Quando anteontem comprei os jornais e vi a capa falsa a remeter para uma campanha que vinha sendo anunciada - com o qb de suspense - nem queria acreditar: “Está no PAP”, com três humoristas engravatados com ar de banqueiros. Era a Caixa Geral de Depósitos - o banco público – a vender um produto financeiro de poupança e era a primeira imagem de uma campanha que vira anunciada com uns trocadilhos que remetiam para uma troika qualquer.
Nunca imaginei que, numa altura destas, pudesse ser o que realmente é. A falsa capa de jornal já deixava perceber o que aí viria e não legitimava grandes expectativas. O spot televisivo fez o resto: pior não podia ser! A campanha deixava de ser inoportuna para passar a ser ridícula!
Ridícula na ideia – numa altura destas, promover produtos financeiros com humoristas, é mesmo para rir – e ridícula no discurso. E de mau gosto! Há, nesta altura, coisas com que se não deve brincar! E o banco público teria de ser o primeiro a perceber isso. Lá porque o desgraçado do BCP tem o Mourinho a dizer que é o melhor treinador do mundo, e o BES o Cristiano Ronaldo a dizer que nunca hesita, a Caixa não teria que inventar uma campanha destas. Por decoro e ética, é certo, mas acima de tudo porque nem sequer precisa!
Numa altura em que se cortam salários para recapitalizar a banca não fica fácil de entender que os bancos – e agora nem sequer faz sentido distinguir entre público e privados, porque mexem com os nossos bolsos exactamente da mesma maneira – gastem dinheiro desta forma. É de mau gosto! Tão mau gosto quanto o da própria coisa…

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