quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Intervalo para a Taça


Decisivamente a Taça não é para o Benfica. Não. O Benfica não foi eliminado, não é isso. Apenas não parece a mesma equipa nos jogos desta competição.


Esta noite, de volta ao Estoril três dias depois, não jogou tão pouco como na eliminatória anterior, nas Caldas da Rainha. Nem passou pelos problemas que aí criou a si mesma. Mas nem por isso deixou de voltar a estar muito distante do nível apresentado no campeonato e na Champions. 


Não há dois jogos iguais, diz-se no futebol. Mas este foi muito diferente daquele de há três dias, para o campeonato. Se não tem a ver - não pode ter - com qualquer parti-pris com a Taça,  o sub-rendimento da equipa, e de praticamente todos os jogadores individualmente, terá que ter alguma coisa a ver com algum facilitismo induzido pelo que fez no jogo do passado domingo.


E no entanto Roger Schemidt não foi em cantigas, não facilitou. Ao apresentar o que tem sido o onze titular, sem sequer prescindir de Vlachodimos, contrariando aquela velha teoria da rotação dos guarda-redes, o treinador disse claramente que não contava com facilidades. Mas não deve ter conseguido passar essa ideia aos jogadores. 


Notou-se logo pela entrado no jogo. O Estoril entrou a empurrar o jogo para o campo dos duelos na disputa da bola, e manteve-o assim durante todo o primeiro quarto de hora. Os jogadores do Benfica perderam praticamente todos esses duelos, o que permite admitir que Schemidt não tenha mesmo conseguido passar-lhes a ideia.


É verdade que, esgotado esse primeiro quarto de hora o jogo de duelos acabou, e o Benfica passou a controlá-lo em absoluto.


A viragem coincidiu com o remate de Grimaldo à barra da baliza do Dani Figueira, em mais um pontapé de excelência, na cobrança de um livre, mesmo à entrada do segundo quarto de hora da partida. O melhor período do Benfica, com três grandes oportunidades para marcar, a última com Rafa, isolado, e com tudo para marcar, a optar pelo poste mais próximo e a acabar por não acertar na baliza.


A partir daí, com o Estoril cada vez mais fechado - como nunca estivera no jogo do passado domingo - passou a ser notório que faltava inspiração, e até velocidade, aos jogadores do Benfica.


Logo no início da segunda parte, numa das poucas transições rápidas que o Benfica conseguiu realizar no jogo, Rafa, isolado, foi travado em falta pelo Chico Geraldes, obrigando o árbitro Veríssimo a deixar o Estoril reduzido a 10 jogadores. Se já só defendia, a partir daí só defendeu ainda mais.


O Estoril defendia com todos lá atrás. Ao Benfica faltava inspiração para abrir espaços, e eficácia para concluir nas jogadas em que os conseguia. E foi preciso que o guarda-redes do Estoril socasse mal uma bola, e que Neres fosse por uma vez bafejado pela inspiração que não abundava para, numa bicicleta espectacular, marcar o golo que valeu o apuramento, mas que nem por isso desbloqueou o jogo. 


Faltava pouco menos de meia hora para o fim. E foi uma meia hora igualzinha à anterior. Com controlo absoluto do jogo, mas só isso!


Agora é só esperar que regresse o campeonato. E a normalidade ao futebol do Benfica. Porque depois vem a interrupção para o Mundial. E, depois, sabe-se lá o que virá!

1 comentário:

  1. No futebol não há dois jogos iguais, isto não passa de um cliché, mas que se aplica na perfeição, ao que se passou ontem na Amoreira. Foi um Estoril mais prevenido, aquele que entrou em campo, a jogar á retranca, como se dizia antigamente, num sistema de 5x4x1 que visava anular o poder ofensivo do Benfica e quiçá, num contra-ataque fortuito, poder fazer uma gracinha.
    O Benfica entrou em ritmo de passeio, com aquela convicção por vezes traiçoeira, de que mais tarde ou mais cedo as coisas se resolveriam…E de facto até se poderiam ter resolvido, ainda na primeira parte, não fosse o excesso de pontaria do Grimaldo e aquele falhanço clamoroso do Rafa, que teve tempo para tudo, inclusive para perguntar ao guarda-redes adversário para que lado é que queria, ao que este respondeu; “chuta para os balneários”.
    Na segunda parte e contra 10, o Benfica continuou a jogar como tinha jogado na primeira, contra 11, pouco. Valeu Neres, que deve ter pensado que a defrontar um adversário chamado Estoril Praia, ficava bem marcar um golo á futebol de praia e sacou de um velocípede de belo efeito.
    Nos últimos minutos de jogo o Estoril deu o tudo por tudo na tentativa de levar o jogo para prolongamento, mas felizmente Vlachodimos estava atento.
    Com o custo de vida pela hora da morte, o Benfica deixou o Ferrari na garagem e foi para a Amoreira de 2 CV… Estávamos a ficar mal habituados, mas isto não pode ser sempre champanhe e caviar, nada como uma mini e uns tremoços, para nos recordar que a vida é dura.
    E Pluribus Unum.

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