
Para a segunda e última etapa dos Alpes, a nona deste Tour, entre Cluses e Tignes, de 144.9 Km, já alinharam Roglic e Van der Poel, um dos grandes candidatos, e o que até ontem tinha liderado a classificação, e emprestado as costas à camisola amarela, respectivamente. Por razões diferentes - o esloveno, massacrado pelas quedas e pelo sofrimento, numa posição indigna da sua categoria, e com os jogos olímpicos para disputar; e o franco-holandês porque se tinha estreado no Tour para homenagear o seu avô, Raymond Poulidor, falecido no ano passado e, depois do que fez, quis deixar ao avô as melhores imagens que tinha para lhe deixar.
Foi uma etapa dura, das mais duras deste Tour, sempre a subir, cheia de montanhas de segunda, primeira e até categoria especial. Para colombianos, dir-se-ia.
Foi quase assim. E apareceram Quintana e Higuita. Foram para a frente, à frente dos muitos grupos e grupinhos, e muito à frente do grupo de Pgacar, que chegou até a ter virtualmente perdido a amarelo.
Na penúltima montanha Quintana passou na frente, seguido de Higuita, e reforçou a liderança do prémio da montanha. Na descida para a abordagem à meta, em mais uma subida de 21 Km, aceleraram ambos como nunca se tinha visto, numa estrada molhada, de um dia de chuva e frio. Mas logo no início da subida juntou-se-lhes o australiano O`Connor, e pouco depois Quintana colapsou. E depois Higuita. Quintana ainda pareceu recuperar e voltou a alcançar e ultrapassar o seu compatriota, mas foi sol de pouca dura. Ambos acabaram por desaparecer, enquanto o australiano mantinha um ritmo impressionante, que lhe permitia manter a distância para o grupo de Pagacar sempre na casa dos 7 minutos.
Até que o jovem esloveno decidiu atacar, como ontem. Foi-se embora, deixou toda a gente pregada, e foi passando um a um quase todos os muitos que o separavam da frente. Como ontem fizera, de resto. Chegou em sexto lugar á meta, e afundou ainda mais toda a concorrência. O`Connor já lá tinha chegado há 6 minutos, e subiu ao segundo lugar da geral. Mas sem que represente qualquer tipo de ameaça para Tadej Pogacar.
Dos portugueses há a salientar a boa etpa de Rúben Guerreiro, que andou sempre nos grupos da frente, mesmo que sempre sem dar muitos nas vistas. Primeiro tinha a desculpa de na frente estar o seu colega Higuita. Com o desfalecimento deste, sem outra desculpa que não seja não ter podido dar mais. Rui Costa lá continua a fazer o seu papel de ajudante na equipa de Pogacar. Não tem outro, e dificilmente terá oportunidade para outra coisa.
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