terça-feira, 9 de agosto de 2022

Brilho nos golos


Poderia perceber-se que houvesse quem achasse que o Benfica cumpriu hoje na Dinamarca a sua obrigação de eliminar o Midtjylland nesta terceira pré-eliminatória da Champions, e até de ganhar este jogo de hoje, sem grande brilho. Uma visão geral do jogo poderia deixar essa ideia. Basta porém ver os golos - todos os três do Benfica - para encontrar neles o brilhantismo que pode ter parecido que o jogo, e a vitória, poderia não ter mostrado.


No primeiro, a meio da primeira parte, o passe de Gonçalo Ramos e a desmarcação de Enzo Fernandez para o golo, são momentos de brilho a grande intensidade. No segundo, aos 10 minutos da segunda parte, o cruzamento de João Mário e a cabeçada de Henrique Araújo para o golo, são igualmente dois momentos brilhantes. Bom ... e que dizer do fabuloso golo de Diogo Gonçalves, que surgiu pela primeira vez na equipa, onde entrou para substituir Chiquinho, já perto do fim do jogo?


Se outras coisas não houvesse - e houve, desde logo os outros dois - bastaria este extraordinário golo para abrilhantar a exibição menos empolgante com que o Benfica cumpriu a sua obrigação.


No resto foi um jogo marcado pelo resultado da primeira mão na Luz, há uma semana, e talvez mais ainda pela superioridade então demonstrada, com os jogadores convencidos que não era preciso apertar muito. Depois, no jogo, o facto de, sempre que a equipa apertou mais, com pressão e com velocidade, vir claramente ao de cima a superioridade sobre o adversário, também ajudou.


Os adeptos não gostam que assim seja. Que a displicência substitua o rigor e a concentração, seja em que condições for. Até porque há sempre o risco de destas coisas se instalarem na equipa. É esse o maior perigo destas intermitências por excesso de confiança, ou por critérios de poupança.


Podem compreender-se estes comportamentos, mas não podem deixar de ser lembrados. Custaram um golo, e poderiam ter até custado mais. E ficou a ideia que Roger Schemidt tomou nota disso.


No resto lá estiveram os atributos deste futebol do Benfica de Schemidt que passam pela rápida recuperação da bola para depois a jogar a um ou a dois toques. E lá estiveram Florentino e Enzo Fernandez, os dínamos daquele futebol.


Fica agora a faltar o Dínamo de Kiev, no play-off final. Que, sem competição interna por força da guerra, está em regime de dedicação exclusiva na tarefa de chegar à Champions. Por enquanto  bem sucedida, depois de eliminar o Fenerbahçe, de Jorge Jesus - a quem parece que as coisas continuam a não correr bem - e, também hoje, os austríacos do Sturm Graz. 


  

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