quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Wolfgang Schäuble (1942-2023) e Jacques Delors (1925-2023)

Ladrões de Bicicletas: De Delors a Schäuble


A morte quis levar Wolfgang Schäuble e Jacques Delors juntos. De seguida. Ontem um - o primeiro -, hoje o outro. Só mesmo a morte os terá unido, aos olhos dos portugueses e porventura da maioria dos europeus.


Schäuble foi "apenas" ministro das finanças do governo alemão de Angela Merkel. Jacques Delors foi "o presidente da Comissão Europeia". Foi-o durante dez anos - entre 1985 e 1995 - e tornou-se na figura central da "construção europeia". Os passos decisivos do que é hoje a Europa foram dados por ele. 


Schäuble foi "apenas" ministro das finanças da maior potência da União. Que, parecendo opor-se-lhe, mais condicionou os passos de Delors. E teve sempre mais poder que o presidente da Comissão Europeia. Que era Durão Barroso. Depois de Delors foi sempre a cair...


De Schäuble, lembramos-nos do que sofremos. E do que sofreram os gregos. Lembramos-nos de Vítor Gaspar, de joelhos, de Maria Luís Albuquerque, deleitada a seu lado, e de Centeno embevecido com o título de "Ronaldo das Finanças". De Delors esquecemos-nos que abriu a gaveta onde meteu a social democracia europeia.

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