comentá-las, e muito menos inferir o que quer que seja a meu respeito por não o fazer.

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  7. Eu comentei porque há certas coisas que me fazem confusão.

    Eu expliquei bem, quem dá valor a certas noticias que saem na comunicação social, também tem de se preocupar com as que poderão não sair, pois esta que saiu poderia não ter saído. E ao contrário de muitas que saem, esta se não saísse fazia diferença. E como saberá, neste meio reina a opacidade.

    Eu sei que o link não está relacionado com este post, mas está por exemplo com o post "O tolo" ou "Pedimos desculpa por esta interrupção. A democracia segue dentro de momentos!"

    Você é livre de escrever sobre o que entender. Mas eu concordo com o autor que diz:
    "(...) existem problemas suficientes em Portugal a requerer a nossa atenção (...)".
    Cá por exemplo a informação de qualidade "segue dentro de momentos!"

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