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A Luz engalanou-se para receber este terceiro jogo da Champions, na expectativa do pleno de vitórias, dos nove pontos no fim da terceira jornada. Não havia motivos para outra coisa!
Os 60 mil benfiquistas nas bancadas - cheias que nem um ovo (eram 62 mil, mas os restantes seriam adeptos do Feyenoord) - só pensavam nisso. E depois havia aqueles 5-0 da pré-época, no final de Julho, ali mesmo...
Cedo se começou a ver a festa por um canudo, pouco depois dos 10 minutos quando, na primeira chegada á baliza de Trubin, o Feyenoord marcou. E na verdade, durante mais de uma hora, as únicas ocasiões que houve festejar foram as anulações dos golos da equipa de Roterdão. Primeiro, do que teria sido o segundo; depois, do que teria sido o terceiro. Que nem por isso deixaram de aparecer, dando uma expressão pesada ao primeiro desaire da era Bruno Lage.
Cedo se percebeu que o Benfica não se entendia com aquele jogo do Feyenoord que, pressionando alto, dificultava-lhe a saída de bola, e provocava-lhe erros com demasiada frequência. E que, ao invés, saía com bola limpa, contornando com facilidade a inconsistente pressão que lhe era colocada. Mostrava ao Benfica como se sai com bola, e como se faz pressão. E mostrava como isso só se faz com intensidade, concentração, e coordenação.
O Feyenoord saía com toda a facilidade da pressão, encontrando sempre o central ou o lateral do lado contrário para deixar para trás a primeira linha de oposição benfiquista. A defesa do Benfica, desde cedo desconfiada, não subia e deixava o campo "grande" de mais para jogadores rápidos que por lá abundavam. Acrescia que os jogadores do Feyenoord ganhavam todos os duelos. Todos os ressaltos. Todas as segundas bolas.
O jogo foi quase sempre assim. Mais ainda assim na primeira parte, que acabou com o Benfica já a perder por 2-0. Com mais bola, mas com uma única ocasião de golo, no remate de cabeça, de Bah, ao poste.
Na segunda parte foi menos assim. Mas nem quando o Benfica marcou (Aktürkoğlu), a meio desse período, e as bancadas empurravam a equipa para a reviravolta, deixou de ser assim. Sempre que o Benfica conseguia um ligeiro período de domínio mais continuado no jogo, o Feyenoord encontrava formas e manhas de se libertar, e de voltar ao seu plano de jogo.
O terceiro golo, no segundo dos 6 minutos de compensação, é o espelho dessa realidade do jogo. Quando era o Benfica que tinha de estar obrigado a não largar a baliza de Wellenreuther, acaba por ser o Feyenoord a dispor de cantos e livres sucessivos. De um deles, num pleno de desconcentração e passividade (comum aos três golos), Milambo (o homem do jogo, com dois golos), deixado sozinho à entrada da área, marcou perante o espanto de toda a gente. Incluindo o mal batido Trubin.
Poderá também dizer-se que a sorte não ajudou. É verdade. Mas também o é que o Benfica não fez muito para a procurar!
Pareceu que foi o próprio Benfica a pagar a factura que passara ao Atlético de Madrid, há três semanas. Houve muita semelhança entre o que fizera aos espanhóis, e o que hoje lhe fizeram os holandeses. Até num lateral esquerdo espanhol a fazer um grande jogo. Se nesse jogo memorável foi Carreras, no de hoje chama-se Hugo Bueno.
Resta, agora que o ciclo virtuoso de Lage foi quebrado, esperar que não fiquem marcas. Porque a desilusão foi grande. Muito grande!
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