domingo, 27 de outubro de 2024

Luz acesa


Quatro dias depois da desilusão na Champions as luzes voltaram a acender-se na Luz. Não tão cheia, apenas perto disso, no regresso ao campeonato, um mês depois, para receber o Rio Ave.


Bruno Lage apresentou uma alteração em relação ao seu onze habitual. E não, não foi Otamendi a sair da equipa, como de alguma forma era esperado - pelas últimas exibições, mas mais por, na ante-visão do jogo, o treinador do Benfica ter referido que não atendia a estatutos - , foi Florentino. Entrou Beste, para a ala esquerda, donde saiu Akturkoglu, para jogar como segundo avançado, atrás de Pavlidis.


Foi uma única alteração no onze, mas uma mudança radical na equipa, com um meio campo, entregue a Kokçu e a Aursenes, mais dado ao risco, mais de tabelas, mais virado para o ataque. Em suma, mais dinâmico, que deu à equipa mais energia.


Beste foi o extremo esquerdo, à moda antiga. Akturkoglu aproveitou aquela posição para fazer a diferença ... e marcar golos. E a energia trazida à equipa acabou por fazer desta a melhor exibição do Benfica de Bruno Lage.


Não se começou logo a notar que iria ser assim. Pelo contrário, os primeiros dez minutos nem foram prometedores. O jogo parecia andar aos solavancos, mas o golo - logo aos 12 minutos, à primeira oportunidade, com Akturkoglu no sítio certo para rematar uma bola perdida na área vilacondense -  desentupiu aquilo tudo. Logo a seguir, apenas quatro minutos depois, o jogador turco bisou, desta vez ganhando de cabeça, ele que é baixinho, uma bola entre o defesa e o guarda-redes adversários. À segunda oportunidade, segundo golo. E a partir daí a máquina de produzir futebol passou a funcionar certinha, que nem um relógio suíço.


A de marcar golos, que começara mais afinada, é que passou a apresentar falhas. Ainda assim o intervalo não chegaria sem Akturkoglu fechar o hat-trick, em circunstâncias muito semelhantes às do primeiro, e acabando logo ali com a questão da escolha do homem do jogo.


A segunda parte acentuou a discrepância entre as duas máquinas. O Benfica produzia muito, mas não marcava. Porque emergiu finalmente o guarda-redes do Rio Ave - o polaco Miszta, em promissora estreia -, mas muito por ... Pavlidis. Os colegas faziam tudo para lhe oferecer o golo, mas isso só facilitava a tarefa à defesa adversária. O avançado grego desesperava. Apenas conseguiu uma finalização, num remate facilmente defendido pelo guarda-redes contrário. No resto, ou acabava em fora de jogo, ou em individualismo fracassado.


Fez bem Bruno Lage em envolvê-lo logo na primeira leva de substituições, no fim do primeiro quarto de hora, que mantiveram - ou até melhoraram - a energia da equipa e libertaram-na daquela ansiedade. Saiu com  Akturkoglu (bem visto!) para entrarem Cabral e Amdouni.


A segunda leva teve o mesmo resultado, com Schjelderup e Renato Sanches nos lugares de Di Maria e Aursenes (mais duas grandes exibições), e até ao fim a equipa não descansou na procura de mais golos, que dessem ao resultado uma expressão minimamente compatível com a avalanche de futebol produzida. Arthur Cabral e Schjelderup quase marcaram logo na primeira intervenção mas, por mais brilhantes que fossem as jogadas, e por mais claras que fossem as oportunidades para golo, parecia que só Akturkoglu estava autorizado a marcar. E esse há muito que tinha saído!


Em dois minutos - aos 79  (Schjelderup, em estreia a marcar) e aos 81 (Amdouni) - o resultado subiu para os 5-0, e por aí ficou. Curto, para as mais de uma dúzia de ocasiões claras de golo criadas, num jogo que remeteu o da passada quarta-feira para o caixote dos acidentes.

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