domingo, 5 de setembro de 2021

Há 10 anos

O retrovisor da vida: olhando para trás e vendo coisas boas


O governo anuncia que vai anunciar cortes na despesa e, invariavelmente, anuncia novos aumentos de impostos e que os cortes na despesa serão anunciados lá mais para a frente. Em três meses estes episódios repetiram-se… três vezes!


Os aumentos de impostos têm, invariavelmente, os mesmos alvos. Os mesmos rendimentos e os mesmos cidadãos de sempre. A terceira vez aconteceu precisamente na última quarta-feira, último dia de um Agosto terrível. Foi, de novo, o ministro das finanças a comunicar-nos a desdita. No mesmo tom, da mesma maneira, com as mesmas palavras e como se não tivesse nada a ver com aquilo, Vítor Gaspar repetia, pela terceira vez, tudo aquilo que aqueles em que votamos há apenas três meses nos tinham dito que nunca aconteceria!


Vítor Gaspar não nos prometeu nada. Nem nós votamos nele, mas isso não lhe dá nenhum direito, muito menos o de pôr aquele ar de quem não tem nada a ver com aquilo. Nós votamos em Pedro Passos Coelho e em Paulo Portas. E foram eles que prometeram cortar a despesa gorda. Por isso não podem, mandando para lá o pobre do ministro sozinho e partindo eles para parte incerta, pura e simplesmente fazer como se nada tenham também a ver com isso. Pura e simplesmente não podem!


Depois de famigerada apresentação do Vítor Gaspar - dois dias depois e provavelmente em consequência de algumas reacções – eram apresentados alguns traços da redução da despesa: os cortes na Saúde e, pasme-se, os cortes nas deduções fiscais, como se isso fosse corte de despesa e não mais impostos, mais receita. Quando efectivamente corta na despesa o governo atinge os mesmos que suportam o aumento da receita!


Com Passos e Portas calados. Como se Passos Coelho não tivesse feito, precisamente das deduções fiscais das despesas de saúde e de educação, a sua bandeira no braço de ferro com Sócrates para a aprovação do Orçamento em vigor, o tal da fotografia no telemóvel de Eduardo Catroga, lembram-se?


Há um sério problema de credibilidade que começa a minar este governo. E começam a ouvir-se vozes de dentro do PSD: Marques Mendes, Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa e até Vasco Graça Moura. O mote é precisamente esse: credibilidade. E já há notícias de que as coisas não vão pelo melhor no interior da coligação…


Talvez por isso Passos Coelho desafie “qualquer um a dizer que tem uma solução diferente para o défice". Desafio que deixa perceber que o anúncio do princípio do fim da crise já para 2012 não passa de um número de entretenimento. Só que isto não está para brincadeiras e ainda nos lembramos da última vez em que ouvimos qualquer coisa semelhante

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