quinta-feira, 18 de abril de 2024

Marcelo a bater no fundo

Presidente da República inaugura mural de homenagem a Alberto Martins —  coimbra.pt


 


Em Novembro do ano passado, a Procuradora-Geral da República, depois de chamada a Belém pelo Presidente Marcelo para uma misteriosa reunião, decidiu incluir no comunicado sobre as buscas realizadas no âmbito da chamada "operação influencer" um parágrafo final, dando conta da existência de uma investigação criminal autónoma contra o primeiro-ministro, de que resultaria a sua demissão. Aproveitada por Marcelo para dissolver a Assembleia da República, e convocar eleições antecipadas, que resultaram num terramoto político. 


Cinco meses depois, no acórdão ontem conhecido, os desembargadores do Tribunal da Relação consideraram que os factos apresentados pelo Ministério Público (MP) não indiciam qualquer tipo de crimes por parte dos arguidos. Que o alegado “plano criminoso” defendido pelo MP, não passa de “um conjunto de meras proclamações assentes em deduções e especulações retiradas do que o MP ouviu arguidos e membros de governo falar ao telefone, proferindo afirmações vagas, genéricas e inconclusivas”.


Ou seja, 50 anos depois do golpe de Estado perpetrado pelos capitães de Abril, que abriu as portas da Revolução, o país foi alvo de outro, por acção do Ministério Público e bênção do Presidente Marcelo, que abriu outras portas, muitas das quais julgávamos fechadas para sempre.


Instado a comentar o acórdão (em Coimbra, na inauguração de um mural de homenagem a Alberto Martins e à Crise Académica de 1969 - um marco na História da luta contra a ditadura derrubada há 50 anos), Marcelo não poderia ser mais cínico: "Não vou comentar as decisões de justiça, mas repito de uma outra forma um comentário que já fiz que é mais político". "Tenho a sensação de que começa a ser mais provável haver um português no Conselho Europeu, neste próximo outono, em Bruxelas".


Cínico, Marcelo quis dizer "não se importem com isso". Que Costa até saiu a ganhar, e pode, agora que está limpo, ir descansado - já livre daquela espécie de bullying que durara desde a tomada de posse - para onde afinal queria ir. E que para o país não tem importância nenhuma que já só seja governável com a extrema direita. Importante é que tenha alguém em Bruxelas!


Não. Não é Marcelo a ser "Marcelo". Como já não fora Marcelo a ser "Marcelo" nas trapalhadas com o Dr Nuno, "maior e vacinado", no caso das gémeas brasileiras. É Marcelo a bater no fundo!


 


 

3 comentários:

  1. Eduardo, começou pela premissa errada: Lucília Gago só foi a Belém, DEPOIS, do comunicado ser enviado para a imprensa. Depois de António Costa lá ter sido chamado (supostamente para explicar sobre a situação dos ministros e a sua), Marcelo chamou a PGR (supostamente para saber que acusações existiam contra o primeiro-ministro e porque não tinha sido informado, como é obrigatório, em caso de investigação a membros do governo). Depois de a receber, é que António Costa voltou lá e apresentou a demissão. Essa sim usada para convocar eleições e esperar que a coligação entre PSD-CDS-IL-Chega ficasse no poder.
    Só não correu bem, porque Luís Montenegro, Hugo Soares, Nuno Melo e Rui Rocha descobriram que André Ventura andou a prometer gastar 500000 milhões de euros, anualmente, ao mesmo tempo que prometia cortar 94000 milhões, provenientes de impostos e taxas. Um exemplo é o "movimento Zero", das forças policiais, que toda a gente sabe que são 1200 membros do Chega, que dirigem, mais de, 6000 sindicatos de membros das forças de segurança, a quem André Ventura prometeu o salário base ser de 80000 euros anuais. Sem que o Chega tenha recebido 10 a 700 cargos governamentais, como a seita exigia, o "movimento zero" volta a aparecer a prometer 300 milhões de baixas médicas, validadas por médicos privados, para as forças policiais não comparecerem ao rally de Portugal, jogos de futebol, eventos do Euro 2024 e dos Jogos Olímpicos. O mesmo se passa com os oficiais de justiça, a quem André Ventura (e Hugo Carneiro, PSD), prometeram 220000 euros de salário anual base.

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  2. Parabéns pelo diagnóstico.
    O problema são as consequências, termos que continuar a tê-lo como Presidente de Portugal

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  3. Não tem vergonha nenhuma e é isto o mais alto magistrado da Nação.
    "Marcelo já veio dizer que, depois disto tudo, tem a “sensação de que começa a ser mais provável haver um português no Conselho Europeu neste próximo outono em Bruxelas”. Depois disto, acho eu que Marcelo enlameou de vez, e fico mesmo com a sensação de que os episódios que levaram a aceitação da demissão não passaram de uma tramoia montada entre professor e aluno para lhe abrir as portas da Europa.

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