domingo, 22 de outubro de 2023

Há 10 anos

RECORDAR | EducaSAAC


Muito e diversificado foi o que se escreveu sobre a entrevista de José Sócrates ao Expresso. Escreveu-se, como sempre, contra e a favor de Sócrates. Escreveu-se em função dos pontos de partida (e de chegada) de cada um perante uma das mais controversas figuras da vida política nacional.


Escreveu-se sobre a hipocrisia política, em que é mestre. Sobre a habilidade para contornar o que incomoda, e até para mentir, no que não fica atrás. Mas, mais que tudo, sobre uma imprevisível e irreconhecível linguagem, bem mais que informal, a sugerir a descolagem de uma imagem pública desgastada por uma figura política odiada, para abrir espaço a uma personagem distendida, que lhe abra umas frestas por onde entrem alguns raios de popularidade, indispensáveis mesmo a quem diz não pretender voltar aos favores do povo.


Mas pouco ou nada se escreveu sobre o trabalho jornalístico de excelência da Clara Ferreira Alves, um incontornável trabalho de referência na especialidade. Quando em qualquer escola de jornalismo se ensinar entrevista na variante de peça escrita, mesmo que muitos possam achar que contrarie e fira princípios de isenção e de imparcialidade jornalística, este trabalho terá que lá estar.


É verdade - não é neutro, nem sequer isento. É mesmo empenhado, é envolvido, e às vezes quase militante, sem nunca o chegar a ser…


Mas, para apesar de tudo isso ser um grande trabalho, tem mesmo que ser um enorme trabalho!

3 comentários:

  1. A «populaça» iletrada, ainda está para saber qual foi o crime que esse Sócrates cometeu. É que, passados 10 anos, vêem todos dizer, agora, que o que se devia ter feito há 10 anos era aquilo que esse Sócrates queria fazer (aeroporto, tgv, modernização das escolas, computadores para a transição digital, ferrovia, cortar nas avenças desmesuradas da função pública e dos que fazem a Justiça, etc.). E o mais curioso é, vir agora o atual Primeiro-Ministro ufanar-se que a Dívida voltou a estar na % que esse Sócrates a deixou. É caso para dizer: "aqui há gato, com o rabo de fora". Quando é que julgam esse cidadão Sócrates? Ou voltámos ao antigamente?

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  2. Há 10 anos já se sabia quem era a personagem. Não se conhecia ainda a vasta e inimaginável onda de crimes que teria cometido. Hoje sabe-se que a grande maioria deles, por indulgência, leviandade ou incompetência da investigação, ou pelas teias que a Justiça tece, caiu na acusação. E sabe-se que não se sabe quando, ou sequer se, serão julgados os que, ainda assim, permaneceram em sede de acusação. Se voltamos ao antigamente, também não se sabe. Sabe-se apenas que é intolerável o que hoje se sabe. Tanto como o que não se sabe.

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  3. 1 – MAS, não foi a mesma Justiça que, através de um Juiz (Ivo Rosa), em 9 abril de 2012, perante todo o País, não chamou a essas acusações que lhe fizeram: «Erros e dislates sem fundamento, nem lógica, nem razoabilidade, nem fundamentados em provas objetivas e factuais»?
    2 – Ninguém ainda viu as provas das acusações que lhe fizeram. Eram tão evidentes, que até o prenderam sem julgamento. Era o mesmo que um qualquer interesse alheio, nos viesse acusar sem provas, por seu interesse próprio, e nos prendessem. Esse não é o regime da bufaria, da mesquinhez facciosa, da inveja institucionalizada?
    3 – Ninguém sabe se o sujeito, José Sócrates, é culpado ou inocente. Apenas, todos, vemos e ouvimos o que é dito. POR EXEMPLO: “A decisão instrutória, em 9 de abril 2021, considerou sem mérito e sem fundamento todas as monstruosas acusações que me fizeram durante sete anos. Todas. A mentira de Vale do Lobo, a mentira da Parque Escolar, a mentira da Opa da Sonae, a mentira da diplomacia económica com a Venezuela, a mentira do TGV, a mentira da proximidade a Ricardo Salgado, a mentira da fortuna escondida. Nada ficou de pé. A fase de instrução tem a ver com indícios, e quando é dito que estes não existem, isso quer dizer que não há provas, nem diretas nem indiretas. Neste caso, aliás, há mais do que isso – há contra-indícios. Isto é, provas que contradizem expressamente as alegações feitas. Bastaria lê-las.” (José Sócrates, 24/11/2021, Diário de Notícias).

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