quinta-feira, 18 de setembro de 2025

A decisão de Rui Costa

Oficial: Benfica anuncia José Mourinho como novo treinador


 


Independentemente do momento eleitoral no Benfica, o momento do futebol da equipa obrigava à tomada de decisões. "Entre a espada e a parede", ou na desconfortável posição de "preso por ter cão e por não ter cão", como por aqui já deixei escrito, Rui Costa tinha de tomar a decisão de despedir Bruno Lage, e tinha de tomar a decisão de contratar um treinador.


Como também já por aqui escrevi em repostas a alguns comentários, Rui Costa decidiu encurralar-se por becos sem saída. Depois disso, nunca lhe restaram com grandes alternativas.


Decidiu extemporaneamente renovar com Roger Schmidt. Depois de perceber o erro dessa decisão, voltou a errar não o despedindo oportunamente, no final da época, e decidindo arrancar para 2024/2025 com um treinador inferiorizado por resultados e exibições, e contestado pelo plantel. Teve de o despedir à quarta jornada do campeonato, no último dia de Agosto, mas já sem qualquer alternativa  que não ... Bruno Lage.


Rui Costa não tinha alternativa. Não é que não a houvesse. Haveria sempre, mas não para o perfil de Rui Costa, sem rasgo, sem ver mais além, sem capacidade de risco ... 


Bruno Lage dera-nos, a nós benfiquistas, as maiores alegrias dos nossos últimos anos. Mas também nos dera todas as razões para não o repetir.


Dera-nos a épica "remontada" de 2018/2019, numa segunda volta inesquecível, com 18 vitórias e um empate em 19 jogos, triunfos em todo o lado - Dragão,  Alvalade, Braga e Guimarães -, e um título nacional que nos fazia acreditar na hegemonia que LFV dinamitara ao abdicar do penta, que daria em hexa e hepta. Tinha lançado jogadores da formação, e lançado João Félix para o estrelato mundial. Deu-nos a goleada na Supertaça ao Sporting (5-0), a maior em dérbis nos últimos 35 anos, e que nos resgatava completamente dos maiores pesadelos nessa competição, no sinal de partida para a  extraordinária primeira volta de 2019-20, com 18 vitórias nos primeiros 19 jogos.


Depois disso, desses oito meses de 2019 distribuídos pelas duas épocas, todo o edifício desmoronou como um castelo de cartas, sem que ninguém percebesse exactamente como. Mais tarde, pela mão de Jorge Mendes, Bruno Lage foi parar a Wolverhampton. Arranque espectacular, com um futebol que era um regalo para a vista. De repente, do nada, o colapso total. Mais algum tempo depois, foi o Botafogo, nas trevas do futebol brasileiro. Novo arranque espectacular, com rápida liderança avantajada para, novamente de repente, o repetido colapso.


No regresso ao Benfica foi diferente. A exuberância já nunca voltou. Bruno Lage não aproveitou a oportunidade que se abriu com a saída de Rúben Amorim do Sporting, e com a desastrada passagem de João Pereira pelo comando do rival, mesmo com tudo o que sabemos que aconteceu, no campeonato, e na final da Taça. Ainda assim  ganhou ao rival a Taça da Liga, goleou o Porto, em casa e fora, passou por uma excelente participação na Champions, com uma notável goleada ao Atlético de Madrid, que levou o clube ao top dez do ranking da UEFA, e acabou numa participação honrosa no primeiro mundial de clubes.


Que que também terá contribuído para esconder tudo o que já vinha vindo à tona. 


Provavelmente, sem a interferência das arbitragens, e das restantes estruturas de poder de que Varandas se apropriou, o Benfica teria tido outros resultados, e conquistado até a dobradinha, e o comportamento de Bruno Lage teria sido diferente. Mas não foi assim, e Bruno Lage, que tinha passado boa parte do tempo a defender-se contra a falta de confiança, passou a restante a defender-se contra os insucessos e, pelo meio, pronto a lamber todas as botas calçadas por quem o pudesse segurar.


É claro que o tempo é factor de desgaste de Bruno Lage. Entra bem, depois esgota-se. E as equipas que comanda caem. A pique, na maioria das vezes. O que o Benfica demonstrou neste início da época nem foi bem isso. Alternou jogos razoáveis no apuramento para a Champions, e na Supertaça, que conquistou ao Sporting, com jogos deprimentes no arranque da Liga.


Atentando ao percurso de Bruno Lage parece fácil concluir que perde o grupo. Que não tem capacidade de liderança, seja para manter o grupo focado e empenhado nos resultados, seja para o manter unido em torno de objectivos. Quem olha para os últimos dois jogos, com o Santa Clara e o Qarabag, percebe facilmente que perdeu os jogadores. Que todos parecem pior que quando chegaram, sem que nenhum se tenha visto crescer.


Rui Costa repetiu com Bruno Lage o que fizera com Schmidt. Voltou a entrar no beco. E voltou a não ter alternativa. Desta vez, por todas as circunstâncias, a José Mourinho. Não é, novamente, que não a houvesse. Só que, para o mesmo Rui Costa, e agora na luta pela sobrevivência, por maioria de razão não havia.


Era, não sei se sou dos muitos, se dos poucos, benfiquistas que não concordou com esta decisão de Rui Costa. Era dos que vêm em Mourinho o copo meio vazio. Agora, que Mourinho é o treinador do Benfica, é o meu treinador. E o copo meio vazio, está agora cheio.


Eliminei todos os riscos da contratação de Mourinho, mesmo que já se tenha percebido que, ao contrário do que quiseram fazer crer, o segundo dos dois anos de contrato é mesmo para valer, com direito a indemnização e tudo. A cláusula de rescisão pode não ter em absoluta consideração as circunstâncias eleitorais do clube (é curioso que volte um quarto de século depois em circunstâncias semelhantes), e que a sua "especialidade" se reduza à reciprocidade, por ventura à luz dessas coisas da selecção nacional. Já me esqueci do futebol pouco atraente, defensivo e resultadista, para guardar na memória a apresentação como treinador do Benfica de um Mourinho maduro, mas emotivo. Emocionado com a grandeza do Benfica e com o benfiquismo. Benfiquista, como se desconfiava. E ambicioso, como um jovem.


Não espero um Benfica a jogar um futebol empolgante. Não espero uma equipa demolidora, capaz de arrasar todos os adversários, goleadora, a espalhar perfume pelos relvados. Mas espero uma equipa rigorosa e competente, com jogadores empenhados, e capaz de, a bem ou a mal, ganhar. E tenho uma certeza: com José Mourinho no banco, e nas salas de imprensa, os árbitros, e a comunicação social, dois dos agentes que nos últimos anos mais o têm prejudicado, e gozado, vão passar a respeitar o Benfica!

6 comentários:

  1. Post brilhante, só espero que o Benfica evolua e no próximo Sábado vença de forma convincente "uma coisa" que ninguém sabe o que é (sem menosprezar quem a representa)

    Pedro Cunha

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  2. Boa-tarde, Eduardo Louro.
    Mas é claro que o presidente, não tinha outro caminho a seguir que não fosse esse, de contratar o Mourinho. Depois que o Bruno Laje lhe passou a batata quente: só fico até me despedirem, Rui Costa ficou refém.
    Particularmente não me sinto desagradada por ver o Mourinho à frente do Benfica, como não me desagradaria ver um outro qualquer. Como a situação estava é que era intolerável. Agora só nos resta esperar e ver. Claro que não espero um Benfica demolidor a esmagar os adversários, mas espero ver um Benfica orgulhoso dos seus pergaminhos a jogar à Benfica, Umas vezes a ganhar, outras a perder ou empatar, mas sempre a jogar à Benfica.
    Gostei que o Mourinho não viesse prometer o campeonato, mas gostei de o ouvir dizer, que dois pontos a menos, praticamente ao início da prova, se não é irrelevante, também não é impeditivo para o não ganhar.
    Seguem-se agora as eleições e quero dizer-lhe que embora ainda dividida, LFV já não faz parte da equação.
    É passado e como o meu querido avô uma vez há muitos anos me disse, passado é passado. Tão imutável que se sobrepõe a Deus. eLLe pode condicionar o presente, alterar o futuro mas não modificar o passado. Ora não serei eu, insignificante migalha de pó estelar que terei a veleidade de ousar contraditar a omnisciente inteligência Suprema.
    Portanto, senhor LFV, berre, grite, pragueje, amaldiçoe o mundo e as coisas, que por mim continua a brilhar pela ausência.
    Votos de um excelente fim-de-semana e que o próximo jogo nos dê um pouco mais de ânimo do que aquele de que estamos tão carenciados.
    Viva o Benfica! Viva a vermelha Nação!

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  3. Um abraço, Pedro. Que vença no sábado, seja de que forma for. E na terça lá estaremos de novo, a vibrar e a acreditar.

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  4. Boa tarde, Madalena. Grande notícia me deu.
    E na terça lá estaremos, de volta. Como sempre!

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  5. Boa-tarde.
    Estaremos seguramente. Assim mostrem hoje atitude e empenho para terem a nossa visita assegurada. A minha terão com certeza.
    Parece que Mourinho incomoda muita gente.Repare.
    Dispensava-se José Mourinho!
    Título de um post publicado num blog luminarense.
    Segue-se depois os porquês, tudo à maneira da "realeza"
    Mas o que verdadeiramente me trouxe aqui, foi fazer uma pergunta ao Eduardo Louro, visto ser um homem por dentro dos meandros da bola, coisa que eu, mera adepta de futebol, estou a anos-luz.
    Já perguntei ao meu marido, mas ele também não sabe.
    A pergunta é: conhece, sabe ou já ouviu falar que num jogo de futebol, dentro do tempo de compensação, um árbitro dê o jogo por terminado, imediatamente a seguir ter havido um penálti na área adversária, sem que o VAR se pronuncie?
    Eu não conheço nem sei, mas passei a conhecer e a saber logo após o passado jogo de futebol feminino Benfica x R.P.
    Muito obrigada.
    Desejos que mais logo o nosso Benfica nos dê a todos uma brilhante esperança de um futuro muito melhor.
    Viva o Benfica! Viva a vermelha Nação!

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  6. Viva, Madalena.
    Não estou nada por dentro dos meandros do futebol, mas sei o que são perguntas retóricas. E também sei que para lixar o Benfica, seja em que modalidade ou em que escalão for, não há lei, não há respeito, não há doutrina, nem há princípios. Vale tudo!
    Acredito, como digo no texto, que o Mourinho venha, nesse aspecto, impor algum respeito. Já se notou ontem, na Vila das Aves. E nota-se hoje nas primeiras páginas dos jornais.
    Saudações gloriosas.

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