quarta-feira, 25 de maio de 2022

Armas como brinquedos ou ramos de flores

19 crianças e 2 adultos são mortos em novo massacre em escola no Texas


 


Ontem aconteceu mais um massacre na América. Neste ano já são mais de 200 tiroteios em massa. No ano passado foram 700!


Ontem foi numa escola - escolas, supermercados e centros comerciais são os locais preferidos para abates em massa - na cidade de Uvalde, no estado norte-americano do Texas. O número de mortes já vai em 21 - 19 crianças, dos primerios anos de escolaridade, e dois adultos - mas poderá ainda subir. Entre a dezenas de feridos, três correm o risco de ainda virem a morrer. O atirador era um miúdo de 18 anos, e foi morto pela polícia no local.


Joe Byden, a regressar de uma viagem ao Japão, questionou mais uma vez. "Porquê"?


Por que é que - perguntava ainda - tendo outros países problemas de saúde mental, disputas domésticas e pessoas perdidas, estes tiroteios em massa não acontecem com a frequência que acontecem nos Estados Unidos? 


E voltou a apontar a resposta para o ‘lobby’ das armas: “Onde, em nome de Deus, está a nossa espinha dorsal para ter coragem de lidar e enfrentar os lobistas?


Claro que é aí, no  ‘lobby’ das armas, que está a parte maior da resposta. Um ‘lobby’ que a política americana definitivamente não quer apoquentar, simplesmente porque é aí que os agentes políticos da maior democracia do mundo, mas também a mais imperfeita das maiores, encontram o financiamento para as suas campanhas.


É dessa imperfeição que se alimenta este poderosíssimo ‘lobby’. Mas também de uma cultura de armamento pessoal única em todo o mundo, proveniente dos primórdios da nação americana. Oferecem-se armas como prendas. Pais oferecem oferecem armas a filhos, crianças de sete, oito ou nove anos. Namorados oferecem armas a namoradas, ou vice-versa. 


Há duas semanas correu mundo a notícia da morte de Anna Moriah Wilson, uma ciclista de "gravel" de primeiríssimo plano, de 25 anos e altamente popular, encontrada morta depois de alvejada várias vezes no apartamento que ocupava, na véspera de uma competição, no mesmo Estado do Texas. As circunstâncias do crime foram agora reveladas: Mo, como era conhecida, tinha tido uma curta e passageira relação amorosa com um colega ciclista, Colin Strickland, que interrompera uma relação de três anos com a namorada, Kaitlin Marie Armstrong, uma instrutora de ioga de 34 anos, que depois veio a retomar. Nessa relação retomada ofereceu-lhe de prenda uma pistola de calibre de 9mm, justamente a arma com que Kaitlin se deslocou ao apartamento de Mo, para a assassinar depois de saber que ela e o namorado tinham jantado juntos. 


Lembro-me também de, há uns tempos - não sei precisar quanto - um pai ter oferecido uma arma a um filho de 9 anos, que logo lhe deu uso para matar a madrasta. 


Porquê?  - perguntava Joe Biden. É porque nos Estados Unidos se vendem armas como pipocas, se oferecem a crianças como brinquedos, e a namoradas como ramos de flores. 


 

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