sábado, 15 de janeiro de 2022

Em estado de emergência


 


Poderá sempre dizer-se que há jogos assim em todos os campeonatos. O Benfica teve pelo menos dez oportunidades claras de marcar, entre as quais duas bolas nos ferros, uma na barra e outra no poste. E marcou apenas um golo, por acaso numa jogada fortuita, e afortunada. Um golo até algo caricato. E sofreu outro, num auto-golo, na sequência de um lance ilegal, que ainda se está por perceber como o VAR validou.


O problema é que o Benfica já não tinha campeonato para jogos assim. E quando já não há campeonato para jogos assim, simplesmente não pode haver jogos assim!


Percebeu-se desde o início que este jogo com o Moreirense ia complicar-se. A equipa do Benfica entrou como teria entrado há algumas semanas, ou a alguns meses. Depois das indicações deixadas no último jogo, com o Paços, que apontavam para um futebol noutra direcção, e com outro rumo, a equipa voltou para trás. Na primeira metade da primeira parte não jogou nada. Absolutamente nada. Com um único remate, o de Rafa, à barra, ia o jogo já com 20 minutos. Nesse período o Moreirense, só a defender, fez quatro!


O futebol do Benfica resumiu-se a cruzamentos sem nexo. Sem qualquer critério e bombeados para a área contrária, com dois jogadores  do Benfica asfixiados por oito ou nove adversários, sempre de frente para a bola. Nunca chegou à linha de fundo, nunca rematou de fora da área, nunca conseguiu uma transição rápida. A bola nunca chegou aos pontas de lança - Seferovic e Darwin - e por isso nunca puderam fazer um remate, que fosse. À excepção de uma espécie de remate de cabeça de Seferovic, já perto do final da primeira parte.


Mesmo assim o Benfica acabou a primeira parte com quatro remates. Todos de golo. Todos que apenas por centímetros não acertaram na baliza, com o guarda-redes - que em todo o jogo fez apenas três defesas - batido. 


Pode até parecer que a segunda parte foi diferente. Mas não foi muito diferente. E não foi diferente a qualidade global da equipa. 


Já não houve tanto daqueles cruzamentos disparatados, em que Gilberto foi rei. Por uma ou outra vez a bola chegou à linha de fundo. A equipa rematou mais, mesmo que apenas quatro remates tenham sido enquadrados com a baliza. E criou mais seis ou sete ocasiões de golo. Mas veio ao de cima o que a equipa não tem. 


O Moreirense passou o jogo todo com 11 jogadores dentro da área. E entretido nas mais diversas práticas de anti-jogo, sempre com a complacência do árbitro - Rui Costa. Do Porto, como não pode deixar de ser com este Benfica. Ainda assim conseguiu arranjar tempo e forma de trocar a bola, e sair a jogar. E cada vez que passava do meio campo - o que acontecia para aí de 15 em 15 minutos - a defesa do Benfica deixava-nos à beira de um ataque cardíaco. Era uma aflição. Numa dessas aflições, um quarto de hora depois do recomeço, Gilberto marcou na própria baliza, em boa verdade a meias com Otamendi (a ilegalidade do lance não altera em nada a aflição). 


Ora isto só tem a ver com o que a equipa não teve hoje, nem tem há muito, sem o que se não ganham campeonatos. A equipa não pressiona o adversário. Às vezes imita essa pressão, mas não passa de uma imitação. Nunca consegue abafar o adversário. Não tem intensidade para isso. Não tem força mental para fazer isso. Não se sabe posicionar de forma a manietar o adversário, a impedir-lhe que troque a bola.e que surja com ela dominada em frente aos defesas.


Depois, vem a arbitragem. A de hoje, como a de praticamente sempre. E isso tem a ver com o estado a que chegou o Benfica. Acossado por todos os lados, perdeu a respeitabilidade. Nunca foi tão fácil faltar ao respeito ao Benfica!


Hoje a arbitragem voltou a ser parte activa do resultado. O golo do Morerirense - o auto-golo do desastrado Gilberto - tinha ser invalidado. Desde logo pelo árbitro assistente e, em última análise, pelo VAR. Há dois jogadores do Moreirense em claríssimo fora de jogo. Um deles disputou a bola com Otamendi, que despois a chuta contra Gilberto, antes de se encaminhar para a baliza. Há um lance, pelo menos esse, sobre o Grimaldo, em cima do intervalo, que teria de levar à exibição do cartão vermelho ao jogador do Moreirense. Permitiu todo o anti-jogo que os jogadores do Moreirense quiseram fazer, simulando lesões (depois de rebolarem e serem assistidos até piscavam o olho), assinalando faltas cada vez que se mandavam para o chão. Uma dessas vezes coube a Steven Vitória, na sua grande área, com a bola a seguir para Gonçalo Ramos, que a introduziu  na baliza. Rui Costa - o árbitro - apitou antes dela entrar, quando as regras mandam seguir o lance para, se acabar em golo, ser avaliado pelo VAR (sabemos que, da forma que as coisas estão, não daria em nada de diferente). E, no fim, com 10 substituições - em que as cinco dos jogadores de Sá Pinto tiveram todas prolongadas festas de despedida - e com outras tantas, ou mais, interrupções para o festival de simulações do Moreirense, compensou com 6 minutos.


Hoje, três dias depois, a entrevista do nosso Rui Costa morreu. Nada é possível construir em cima das ruínas que hoje sobram do Benfica. Sem jogadores, sem estrutura técnica e sem liderança não há projecto. Hoje, no Benfica, só há emergência. Também a conferência de imprensa de Nelson Veríssimo ajudou a confirmar isso mesmo. Na parte que lhe toca, que é pouca evidentemente. 

13 comentários:

  1. Tudo indica que até chegarmos à cidade teremos que atravessar o deserto...

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  2. Depois da última vitória, era só atirar foguetes outra vez. Ontem já recomeçaram os protestos. Haja paciência!

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  3. São só 15 dias de trabalho com novo treinador, novo modelo de jogo, e já com tantos pontos de atraso no campeonato.
    Não se pode pedir mais, pois isto é um jogo de "pré-época" com a agravante de ser feita a meio do campeonato e após uma crise de balneário.

    Pelo menos o Paulo Bernardo já vai tendo tempo, o Gonçalo Ramos é mais aposta, e a seguir pode ser que este treinador recupere jogadores como Ferro, Gedson, ou Florentino.
    E no final da época pode ser que faça pressão para recuperar Jota. Momento ideal também para fazer a mais que necessária limpeza. E para rezar que a recuperação do Lucas seja total.

    Portanto, a Nélson Veríssimo pode pedir-se pouco pois esta é a sua "meia-época zero, aos jogadores alguma coisa (pois são tão inocentes como culpados), mas à direcção deve exigir-se tudo, pois estão lá há mais de uma década, e pelos vistos seguram-se uns aos outros pelos piores motivos: agora assinas tu, agora carimbo eu, agora uma comissão para ti, agora um cartão para mim, e no final todos assinaram mas ninguém viu nada...

    Concluindo, concordo com o seu título, mas isto não é conjuntural, é estrutural, o caruncho está nas fundações da instituição. O Vieirismo está lá mais infiltrado do que humidade e fungos numa casa pobre e lúgubre de um qualquer dos mais de 4 milhões de pobres deste país. O país para quem o futebol é das poucas alegrias na vida. Um país condenado pelos que "ganham de goleada" em debates de eleições que provocaram só com sede de poder.
    É tudo da mesma estirpe (ou variante). Não é por acaso que uns estão em comissões de "honra" de outros. E o Eduardo Louro vai atrás deles todos, para ajoelhar e beijar o anel.

    Entretanto, o 3º anel fica vazio de alma, e cheio de lenços brancos. Só é pena essa exigência não existir também no jogo de bola em que uma equipa de camisa rosa e calção laranja, com meias azuis, nos lixa a todos. E quando há dúvidas, lá vem o VAR de Bruxelas para nos lixar ainda mais. Porque o que interessa a esse pessoal é ter o cartãozinho certo na carteira, e manipular percepções dos iludidos só para se manterem no poder. Assim está o Benfica e assim está Portugal, em Estado de Emergência estrutural, perante o qual a covid19 foi só uma brincadeira conjuntural quando comparada com o resto.

    Neste dia 30 é preciso mudança, assim como tinha sido essencial mudar em Outubro passado. Mas o povo português é assim, iludido, ingénuo, e ignorante. Antes era a política dos três "f", agora é a dos três "i". E para os portugueses de bem, só há uma solução para estes problemas: desistir. Desistir de ver a bola no campeonato da corrupção, e desistir de viver neste país de corruptos. Estão bem uns para os outros. Se os 4 milhões de pobres, sejam os que vivem na miséria, sejam os benfiquistas que neste momento estão pobres de espírito, não fazem nada por si nem pelas suas instituições, se não mudam, então mudam-se os portugueses de bem.

    Quanto a mim, é cortar o cartão de sócio do SLV (Só Libertinagem e Vieirismo, passe a redundância...), e preparar o passaporte para ir daqui para fora num avião, e só parar até chegar lá ao Norte, onde estão países com tal qualidade de vida, fora do €uro, e com tão pouca miséria, que poucos são os que dão atenção ao futebol. Mas quando a dão, não há nem verborreia do comentariado na TV, nem há esta permanente suspeita sobre arbitragem. São países melhores porque têm povos melhores. Dinamarca, Suécia, Noruega, Islândia? Não sei qual será o meu destino, mas sei que ficar na mesma, é solução só para a lesma.

    Adeus "socialistas" dos tachos para boys e girls, adeus "sociais-democratas" dos offshores e vistos gold, adeus vieiristas e adeus ex-vieiristas agora convertidos ao rui-costismo, ou será domingos-soares-oliveirismo? Não sei, nem me interessa. A minha paciência para a vossa estupidez esgotou-se. Adeus.

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  4. Se me fosse permitido, aconselharia a Noruega.
    Como diz é de facto no povo,ou seja na base que está a diferença.
    A base que suporta qualquer estrutura tem que ser boa para esta não ruir.
    Temos background diferentes,o que nos leva a aceitar ou até rejeitar o que esses povos,não fazem.
    Religião, ditadura, inquisição, deixaram muita nossa,diria nos nossos genes.
    Não se vislumbra mudança!
    Boa sorte.

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  5. Luis Manuel Ferreira Gomes16 de janeiro de 2022 às 10:39

    Eu já tenho 58 anos, não vou a tempo de fugir daqui para fora. Estou a procurar que os meus filhos o façam. Deste país não há nada a esperar, uma esperança eternamente adiada.

    Apenas uma nota: não são os povos a fazer a diferença (o nosso povo lá fora é estimado), são as Leis, o respeito e cumprimento das mesmas. Veja-se o caso recente do tenista sérvio na Austrália.

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  6. Francisco José Ribeiro Pimentel16 de janeiro de 2022 às 11:27

    "O Moreirense passou o jogo todo com 11 jogadores dentro da área. E entretido nas mais diversas práticas de anti-jogo, sempre com a complacência do árbitro - Rui Costa. Do Porto, como não pode deixar de ser com este Benfica.".

    Eu não sei se, tu que escreveste este artigo, és jornalista, benfiquista, ou um ista qualquer, isso não interessa! O sapo é que deveria tomar providências para não deixar entrar o veneno.

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  7. De acordo com tudo, nada correu bem, mas a sorte tambem se procura. No jogo e no trabalho semanal da equipa.
    Do N.Verissimo nao endendo as substituiçoes, para mim errou. Aos 50 m +/- com 0-0 tira avançado e poe médio ... para que? Depois mais para o fim , ai com 1-1, volta a por outro avançado .... qual a logica, ver se o Sa Pinto estava com atençao?
    Da arbitragem estou curioso em saber se em Portugal so o Sr Rui Costa é arbitro?
    Ele apitou 2 jogos na 17ª jornada! O Santa Clara, nos Açores, e 3 dias depois veio apitar outro jogo, que na altura aqui referi, aqui no continente.
    Agora jornada 18 leva o SLB com ele. .....
    Ja agora sabem se o mesmo arbitro pode apitar 2 jogos na mesma jornada ?
    Ou este Sr. anda a colecionar pontos que nao deve para a classificaçao? Colinho ...
    SLB4EVER

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  8. Não te vi dizer nada sobre a arbitragem no Santa Clara. Vens um bocadinho tarde.

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  9. Queixas da arbitragem?
    Mas que grande lata.

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  10. ...mas os benfiquistas são gente impoluta, e como são maioritários no País (no mínimo 6 milhões), Portugal é um País impoluto, certo? Se assim não for, será que a maioria dos benfiquista é da estirpe que o senhor rejeita, e da qual se quer ver longe?

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  11. Ainda bem que a culpa é do árbitro, senão tinham sido 5 ou 6 com os craques todos da formação. E o resto do país iria temer com a força do colosso!
    Já agora, não se esqueçam que ainda vão ter de levar com o Ajax. Quero ver quais vão ser os erros de arbitragem nessa eliminatória. Estou expectante!

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  12. O Eduardo Louro não vai atrás de ninguém, não ajoelha nem beija anéis. Apenas expressa aqui o que vê, da forma que o vê. Seja no futebol, na política, na economia, na cultura, na sociedade, whatever... E dá-lhe sempre a oportunidade de aqui comentar e deixar os seus pontos de vista. Assim é, e assim continuará a ser. Esteja o Carlos Marques onde estiver!

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  13. Não me conhece de lado nenhum, porque se conhecesse sabia qual é a minha profissão, que sou benfiquista, e que este é o meu blogue pessoal, com o devido registo de interesses. Por isso, respeito!

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