
Lendo - e bem mal, por acaso - o teleponto, num ambiente encenado até ao mais ínfimo pormenor pelo Luís, o Bernardo, de Sócrates, Gouveia e Melo apresentou a sua candidatura, em modo "Miss Universo". Com aplausos, muitos, da plateia bem ensaiada, a cada frase lida.
No fim, não ficamos a saber muito mais do almirante. Que não tinha substância, já desconfiávamos. Quer unir, como todos sempre dizem querer. Quer o que é bom, e não quer o que é mau. Como todos, e a Miss Universo também.
Já sabíamos - já o tinha dito - que se situa politicamente ao centro, entre a social democracia e o socialismo, mas na sala só vimos gente de direita. Lá vimos Carlos Carreiras, Fernando Negrão, Isaltino Morais, Ângelo Correia, Ribeiro e Castro, Chicão ...
Se calhar também já se arrependeu dessa revelação, como se arrependera da posição assumida sobre o serviço militar obrigatório, e de tantas outras coisas em que se tem dito e desdito.
As televisões deliram, e não fazem por menos: Gouveia e Melo já ganhou!
Gostam especialmente de se meter nestas coisas. Na véspera tinham ido a correr para o hotel de Ventura, como tinham corrido atrás da sua ambulância. Já com a notícia da corrupção na contratação de helicópteros para o combate a incêndios, que terão lesado "o Estado em cerca de 100 milhões de euros", entenderam por bem deixar o Ventura em paz. Preferiram, todas, ir bater à porta do ministro Leitão Amaro, cheio de culpa de ter um cunhado pouco recomendável, também envolvido, ignorando olimpicamente a Helibravo, de João Maria Bravo, um dos principais financiadores de Ventura.
Poderiam ter apenas perguntado ao André como é que consegue combater a corrupção recebendo dinheiro da corrupção. Mas não. Não andam atrás dele para lhe fazer perguntas incómodas. Andam atrás dele, por todo o lado, apenas para lhe apontarem as câmaras e os microfones, para que ele mostre e diga o que quer.
Isto vai bonito, vai...
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