quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Tão iguais e tão diferentes


Jogou-se hoje o Paços - Benfica, um jogo antecipado correspondente à 20ª jornada, em razão do calendário europeu do Benfica, que os dirigentes da equipa da capital do móvel só não impediram porque não puderam. O jogo iria cair entre as deslocações a Braga, para os quartos de final da Taça, e a Bruges, para os oitavos da Champions. 


Sem ser o primeiro jogo do calendário da segunda volta, aconteceu que foi o primeiro jogo da segunda volta. Para o Benfica, e para o Paços, primeiro e último da classificação. Mas nem por isso tido por fácil. Porque não há jogos fáceis, como é mais que sabido, e porque o último classificado, e já com grandes dificuldades em evitar a descida, depois do inédito regresso de César Peixoto ao banco, depois de despedido, vinha de boas exibições, como na do último domingo, quando deu água pela barba ao Braga, e fechou - com muita injustiça e até polémica no golo que lhe ditou a derrota, já para lá do tempo de compensação - a janela que a primeira vitória, na jornada anterior, em Vila de Conde, parecia abrir.


O benfica entrou novamente muito bem no jogo, com dois golos nas duas primeiras oportunidades. Em apenas quatro minutos, e praticamente nos primeiros dez. Bastante parecido com o que acontecera em Ponta Delgada, no último jogo com o Santa Clara. Como parecido foi o jogo.


Parecido, com muitas semelhanças mas, ainda assim, com muitas diferenças. As semelhanças estão nos dois golos madrugadores, desta vez de Grimaldo, em mais um livre cobrado com a habitual classe e mestria, logo aos 7 minutos. E de João Mário, aos 11, depois de uma excelente desmarcação de Gonçalo Guedes para Aursnes rematar para a defesa de Marafona, como pôde. Que mais não pôde que defender para a frente, deixando a bola ao alcance de João Mário. E estão nas oportunidades criadas e desperdiçadas pelo Benfica até ao intervalo.


Mas estão também na quebra da equipa na segunda parte, mesmo que nunca tão acentuada como no último jogo.


As diferenças são que o Benfica, depois, não levantou tanto o pé. Mas, apesar disso, permitiu oportunidades de golo ao adversário. E não conseguiu chegar ao terceiro golo.  


Se o jogo deixou sempre uma sensação de facilidade idêntica ao dos Açores, foi apenas porque o Paços não conseguiu concretizar qualquer das oportunidades, acabando até com três bolas nos ferros, a última na derradeira jogada do encontro. 


Independentemente dos circunstancialismos do jogo é visível o progresso na qualidade do futebol praticado, já mais perto do período anterior à interrupção para o Mundial. E a melhoria da forma dos jogadores que mais tinham caído, como é particularmente evidente no caso de Bah. E de Enzo, esse pelas razões conhecidas. A esta melhoria, e pese embora a ausência de Rafa, acresce que Gonçalo Guedes assenta que nem uma luva nesta equipa. E neste futebol.


Ainda independentemente dos circunstancialismos, este jogo confirmou o que há muito se vem notando que falta, e que este Benfica de Shemidt já teve. Que perdeu, sem que se veja recuperação: a capacidade para a transição rápida, o contra-ataque, como dantes se chamava; e o aproveitamento das bolas paradas.


A equipa não consegue aproveitar o adiantamento dos adversários, e isso permite-lhes ousadia e confiança. Como hoje se voltou a ver. Os mecanismos de transição em velocidade falham quase que invariavelmente, e permitem sempre a recuperação defensiva do adversário.


E, à excepção dos livres directos de Grimaldo, onde conta apenas a sua competência específica, e classe pessoal, a equipa não aproveita qualquer lance de bola parada, sejam livres laterais, sejam cantos. Todas as equipas trabalham estes esquemas tácticos - o Paços dispôs apenas de um livre lateral, e fez dele uma grande oportunidade de golo. Nos primeiros meses da época o Benfica marcava frequentemente na sequência de cantos, e de livres. Ainda hoje se viu que, de 10 cantos, nada resultou. E sempre marcados da mesma forma. Se antes estes lances eram preparados nos treinos, não se entende por que terão deixado de ser. Até porque o Benfica é a equipa com mais cantos na Liga. 


Faltam estes dois "momentos" do jogo para que possamos dar a equipa por regressada ao bom caminho que trazia. 


Apenas duas notas finais: uma para a preocupante lesão - muscular, ao que tudo indica - de Gonçalo Ramos. Musa voltou a confirmar que não dá. Outra para dizer que ainda dá gosto ver Gaitan jogar à bola. E saudade!

3 comentários:

  1. Este jogo foi assim como que uma réplica do jogo do passado fim de semana nos Açores.
    O Benfica entrou muito bem no jogo e cedo alcançou uma vantagem confortável de dois golos, para depois deixar o tempo passar, com o jogo mais ou menos controlado.
    Marcar cedo é sempre importante, se bem que por vezes pode provocar uma sensação de conforto que pode ser traiçoeira, é que o Paços mesmo sem ter criado grandes dificuldades, atirou três bolas aos ferros e bastava que uma tivesse entrado, para que o jogo se pudesse complicar.
    O Benfica ganhou e amealhou os três pontos que era o mais importante, mas aquela gente que pintou a Mata Real de vermelho, numa noite gélida de Inverno, merecia mais Benfica, principalmente na segunda parte.
    E Pluribus Unum !

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  2. vai ser assim ate ao fim, jogos do BENFICA com muita dificuldade em ganhar. nao podem tirar o pe do acelarador BENFICA SEMPRE..

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  3. o proximo jogo no arouca-BENFICA ..com o polemico arbitro rui costa que tem feito pessimas arbitragens nos ultimos jogos, vai fazer tudo para que o Benfica perca pontos..veremos ..nao ha melhor ..

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