
Ontem aconteceu mais um massacre na América. Neste ano já são mais de 200 tiroteios em massa. No ano passado foram 700!
Ontem foi numa escola - escolas, supermercados e centros comerciais são os locais preferidos para abates em massa - na cidade de Uvalde, no estado norte-americano do Texas. O número de mortes já vai em 21 - 19 crianças, dos primerios anos de escolaridade, e dois adultos - mas poderá ainda subir. Entre a dezenas de feridos, três correm o risco de ainda virem a morrer. O atirador era um miúdo de 18 anos, e foi morto pela polícia no local.
Joe Byden, a regressar de uma viagem ao Japão, questionou mais uma vez. "Porquê"?
Por que é que - perguntava ainda - tendo outros países problemas de saúde mental, disputas domésticas e pessoas perdidas, estes tiroteios em massa não acontecem com a frequência que acontecem nos Estados Unidos?
E voltou a apontar a resposta para o ‘lobby’ das armas: “Onde, em nome de Deus, está a nossa espinha dorsal para ter coragem de lidar e enfrentar os lobistas?
Claro que é aí, no ‘lobby’ das armas, que está a parte maior da resposta. Um ‘lobby’ que a política americana definitivamente não quer apoquentar, simplesmente porque é aí que os agentes políticos da maior democracia do mundo, mas também a mais imperfeita das maiores, encontram o financiamento para as suas campanhas.
É dessa imperfeição que se alimenta este poderosíssimo ‘lobby’. Mas também de uma cultura de armamento pessoal única em todo o mundo, proveniente dos primórdios da nação americana. Oferecem-se armas como prendas. Pais oferecem oferecem armas a filhos, crianças de sete, oito ou nove anos. Namorados oferecem armas a namoradas, ou vice-versa.
Há duas semanas correu mundo a notícia da morte de Anna Moriah Wilson, uma ciclista de "gravel" de primeiríssimo plano, de 25 anos e altamente popular, encontrada morta depois de alvejada várias vezes no apartamento que ocupava, na véspera de uma competição, no mesmo Estado do Texas. As circunstâncias do crime foram agora reveladas: Mo, como era conhecida, tinha tido uma curta e passageira relação amorosa com um colega ciclista, Colin Strickland, que interrompera uma relação de três anos com a namorada, Kaitlin Marie Armstrong, uma instrutora de ioga de 34 anos, que depois veio a retomar. Nessa relação retomada ofereceu-lhe de prenda uma pistola de calibre de 9mm, justamente a arma com que Kaitlin se deslocou ao apartamento de Mo, para a assassinar depois de saber que ela e o namorado tinham jantado juntos.
Lembro-me também de, há uns tempos - não sei precisar quanto - um pai ter oferecido uma arma a um filho de 9 anos, que logo lhe deu uso para matar a madrasta.
Porquê? - perguntava Joe Biden. É porque nos Estados Unidos se vendem armas como pipocas, se oferecem a crianças como brinquedos, e a namoradas como ramos de flores.
Sem comentários:
Enviar um comentário