sexta-feira, 31 de julho de 2020

Perplexidades*

Orientações Ministeriais e Perplexidades …


 


 


Uma investigação do jornal “Público” revelou, no início desta semana, mais uma perplexidade do negócio da venda – melhor será chamar-lhe entrega - do Novo Banco a um fundo americano, a Lonestar.


Revelava-nos essa investigação jornalística que o Novo Banco tinha vendido uma carteira imobiliária por 364 milhões de euros, praticamente metade do valor com que figurava no seu Balanço, com os consequentes prejuízos de umas centenas de milhões de euros, sobre os quais vem, depois, exigir o reembolso com que o Estado se comprometeu no contrato de venda que continua escondido, num total de 3,9 mil milhões de euros.


E revelava que essa venda tinha sido efectuada a umas sociedades, todas com a mesma sede, no Campo Pequeno, em Lisboa, detidas por uma sociedade luxemburguesa, por sua vez detida por um fundo escondido numa offshore nas Ilhas Caimão. A quem o Novo Banco emprestou o dinheiro para a compra.


A perplexidade não pode ser maior: o Novo Banco perde dinheiro, muito dinheiro, numa altura de pico imobiliário, em que toda a gente ganhava muito. A operação envolve uma teia de compradores, acabando numa inevitável offshore associada, mas evidentemente sem possibilidade de prova, à própria Lonestar. Que, por último, pede emprestado ao banco o dinheiro com que lhe vai pagar.


Como sempre, nada de ilegal. Tudo está de acordo com a lei. E mais, como veio o Novo Banco explicar em comunicado, de acordo com “as boas práticas do mercado”.


E aqui nasce a perplexidade final: esta gente do Novo Banco, com o seu presidente à cabeça, continua a achar-se coberta pela impunidade. Ainda não percebeu que o banco nasceu do BES, e do maior escândalo financeiro da História de Portugal. E que todas estas habilidades “legais” e correntes no mercado já não são politica e socialmente toleráveis.


A classe política, e em particular o primeiro-ministro, já percebeu isso muito bem. É por isso, e só por isso, que a coisa foi parar ao Ministério Público…    


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

15 comentários:

  1. Que maravilhoso é o nosso Primeiro-Ministro! Entregou à Lone Star um banco que ninguém queria, para esta o gerir duma maneira que o Estado não poderia fazer sem prejuízo de ver os eleitores culpabilizarem e penalizarem o governo. Nacionalizado, levaria uma dezena de anos a limpar os balanços, sem bode expiatório a quem atirar com as culpas. Ou, em alternativa, com milhares de milhões a voar directamente do OE e a estragar as contas do Ronaldo das finanças. Assim é muito mais fácil: A Lone Star faz o trabalhinho sujo e o governo fecha os olhos às trafulhices. O azar é que, mais cedo ou mais tarde, tudo se descobre, e o habilidoso e seus muchachos, muito lamuriosos, aparecem na fotografia como virgens ofendidas. Ou será que o inteligente blogueiro acha que o presidente do NB é um novo Ricardo Salgado? O NB é o velho BES, mas o seu presidente não. Mas o PS sim, é sempre o mesmo e velho PS protegido pela CS.

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  2. Eu gostaria, antes de mais, de saber porque razão o contrato de venda do Banco à Lone Star não é público. Isso não faz sentido num estado de direito democrático.
    E já agora, quem fez a triagem entre o que eram activos bons e maus do BES também devia chegar à frente e justificar o critério.
    A Lone Star alega que os activos não estão a ser vendidos abaixo do preço justo, mas sim que o preço que constava no balanço estava inflacionado. Quem tem razão?

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  3. António José Sousa Fonseca1 de agosto de 2020 às 07:02

    Tretas do autor do post que esconde os reais protagonistas desta história: António Costa e Mário Centeno.
    O rewsto é areia atirada para os olhos dos portugueses.

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  4. Diferenças, Público VS. Privatizado:

    - Público, o Novo Banco (NB) seria gerido para conceder empréstimos aos portugueses;
    - Privado, empresta dinheiro a fundos obscuros em off-shore.

    - Público, as imparidades seriam só as reais, sem ser preciso usar todo o Fundo de Resolução;
    - Privado, vão inventar imparidades até em casas durante o pico do mercado imobiliário, vendendo-as com prejuízo, de propósito para chupar o Fundo de Resolução todo.

    - Público, a administração seria como a de Paulo Macedo, com salários na média do sector e só com prémios em ano de lucro;
    - Privado, a administração tem prémios acima das práticas Europeias, mesmo tendo prejuízos record.

    - Público, todo o lucro que tiver, é para o Estado, para compensar o dinheiro que os contribuintes lá colocam;
    - Privado, todo o lucro é do privado, que foge aos impostos via off-shore, e distribui em dividendos mesmo em plena pandemia.

    - Público, a carteira de activos poderia servir de base para uma política pública de habitação, que deitaria abaixo toda a especulação no mercado imobiliário;
    - Privado, as tais 13 mil casas foram vendidas a um fundo especulador, que as manterá vazias, enquanto os portugueses são expulsos ou vêm as rendas (das casas que permanecem no mercado manipulado) a subir;

    - Público, o 1º-Ministro teria de responder no Parlamento e o Min.Finanças seria responsabilizado pelo que corresse menos bem;
    - Privado, o 1º-Ministro escuda-se atrás dos privados (até faz de conta que se indigna e manda a coisa para a Justiça), e o Min.Finanças aproveita para ir "regular" a m*rda que fez.

    - Público, o contrato é visível para todos, com todo o escrutínio, de forma democrática;
    - Privado, o contrato é secreto, e é preciso um jornalista investigar para sabermos, parcialmente, a escandaleira de lesa-pátria que lá está escrita.

    E são estas as diferenças. Ah, e não se esqueçam de outra coisa: quem defendem esta privatização em 2017 auto-denomina-se "responsável", "moderado" e "europeísta". Enquanto que os que defenderam que o NB não devia ser entregue aos abutres da Lone Star são acusados de "irresponsáveis", "extremistas" e "populistas" desde 2017...

    O que eu sei é que votei nas pessoas certas para defenderam os meus interesses, ou seja, nem votei neste governo PS, nem em qualquer partido da Direita. É que de extremismo-capitalista, negociatas, e fanatismo europeísta, estou eu farto até à ponta dos cabelos!!!

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  5. António José Sousa Fonseca1 de agosto de 2020 às 09:19

    - Público, o Novo Banco (NB) seria gerido para conceder empréstimos aos portugueses;
    Sem rir, acredita mesmo nisto?

    - Público, a administração seria como a de Paulo Macedo, com salários na média do sector e só com prémios em ano de lucro;
    WTF is Paulo Macedo? Paulo Macedo foi chamado para por um pouco de ordem na bandalheira. Depois de sair volta a bandalheira.

    - Público, todo o lucro que tiver, é para o Estado, para compensar o dinheiro que os contribuintes lá colocam;
    Serve para camuflar o défice. O dinheiro que o estado lá põe finje que é investimento, não conta para o défice. E o dinheiro que recebe conta para abater ao défice. Vulgo contas maquilhadas.

    - Público, a carteira de activos poderia servir de base para uma política pública de habitação, que deitaria abaixo toda a especulação no mercado imobiliário;
    Consegue dizer isso sem rir? Prognósticop reservado!


    - Público, o 1º-Ministro teria de responder no Parlamento e o Min.Finanças seria responsabilizado pelo que corresse menos bem;
    Acredita em histórias da carochinha? Só pode.

    - Público, o contrato é visível para todos, com todo o escrutínio, de forma democrática;
    Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há! Há!

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  6. António José Sousa Fonseca1 de agosto de 2020 às 09:22

    E já agora, quem fez a triagem entre o que eram activos bons e maus do BES também devia chegar à frente e justificar o critério.

    O critério foi proteger alguns nomes de estimação do regime.

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  7. Não pode ser público pela mesma razão que se você for pedir um empréstimo a um banco, deverá pedir simulações em todos os outros... senão bastava pedir a simulação num e escolher qualquer um, pois tudo seria igual. Há muita coisa no negócio da banca que não pode ser público, tal como em biliões de biliões de empresas privadas e públicas de todo o mundo. 99,93% dos funcionários de qualquer empresa privada não conhecem 0,01% do sistema que é a empresa que os emprega.

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  8. Devia era perguntar porque é que o outro comprador, que fez proposta de compra, queria 68% de desconto e o empresário (um conhecido patrocinador do PSD do Porto) deixou um calote de 160 milhões no BES, que passou para o NB e foi dado como perdido, em Abril de 2015...
    Quando uma empresa coloca à venda um lote de imobiliário, é preciso existirem propostas. Se um empresário que deu calote ao banco, oferece 197 milhões, o outro ofertante coloca 361 milhões, algo está errado...

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  9. Até podia concordar nessa dicotomia público vs privado, mas a TAP, CGD, CP, Carris, RTP, e em geral tudo onde o Estado tem a mão são sorvedouros de dinheiro sem fim. Por outro lado os grandes buracos “privados” também tiveram lá a mão dos políticos de serviço. As contas “públicas” da CGD, por exemplo, são desconhecidas, já as duma SONAE são conhecidas. O seu argumento talvez resulte na Suíça ou na Noruega, cá, infelizmente, está errado de princípios.

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  10. ok, o mal foi feito, o que nasce torto, bla bla bla .

    Estou a dizer que continuamos a reagir aos foguetes, a apanhar as canas.

    Para, tambem eu, nao embarcar em pormenores, volto ao "inicio" : a UE é que congeminou este negocio do BES _novo banco, portanto TUDO, lucros os prejuizo seriam responsabilidade da EU. Ponto.

    Alias, mesmo com o tal contrato escondido, sabemos que a Lonestar nao é a unica e absoluta dona do banco.

    Quanto aos bancos emprestarem para serem comprados, parece-nos bizarro, a nos povo, mas é pratica corrente, de sempre.

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  11. Isto de bancos privados, por mim iriam à falência como qualquer impressa. Veja-se o caso da Islândia, o Governo Islandês, questionou o seu povo se deveria pagar as dividas da banca ou não. O povo manifestou-se pelo não pagamento, e assim foi, os agiotas ficaram a arder (fundos de investimentos Ingleses - desculpas se estou a ser impreciso). Recentemente o povo Islandês foi às Urnas resultado, votação próxima dos noventa porcento no seu Governo. Em Portugal e em muitos países amedronta-se o seu povo, para que os representantes eleitos brinquem com o que é de todos, e façam joguinhos de casino com os amigos. Infelizmente é o povo que lhes dá todo avale, com medo da mudança. Só mais uma, eu ainda pensei que o COVID, viesse criar alguma mudança, mas já me resignei, e mais ainda não são os falsos profetas, que irão produzir alguma mudança, é que o Dinheiro é o Deus atual e todo o povo (letra pequena) se resigna perante Deus..

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  12. Não diz aqui nada de novo em relação ao que já se sabia.

    Em relação a: "E que todas estas habilidades “legais” e correntes no mercado já não são politica e socialmente toleráveis".
    Não é bem assim, sabemos que alguns só vêem o que lhes interessa ver, os interesses acima dos princípios. Há assuntos que interessa falar e outros que interessa esconder. Parece que neste país só ficam indignados quando se fala em dinheiro, ambiente, animais e certas palavras, o resto (que por vezes é abafado) é socialmente tolerável. Também não se pode ficar indignado com o que é abafado! Sabemos que além de outras coisas, o povo gosta de dinheiro, como também outro comentário aqui diz.

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  13. Desconfio que não percebeu patavina do que está escrito. Mas olhe que disso não tenho culpa!

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  14. António José Sousa Fonseca2 de agosto de 2020 às 11:49

    Fica a duvida sobre quem não percebe o quê.

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  15. Os códigos de IMT e das Mais-valias estão preparados para acomodar legalmente este tipo de corrupção. Todos os dias se fazem trafulhices destas que não chegam ao conhecimento público porque não têm dimensão nem interesse mediático. Trafulhices legais...

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