
Ao terceiro dia, a primeira má notícia para a selecção nacional, com o afastamento de João Cancelo, o menos dispensável dos jogadores da equipa, testado positivo à Covid. Vá lá perceber-se como é que jogadores de altíssima competição, em total isolamento do exterior, rodeados de todas as condições e cuidados, e vacinados, podem ser infectados … Não consigo perceber. Menos ainda quando a FPF não tem nada para esclarecer…
Vai-se notar muito a sua falta. Pela sua grande qualidade, pela intensidade que coloca no jogo, pelos desequilíbrios que provoca nos movimentos ofensivos, pela versatilidade e pelo seu actual momento de forma, como se viu no jogo com a selecção israelita, na última quarta-feira.
E mais três jogos, os dois da primeira jornada do grupo C, e ainda o primeiro do grupo D. Que foi até o que abriu o dia, em Wembley, colocando frente a frente as duas melhores selecções do grupo - Inglaterra e Croácia.
Os ingleses confirmaram as credenciais de sua candidatura ao título, que nunca atingiram. Dispõem de um excelente naipe de jogadores, e jogam em casa. Jogam e jogarão, se avançarem na competição. Os croatas confirmaram a sua história - bons jogadores, que jogam bem, mas nem sempre muito competitivos. No fim, ganharam os ingleses, graças a um golo de Sterling. E ganharam bem!
O jogo inicial do grupo C foi o segundo da tarde, e juntava em Bucareste as duas equipas menos credenciadas do grupo - a Àustria, de Alaba, e a estreante Macedónia do Norte, de Pandev, a menos credenciada em competição. Foi, até então, o jogo com mais golos - quatro. Três para os austríacos e um para ... Pandev, um rapaz da mocidade de Cristiano Ronaldo.
Ganhou bem a Áustria, mas não foi mais que sofrível o seu jogo. O terceiro golo, com que arrumou com o resultado, surgiu já no fim do jogo, quando a equipa apenas se preocupava em queimar tempo. De resto na sequência de um lançamento lateral que demoraram uma eternidade a efectuar, e que acabou num erro de um defesa macedónio que Arnautovic (curioso como não há um nome "ic" numa selecção da antiga Jugoslávia, enquanto há pelo menos dois na austríaca), aproveitou. O treinador é Foda. O resultado, não.
E fica na História, não pelo nome, mas como o treinador da primeira vitória da selecção numa fase final do europeu.
Para o fim do dia ficou o melhor jogo da competição até ao momento. Em Amsterdão, no Johan Cruyft Arena, a Holanda - os Países Baixos, como agora querem que se chame -, a jogar em casa, ganhou (3-2) à Ucrânia, a selecção que, na fase de apuramento se superiorizara à portuguesa, empurrando-a para este grupo em que acabou por cair, donde não será fácil sair viva.
Depois de uma boa primeira parte, bem jogada mas sem golos, muito por culpa do guarda-redes ucraniano, Bushchan, com intervenções de grande nível, a segunda parte trouxe todos os cinco golos. Rapidamente a Holanda chegou a 2-0, com toda a naturalidade. Parecia ter o jogo na mão, só que, mais rapidamente ainda, em quatro minutos, entre os 75 e os 79, a Ucrânia empatou o jogo. O primeiro golo, de Yarmolenko, até deveria ter valido por dois. Espectacular!
Quando parecia que a equipa de leste estava capaz de controlar o jogo, e segurar o empate, o herói da primeira parte, o guarda-redes Bushchan, que já não estivera isento de culpas no primeiro golo laranja, com despropositado excesso de confiança, que se chama displicência, ofereceu a bola a um adversário, que a cruzou para Dumfries, de cabeça, fazer o golo da merecida vitória, já perto do minuto 90.
Os ucranianos confirmaram o que tinham feito na fase de apuramento, mas não mais que isso. Mesmo que isso pareça suficiente para a qualificação para os oitavos de final. Os adversários que lhe caíram em sorte neste grupo tornam-no obrigatório. E a selecção holandesa, mesmo longe da velha laranja mecânica, pode bem ter lugar numa segunda linha de candidatos.
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