sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Boa(s) estreia(s)


A estreia do Benfica na Taça foi um jogo de estreias. E de inéditos.


A equipa chegou à Terceira já no próprio dia do jogo, o que, se não é inédito no futebol de alta competição, andará lá perto. E a horas impróprias, já depois da uma da manhã. Valeu que não houve mais incidentes. E que também o jogo não foi acidentado, apesar de ter sido disputado debaixo de uma tempestade, que tornou o estado do terreno muito propício a lesões e pouco a bom futebol.


Foi ainda assim "Taça", a festa do futebol. Com o Estádio João Paulo II esgotado, como sempre acontece onde o Benfica vai jogar. 


Do jogo há a destacar a boa prestação do Lusitânia dos Açores, uma equipa do Campeonato de Portugal, o quarto escalão do futebol nacional, que joga futebol. Claro que defendeu muito, mas viu-se que quis e soube jogar sempre que teve oportunidade de ter a bola. 


Do lado do Benfica, que jogou o que se esperaria que jogasse - nestes jogos "da festa da Taça", sabendo-se que a motivação está sempre do lado dos Davids, os Golias têm essencialmente que ser sérios e profissionais - há que destacar as estreias, na estreia. E não foram poucas.


João Mário estreou-se a marcar esta época, depois de ter sido goleador na anterior (praticamente toda a época a par de Gonçalo Ramos, no cimo da lista dos melhores marcadores). E com que classe estreou também o placard...


Arthur Cabral estreou-se - finalmente! - a marcar pelo Benfica. Já desesperava. Foi o terceiro, quando no marcador resistia o 1-2 que vinha do intervalo. Depois do penálti (outro assinalado a Aursenes, de novo na sequência de um canto, e de novo ao elevar-se para disputar a bola; daqueles que só são mesmo marcados contra o Benfica) com que o Lusitânia reduzira a desvantagem de dois golos, atingida com o golo de Rafa. Também de classe. 


Tiago Gouveia teve duas estreias. Estreou-se na equipa principal em competições nacionais (apenas tinha jogado sete minutos naquela malfadada noite de estreia na Champions, com o Salzburgo, na Luz); e estreou-se também a marcar. Foi dele, apesar de João Mário e Rafa terem colocado a fasquia bem alta, o golo da noite. Afinal bastaram-lhe 20 minutos (7 no jogo da Champions e 13, hoje) para marcar o seu primeiro golo no Benfica.


E Gonçalo Guedes estreou-se nesta época. E a forma como se estreou deixa a ideia que vem aí um grande reforço, capaz de dar ao jogo coisas que faltam ao futebol do Benfica. Desde logo, remate. Mas também pressão alta. Marcou dois golos, mas nenhum foi validado. No primeiro, a concluir a melhor jogada colectiva do Benfica, acabou por se perceber que Juracék, no início da jogada, estava em fora de jogo. O segundo não deu para perceber. Melhor, deu para perceber que o Gonçalo não empurrou ninguém ao saltar à bola, e que o defesa adversário, para não saltar com ele, decidiu fingir-se de empurrado.


Boa(s) estreia(s), portanto!

4 comentários:

  1. Do jogo, contra esse colosso açoriano do futebol mundial, ficam duas sensações indeléveis. A de, no futebol, a assimetria nunca ser a certeza da assimetria. E a outra, da lembrança profunda que a palavra «Lusitânia» causa naquilo que se designa por «portugal». De facto, tanto em Gil Vicente ("Auto da Lusitânia") como em Camões ("Os Lusíadas" Canto I), emergem sempre esses dois «portugais» insolúveis: o Portugal Galego-Portucalense (apenas cá chegado em 800-1143) e o Portugal Lusitano (desde o Neolítico, há mais de 8000 anos). Uma diferença, que só um Clube como o slBenfica pode irmanar.

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  2. Estava a ver o jogo e a pensar cá para mim que a exibição do Cabral do Lusitânia estava a ser mais profícua que a do nosso Cabral, isto porque das poucas vezes que teve bola, conseguiu desferir dois remates enquadrados com a nossa baliza, mas o Arthur fez questão de contrariar este meu raciocínio e lá marcou o golo que tanto tardava, que seja o primeiro de muitos.
    Gostei do regresso do Guedes e da entrada do Tiago Gouveia e parece-me até que ambos podem ser muito importantes na presente época, caso Roger Schmidt tenha o mesmo entendimento.
    E Pluribus Unum !

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  3. Do jogo, contra esse colosso açoriano do futebol mundial, ficam duas sensações indeléveis. A de, no futebol, a assimetria nunca ser a certeza da assimetria. E a outra, da lembrança profunda que a palavra «Lusitânia» causa naquilo que se designa por «portugal». De facto, tanto em Gil Vicente ("Auto da Lusitânia") como em Camões ("Os Lusíadas" Canto I), emergem sempre esses dois «portugais» insolúveis: o Portugal Galego-Portucalense (apenas cá chegado em 800-1143) e o Portugal Lusitano (desde o Neolítico, há mais de 8000 anos). Uma diferença, que só um Clube como o slBenfica pode irmanar.

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  4. Também passei por esse tirar de medidas aos dois Cabral. E até de chegar a admitir que trocava um pelo outro. Quando me apercebi que também havia um Rafa do outro lado é que fiquei então que a ideia poderia estar a ser precipitada.
    E Pluribus Unum !

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