Tinha aqui dito que a vitória de Philipsen (Alpacin) na etapa inicial do Tour, teria sido "provavelmente a primeira de mais algumas". Faltou acrescentar "em condições normais", que faz parte das "cautelas e caldos de galinha que nunca fazem mal" no ciclismo. Era essa a expectativa, mas uma queda logo na segunda etapa quando, a 60 quilómetros da meta, se disputava um sprint especial, mandou para fora da corrida, e em mau estado, o mais forte candidato a chegar a Paris com a camisola verde, dos pontos.
As quedas, de resto, repetiram-se. Nessa segunda etapa - a última foi já na recta da meta, na preparação do sprint final - mas também logo na seguinte.
Essa segunda etapa, de mais de 209 quilómetros, com meta em Boulogne-sur-Mer, era de elevado grau de dificuldade. Uma etapa de média montanha, com uma ponta final bastante exigente, como a de hoje, a quarta. Ganhou Van der Poel, o neto de Poulidor que hoje já é mais que isso, da mesma Alpacin de Philipsen. Atacou muito cedo, chegou a estar à mercê de Pogaçar mas, num último esforço, resistiu ao esloveno, que se superiorizou facilmente a Vingegaard, terceiro na etapa, e vestiu a amarela. Que o seu colega Philipsen já não pôde defender.
A etapa de ontem, a terceira, entre Valenciennes e Dunkerque, uma etapa plana com pouco mais de 178 quilómetros, não teve grande história. Teve a das quedas, muitas, de novo. Teve a história de Tim Wellens, o colega de Pogaçar, que saiu do pelotão com o compromisso de não fazer mal a ninguém (parecia daquelas saídas para passar à frente na terra, ou ir dar um beijinho à mãe), ganhou de imediato mais de 2 minutos de vantagem, e cortou uma meta de montanha para tirar a "camisola das bolinhas" do tronco de Pagaçar, que prefere vestir a de campeão do mundo. Realmente bem mais bonita. Logo a seguir regressou ao pelotão. E teve a vitória do belga Merlier (Soudal Quick Step), em photo finish, por 2 ou 3 centímetros, sobre o italiano Milan, da Lidl Treck.
A quarta etapa, hoje corrida entre Amiens e Rouen, em pouco mais de 174 quilómetros, de média montanha, foi tão semelhante à de anteontem que até acabou praticamente na mesma. Com a diferença que, desta, João Almeida deixou Pogaçar em condições de se sobrepor a Van der Poel, com Vingegaard a repetir o terceiro lugar.
Foi uma grande etapa de João Almeida, que fez a diferença na subida final, quando dinamitou o grupo da frente, permitindo a Pogaçar lançar um ataque que chegou a deixar Vingegaard apeado. Acabou por desistir e permitir a recolagem do rival. Nessa altura João Almeida percebeu que o líder voltava a precisar de ajuda. E voltou à frente, de onde apenas saiu para deixar Pogaçar na cara da meta. E da vitória, que o deixou com o mesmo tempo de Van der Poel.
Que mantém a amarela. Mas só até amanhã, dia de contra-relógio!
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