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Sessenta e duas mil e quinhentas almas nas bancadas esgotaram a Luz para assistirem ao dérbi eterno. Que, não tendo sido dos mais vibrantes, não deixou de ser um bom espectáculo de futebol, nem de ter os ingredientes que fazem dele, sempre, um jogo único, e sem paralelo no panorama do futebol em Portugal.
Quando se esperaria que fosse o Benfica a entrar forte no jogo, até porque se anunciara que Roger Schemidt teria mesmo pedido isso aos jogadores, e porque o adversário não tinha razões para trazer muita confiança na bagagem, foi o Sporting que entrou melhor no jogo. E fez do jogo, no primeiro quarto de hora, aquilo queria exactamente dele - ter bola. Depois, poderia querer mais, mas para começar o que queria mesmo era ter a bola. Quem tem a bola não têm que correr atrás dela. Nem é atacado.
Rúben Amorim sabia que se o Benfica tivesse bola as coisas se complicariam, e muito. Como, de resto, o próprio jogo viria a confirmar. Por isso quis ter bola simplesmente para a ter, e não tanto para "ferir" - para utilizar uma horrível expressão que é agora usada - o adversário.
Conseguiu-o durante pouco mais que esse primeiro quarto de hora. A partir daí o Benfica não lhe permitiu mais que fosse o dono da bola, e passou a tê-la e a jogá-la como sabe, e a meio da primeira parte já era Adan a safar o golo, em duas ocasiões consecutivas. E já era um Benfica galvanizado, apostado em não sair de cima da área sportinguista.
Valeu então ao Sporting a matreirice de Paulinho. Foi o seu momento "matreirice 1". Simulou que tinha sofrido uma falta, rebolou pelo chão, entrou a equipa médica ... e acabou com aquilo que já começava a cheirar a sufoco. E a verdade é que aquela espécie de intervalo, convocado pelo experiente e matreiro avançado do Sporting, resultou. Quebrado o ritmo, o Benfica voltou a ter que reaquecer o motor e, para que tudo fosse ainda pior, logo a seguir, numa carambola dentro da área, foi nessa altura que o Sporting marcou. Na realidade não marcou, mas foi golo, e conta na mesma. A bola primeiro ressaltou em Otamendi, e deixou Vlachodimos batido. Depois, ressaltou em Bah (que continua completamente fora de forma, numa altura em que nem há Gilberto) para dentro da baliza.
O Benfica teve que reaquecer os motores rapidamente, e a máquina voltou a funcionar. E 10 minutos depois do auto-golo sofrido o Benfica empatou, numa jogada de insistência de António Silva, que serviu Rafa para partir os rins a Matheus Reis, e assistir Gonçalo Ramos, na cara de Adan. Daí até ao intervalo só deu Benfica, mas não deu mais golos. Mesmo que o miúdo - a anunciar más notícias para o que estava para vir - logo a seguir tenha assustado, ao falhar um atraso de cabeça para Vlachodimos e deixar a bola ao dispor de Trincão, sozinho, só com o guarda-redes grego pela frente. Mas reagiu tão rapidamente "a tirar-lhe o pão da boca" (na imagem) que até pareceu que tinha feito de propósito, a exemplo daqueles cabeceamentos para a trave de própria baliza, para evitar o canto.
Logo a abrir a segunda parte, sem que o jogo tivesse ainda dito o que quer que fosse, o VAR manda Soares Dias ver em imagens o momento "matreirice 2" de Paulinho. Depois de cinco minutos "a deliciar-se com as imagens", o árbitro - que até aí só tinha tido cartões para mostrar a jogadores do Benfica, por muito que Ugarte se tivesse esforçado para que lhe fosse mostrado por nem sei quantas vezes - assinalou penálti. Que o Pote aproveitou para o seu já clássico golo na luz.
E o Benfica começava a segunda parte a perder um jogo que poderia e deveria ter saído do balneário a ganhar. Com um penálti em que a "matreirice" de Paulinho contou com a colaboração da "verdura" de António Silva. Pré-anunciada, como se vira!
O Benfica voltou a pegar no jogo e o empate final demorou, de novo, apenas dez minutos. Mais uma bela jogada de futebol com Florentino a abrir para Grimaldo, na esquerda, e este a assistir para Gonçalo Ramos bisar, ainda, e de novo na cara, de Adan.
Logo a seguir Schemidt trocou Aursenes por Neres. Para ganhar o jogo, pensou-se.
Mas não. Porque Neres também está longe dos seus melhores momentos. Mas também porque a equipa tem agora intermitências que antes não tinha. O futebol é o mesmo, a intensidade, a pressão, a velocidade, e também a inspiração e a confiança dos jogadores, é que não são tão constantes quanto eram. E nem mesmo a confiança do treinador, como se viu por se ter ficado pela entrada de Neres (a de Chiquinho, nos últimos dois minutos, não conta para essas contas).
Por isso não ganhou um jogo que, como se viu, teria de ganhar. Até porque, sempre que o jogo teve futebol digno de se ver, foi praticado pela equipa do Benfica.
E assim acabou o pleno de vitórias que marcava esta época na Luz. E assim se perderam cinco pontos em três jornadas. Depois de, sempre a somar, de seguida, deixar cair uma das competições e de perder a invencibilidade... É também por isto que este dérbi teria de ser ganho!
Faltou ao Benfica serenidade e lucidez na forma como abordou o jogo.Faltou-lhe também aquilo a que se costuma chamar sorte do jogo…Os deuses da bola e o homem da confeitaria penderam para o lado do Sporting, que sai da Luz com um resultado bastante lisonjeiro, para quem só jogou á bola meia parte.
ResponderEliminarE Pluribus Unum!
Nem meia parte, quinze minutos da primeira e depois ia tentar o chuveiro para o Chermiti com o seu 1,92m... Sobretudo Amorim não queria perder... A troca do Aursnes percebia-se na primeira meia-hora porque, depois, começou a encaixar... E saiu por um Neres a lembrar o Cebolinha.
ResponderEliminarNão deixou de ser bonito ver o Ruben Amorim emocionado com o ambiente da Luz, acho que ainda lhe vi, ali, uma lagrimita...
ResponderEliminarPenso o que faltou foi um Malheiro. Este não marcava o penalti. Quando o treinador do benfica diz que não foi penalti disse-o com sinceridade, pois mediu pela bitola dos dois penalties, que não foram marcados na Póvoa de Varzim contra o benfica. E quando assim é, não há nada a dizer.
ResponderEliminarJá agora, quando é uma televisão de um clube deixa de filmar jogos de uma liga profissional?
Só num país onde o benfiquismo se confunde com nacionalism, é que é possível esta situação vergonhosa.
É no país onde a cidade do Porto se confunde com o FCP, estando a mesma capturada pelos interesses, pelas maroscas, atividades ilicitas e afins praticadas pelo clube.
ResponderEliminarTem toda a razão. Tudo o que diz é verdade. e digo-lhe mais, eu como Minhoto, era a favor da regionalização, mas a linha editorial e comentadores do Canal Porto, fazem-me votar contra. Nunca aceitaria ser governado, por aquela gente. Como diria o outro, jamais!!!
ResponderEliminarestava tudo bem preparado para o BENFICA perder pontos pela vergonhosa arbitragem e com o var em destaque?
ResponderEliminarCa#al#o, Lourinho, cismaste que é com pancada que se educam as crianças e tratas de avançar com esta análise de merda. Estou em crer que viste o jogo na BTV, com o som muito alto, pois os burros que fizeram de comentadores passaram a o tempo a pedir, berrando, a expulsão do Ugarte. Continua, que esses lampiões têm que aprender o que está na cartilha.
ResponderEliminarO seu comentário, faz-me lembrar aqueles Santos que existem nas igrejas e que o maior sonho deles era serem Anjinhos.
ResponderEliminarComparar a Cidade do Porto ao Clube da Cidade e saber que no Centro do País há um clube que tem meia dúzia de processos parados a anos para se dar providência e que até o Primeiro Ministro é desse clube, é mesma coisa que dizer; o meu cão nam me cheira mal.
Olha para onde é que tu vens.
ResponderEliminarO Primeiro Ministro é problema porque não é do FCP, mas o presidente da CMP e outros tantos lá do burgo serem profissionalmente do FCP não faz mal nenhum, ou será que o primeiro ministro já fez alguma lei a discriminar os que não são do seu clube?
Quanto aos processos, que sigam e condenem quem tenham de condenar se for o caso, como já aconteceu, o FCP é que tem como presidente o cidadão que mais vezes foi constituído arguido em Portugal e sempre absolvido. Deve ser (sempre) por "enganos" da justiça, com certeza, especialmente a do Norte. E claro, não esquecer o best-seller apito dourado.
Quando é que se vai descobrir que o Rui Pinto estava a soldo do FCP?
"Comparar a Cidade do Porto ao Clube da Cidade", ... gostava de saber de onde é que é o Boavista, pelo vistos não tem direito a ser clube da cidade, e os portuenses que não sejam do "clube da cidade" não são gente, obviamente.
ResponderEliminarComo diria alguém é fazer as contas,... e não ser burro. Quantas faltas alanrajadas que nem sequer amareladas foram, fez o Ugarte? Burro é quem não sabe contar, não é uma questão de opinião mas de contagem.
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