quarta-feira, 17 de abril de 2024

Truques e transparência

O que há de novo no programa do Governo?


Na campanha eleitoral Luís Montenegro garantiu solenemente o fim dos truques na política. Sentado em S. Bento, ainda sem tempo para aquecer o lugar, o que tem para mostrar é ... truques. Bem sei que deixaram de lhe chamar truques, que se passaram a designar ambiguidades. E até equívocos.


Mas são truques, e nada mais que isso, por múltiplos significados que vão procurar aos dicionários.


O truque maior saltou à vista na anunciada descida do IRS em 1,5 mil milhões de euros. Que já estava, a quase 90%, assegurada pelo governo anterior, plasmada no Orçamento, e em vigor.  Não dá para disfarçar de ambiguidade, nem de equívoco. É um truque e mal feito, daqueles que só iludem os muito distraídos. Ou os que não conseguem ver. Porque estava no Orçamento, contra o qual o PSD tinha votado, e porque o Programa Eleitoral da AD foi apresentado aos eleitores quando essa descida já estava em vigor.


Quando Montenegro, em campanha eleitoral, prometeu inverter os maus resultados da governação socialista dos últimos oito anos com uma "agenda transformadora da economia" assente num modelo de crescimento económico baseado na descida de impostos, afinal não lhe mexe, mantém o Orçamento do governo socialista e mantém até o Programa de Estabilidade a enviar para Bruxelas, entregue há dois dias no Parlamento. Neste, mantém até a previsão que a economia cresça 1,5%, e a que a inflação se mantenha em 2,9%,  quando as organizações internacionais são bem mais optimistas: o FMI prevê, respectivamente, 1,7% e 2,2%.


Mas houve mais. Houve truques logo na eleição do Presidente da Assembleia da República, como volta a haver truque quando a adjunta do ministro de Estado e das Finanças, Patrícia Dantas, que enfrenta uma acusação de crime de fraude na obtenção de fundos europeus - que não foi impeditiva de exercer funções no Governo Regional da Madeira - não é a primeira baixa do governo ... porque não chegou a tomar posse


Pronto. Se não querem, não lhe chamamos truques. Mas vejam lá se acabam rapidamente com esses equívocos, ambiguidades, confusões, trapalhadas ou o querem que lhe chamemos. É que não nos prometeram apenas um país a crescer, com serviços a funcionar como nunca, e com toda a gente a ganhar bem e a pagar poucos impostos. Também nos prometeram transparência!

8 comentários:

  1. Esteve lá um Governo 7 anos foi uma maravilha.
    O novo Governo tem 7 dias, é só truques.

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  2. De deputada do Bloco a cabeça de lista do ADN, Joana Amaral Dias diz que "foi a esquerda que desistiu".
    Caro Louro, aqui está o verdadeiro truque.
    A senhora iniciou-se dando-se pela esquerda, satisfez-se o quanto pôde, e agora está toda oferecida pela direita.
    Mas daquilo que eu mais gostaria... seria o centro.

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  3. Com um primeiro ministro que antes de 7/11/2023 estava a prazo na liderança do partido, segundo os próprios pares, o que se pode esperar.
    Agora até vai comer o orçamento pipi, o tal que fingia que fazia, mas não fazia. Espero que lhe saiba bem, porque assim vai fingir que faz, mas nada vai fazer.

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  4. Meu caro, se ao 7 dia tem estas ambiguidades, iquívocos e truques, imagine com 7anos.

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  5. Não votei nesta solução governativa, mas a minha consideração por este primeiro ministro subiu em flecha a partir do momento em que foi criticado abertamente pelo novo morto vivo da extrema direita, o tal que invocava o diabo.

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  6. O tema é truques e o seu contrário, a transparência.
    Carlos Branco, Major-General soviético a viver de boa reforma em Portugal, é que sabe dessas coisas. Ouçam-no e leiam-no.

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  7. Não adianta explicar a quem não quer entender. E se tem havido mesmo durante a campanha uma promessa de menos 1500 milhões teriam chovido em cima da AD e de Montenegro as acusações de "Irresponsabilidade!" "Despesismo!" "Por em causa as contas publicas!" etc.

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  8. bem dito...mas é
    como é, e nao de outra maneira.
    Ainda para mais esta gente e ideologia é ela propria o cancro, a biblia do oportunismo.

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