O primeiro-ministro, na forma como conduziu este processo da sua empresa familiar, abriu uma crise política de graves consequências no funcionamento do sistema político.
Criou uma autêntica bola de neve que vem dar gás ao discurso populista, e a quem só se sente bem na política se esta for uma pocilga repleta de choldra e lama. E desembocou numa situação política insustentável, que o deputado Rui Tavares, do Livre, descreve (bem) nestes termos:
“O país está numa situação em que o Governo não teria uma moção de confiança aprovada - portanto, chumbaria uma moção de confiança -, mas qualquer moção de censura também chumba. E, portanto, estamos com um Governo que não está nem morto, nem vivo.”
Isto é, a falta de lucidez, e a falta estatura política de Luís Montenegro acabaram a dinamitar o sistema político, ao mesmo tempo, por dentro e por fora. Por fora, activando o radicalismo anti-democrático da extrema-direita; por dentro, rebentando com as válvulas de segurança do sistema.
Não é a Luís Montenegro que cabem todas as responsabilidades. Ele tem a do pecado original - foi ele, e por ele, que a situação aqui chegou - mas há mais responsáveis.
Desde logo o PCP, a apressar-se a anunciar a moção de censura apenas para garantir mais uns meses de sobrevivência. A cavar mais fundo o seu descrédito: um partido que se rege por decisões colectivas, conseguiu em menos de um quarto de hora, num sábado à noite, produzir aquela decisão.
E, claro, acima de todos, Pedro Nuno Santos. Em apenas trinta segundos o líder socialista anunciou mandar o Governo abaixo (se este apresentar uma moção de confiança); e manter o Governo em funções (inviabilizando a moção de censura que o PCP). Se Luís Montenegro fosse ainda tomado por algum laivo de decência, e decidisse submeter-se a uma moção de confiança, Pedro Nuno Santos cortou com essa possibilidade de decência.
É o regime na sua mais crua degenerescência.
Valha-lhe Francisco Assis: “Exige-se um esclarecimento: ou o Governo é sério e apresenta uma moção de confiança ou, caso contrário, o PS deve apresentar uma moção de censura.”
Luís Montenegro, fez 2 discursos, que seriam muito normais, se fosse, o supremo líder, andré ventura, que, em vez de 36 pessoas, na sala, estariam 500, sendo 30, sonoplastas, para dar sons de 80000 a 500000 pessoas, a aplaudir, o supremo líder. De resto, fez o mesmo, que o amigo, do chega.
ResponderEliminarSó gostava era que algum, dos 272122 jornalistas (segundos, dados, publicados hoje), diplomados e encartados, questionasse, sobre o único problema, desta situação toda: Luís Montenegro falsificou, a posse, da participação social, na empresa. Ao vender/ceder, as quotas, à esposa, é uma operação nula e que, dá coima, pela falsificação de operação, de passagem de quotas. É o único problema, da situação. Nem deputados, nem jornalistas, nem o primeiro-ministro, que referiu 873 vezes, na última semana, "ser jurista, e advogado, ao contrário, dos filhos".
Um advogado que falsifica informações, para não declarar, a posse, da empresa (pois a venda é nula, sendo que Luís Montenegro, possui, efectivamente, 40%, da empresa, escondendo isso, nos 80%, da esposa, com quem casou. em comunhão de bens adquiridos), a primeira coisa, esperada, era pedir desculpa, pois, a nível cível e penal, a operação é válida. A nível administrativo, é uma falsificação, das partes sociais (onde, se pode pensar, que quis enganar o tribunal de contas e o Presidente da República). Assumiu o erro, sem o dizer, pois vai passar, as quotas, aos filhos, que era, o que devia ter feito, mal foi convidado, a formar governo. Era simples de fazer e de acalmar. Não o fez, chegando a aproveitar, o sucesso, do mesmo orçamento, que garantiu, em Maio, que "vai precisar de muitas correcções, pois nunca ficará, acima de 0,6%, de deficit, ao contrário dos 0,4%, de superavit, lá inscritos". Afinal, deve ficar é nos 0,9%, de superavit, indo contra tudo, o que o governo anunciou, nos 6 meses, de liderança. Ninguém perguntou, a Leitão Amaro, porque é que "o rectificativo, deve ser apresentado, em breve." (16 de Junho, de 2024), ninguém mais, ouviu, falar dele.
Isto não é uma crise, é a doença genética de um regimento de falsos democratas que precisam de autocolante na lapela como falsa garantia. A gravidade do sistema reside no facto de os nossos representantes políticos mais doutorados na asneira mas na ciência burros disfarçados de espertalhões, que proliferam em todos os patamares da sociedade. Desgraçadamente representam fielmente a muito defeituosa gente que somos com muito mal disfarçada ganância, inveja e atropelamento das mais elementares regras de civismo e educada cidadania.
ResponderEliminar