quarta-feira, 18 de março de 2020

Decisões

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Hoje é dia de ficarmos a saber se, como é vontade do Presidente Marcelo, entramos em "estado de emergência", ou se, como é desejo do primeiro-ministro Costa, não vamos tão longe. Se se fecha já o país, ou se se vai fechando aos poucos. 


As opiniões dividem-se, como se vê logo por estes dois principais órgãos de soberania. Dividem-se entre os que apreciam mais uma sociedade comandada por um Estado mais musculado, e os que privilegiam uma sociedade comandada pelos valores dos direitos e liberdades individuais mas, acima de tudo, dividem-se entre os que, num momento destes, entendem que toda a prioridade tem que ser dada, em absoluto, ao combate à pandemia, e os que entendem que, dessa forma, se poderá estar a deitar fora o bebé com a água. Ou a matar com a cura.


Tudo depende agora da capacidade do Conselho de Estado para persuadir o Presidente a mudar de opinião, porque já se percebeu que nem o governo, mesmo que em discordância, nem a Assembleia da República, irão contrariar a decisão presidencial.


Entretanto começam a chegar boas notícias. E não me refiro às que anunciam a vacina que todos já conseguiram descobrir, até porque surpresa seria se quando alguém anunciasse resultados não viessem todos os outros dizer que também já lá chegaram. Refiro-me à abertura, pela primeira vez, da Alemanha, de Angela Merkel, às famosas eurobonds (obrigações europeias). É que se a União Europeia não conseguir responder a esta crise com emissão de dívida conjunta, muito provavelmente desaparecerá de vez.


E refiro-me ao pacote de 3 mil milhões de euros de financiamento à economia, e de mais um conjunto de importantes medidas fiscais, num total de 9,2 mil milhões de euros, que o governo, através dos ministros da economia e das finanças, acabou de anunciar. Não faço ideia se é suficiente. À luz dos 200 mil milhões de que o governo espanhol lançou mão parece até ridículo. Mas é uma resposta pronta, e isso é quase sempre o mais importante!


 

3 comentários:

  1. Decide Costa que estás a agradar, enquanto Marcelo progride do tempo anatómico para a era digital.
    Deixou as luvas brancas e apito do sinaleiro antigo, para plantado numa estaca, passar a semáforo verde tinto alimentado a petróleo.

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  2. Deve ter sido por algum motivo que a Constituição permite o estado de emergência. E pelos vistos até mesmo um mais drástico, o estado de sítio. De facto ou na práctica, o estado de emergência virá, se não hoje, daqui a uma semana. Como os números insistem em dar razão ao Sr. Buescu, lá para o final do mês, com para cima de dez mil infectados confirmados, estaremos a discutir o estado de sítio.
    Diz-se que o maior incêndio tem uma fase em que pode ser apagado com um copo de água. Por aqui ainda se andam a regar as flores enquanto vai ardendo.
    Há quem torça o nariz a medidas drásticas. Arriscam é a possibilidade de o povo assustado se virar para quem lhas prometa. Aí sim, vai o bebé e tudo.

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  3. A Constituição permite o estado de emergência, é um facto. Não é uma opinião. A oportunidade e a eficácia da utilização desse recurso, permitido pela Constituição, é matéria de opinião. E as opiniões dividem-se, seja pelas razões que apresentei, seja por outras. A sua, que já conhecíamos, voltou a ficar bem patente..

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