
A decisão da administração da TAP de substituir a sua frota automóvel poderá até estar carregada de racionalidade de gestão. A crer nas suas explicações, dadas em comunicado, até seria o caso, não fosse a poupança anual de 630 mil euros ficar à partida como suspeita quando se trocam carros da Peugeot por carros da BMW. E, mais suspeita ainda, a garantia dada pela administração que essa foi a opção mais barata.
Ainda poderíamos admitir que as contas da poupança revelada estivessem certas pela via fiscal. Os carros híbridos, na aquisição, mas principalmente no uso, gozam de vantagens fiscais consideráveis, que poderão eventualmente convergir naquele resultado. Já que uma proposta BMW seja mais barata que uma Peugeot, será bem mais difícil de admitir.
Poderemos admitir com elevado grau de probabilidade que, se os velhos Peugeots tivessem sido substituídos por novos Peugeots - híbridos, que também os tem - o assunto nunca se teria atingido a dimensão de escândalo nacional.
E no entanto, se acreditarmos nas justificações que a administração da TAP apresentou, o "escândalo" seria até maior.
Valha que, no fim, o bom senso que sempre faltou, e que, por mais estranho que pareça, nestas coisas da gestão tantas vezes se sobrepõe à racionalidade, acabou por chegar com a anulação da operação. Só faltava que agora tivesse de pagar uma indemnização qualquer...
Para custos já chegou. E são bem altos, os de reputação e de credibilidade de uma empresa onde, mais que nunca, tudo terá de ser gerido com pinças. E claro, com bom senso!
Se lhe disser que o renting de 106 carros da Peugeot, por 5 anos, fica 222000 euros mais caro do que pelo mesmo número de BMW, pelo mesmo período de tempo você não acredita... se for empresário e pedir simulações de renting a 9 empresas (sim para cima de 20 automóveis só existem 9 empresas, em Portugal, que o fazem), vai ver que pagar o renting, pagar 5000 euros anuais pelo seguro multi-riscos e 3800 euros pelo de acidentes pessoais (obrigatórios para carros de renting) além de manutenção extraordinária, não é assim tão fácil.
ResponderEliminarAté nos TVDE as empresas se ficam pelos 10-12 carros, em renting, pois acima disso os valores são mais ao nível de compra do que de aluguer de longa duração.
Com a situação actual, o negócio até seria feito com a BMW alemã. Algo que baixou o valor, pois os impostos seriam reduzidos.
Era o melhor? A longo prazo sim. A curto prazo, vão pagar mais pelos alugueres mensais de novos carros, mais seguros e mais impostos mas, num valor inferior para a despesa mensal, individual ao olhar só para o preço pago pelo carro. Ao final do ano, ao somar seguros, despesas de manutenção (incluindo extraordinárias) e o renting, ao cabo dos 5 anos ficará mais caro.
Excelente texto!
ResponderEliminarEm alternativa os administradores da TAP podiam comprar os carros que quisessem com os seus salários. Ou usar transportes públicos. Como a maioria dos trabalhadores faz. Escumalha!
ResponderEliminarcomeço pelo fim : nao sabia que a operaçao foi anulada.
ResponderEliminarGostei do post, e das cautelas, mas até fala na vertente fiscal, mas há mais em termos de fiscalidade.
Sempre foi assim, a permissibilidade ( e mesmo incentivo ) da máquina fiscal face a essas operaçoes.
Voltando ao episódio, normalissimo, insisto, a anulaçao é um ato anti natural, insensato, para nao dizer mais. Fácilmente toda ( toda, de todas as empresas ) a administraçao argumentará que manter a frota velha é um encargo ( custos ) insuportável
Uma empresa falida paga pelos portugueses não pode dar carros aos administradores. Os senhores administradores não aceitam o cargo sem o popó? Azar. Qualquer beneficiário do RSI fará o mesmo por muito menos dinheiro. A estupidez da reversão da privatização foi montada pela geringonça
ResponderEliminarJosé Marques
Estava a dizer algo acertado, mas com a última frase disparatou.
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