
A maior surpresa na escolha do novo Secretário Geral do PCP é ter sido por "ampla convergência" no "Comité Central". E não por unanimidade.
Tudo o resto na escolha do desconhecido Paulo Raimundo são surpresas que não surpreendem.
Quando há muito se falava em rejuvenescimento, não surpreende que seja o mais jovem de sempre. E sempre o mais jovem a subir cada degrau da casa "de paredes de vidro", mesmo que escuro para que não se veja nada lá para dentro. Como os de muitos automóveis. E de todos os blindados.
Pelas "paredes de vidro" viam-se João Oliveira, João Ferreira, ou Bernardino Soares. Sem surpresa, o escuro vidro nunca deixou ver Paulo Raimundo... Foi mostrado nas comemorações do centenário do Partido, no Campo Pequeno, e no último congresso, mas regressou de novo ao recolhimento.
É assim, no PCP. Sem surpresa. Porque é assim que o PCP luta pela sobrevivência há décadas. Porque sabe que, se não for assim, não resiste. Como não resistiram todos os outros que não fizeram assim.
Por isso, com jovens, ou com velhos, nada ali muda, mesmo que tudo mude à volta. Entre desaparecer ou ir desparecendo prefere, sem surpresa, ir desaparecendo. Entretanto sempre poderá surgir um ou outro Jerónimo de Sousa, pragmático, gentil e simpático que lhe alivie e prolongue a caminhada.
O PCP é atualmente um partido reacionário. Teve obviamente o seu contributo importante para a democracia portuguesa, mas nada é eterno. Já para não falar que há outros partidos de esquerda mais evoluídos e que não têm posições estranhas relativamente à invasão da Ucrânia, como o Bloco de Esquerda ou o Livre. O PCP terá o mesmo destino que o defunto CDS.
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