segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Presidenciais. E agora?

Presidenciais 2026: Seguro é o candidato mais votado na primeira volta —  idealista/news


Os resultados de ontem não surpreenderam. A pontinha de surpresa só pode caber na expressão da votação em Seguro, ultrapassando os 31%, quando as sondagens se ficavam à volta dos 20. Os 23,5% de Ventura, se bem que também ligeiramente acima dos resultados das sondagens, são perfeitamente naturais. É essa a expressão actual da extrema direita. 


Quer isto dizer que as sondagens andaram sempre certas. Bom, sempre, não. A Intercampus só andou por lá perto na sondagem final, à boca das urnas. Antes, durante a campanha eleitoral, nunca nada bateu certo com as outras.


As sondagens - mas também a percepção que temos, valha lá o que valer - revelam que é grande a taxa de rejeição a Ventura, apesar de todo um percurso de normalização da personagem. Perante os diferentes cenários para a segunda volta, todas as sondagens indicavam que Ventura perderia para todos os hipotéticos adversários. Se não estou em erro, a maior diferença era mesmo registada no confronto com Seguro.


Desconfio que não seja tanto assim, e que as próximas sondagens, que entretanto começarão a surgir para a segunda volta, apontarão para resultados bem mais apertados do que as anteriores sondagens (secundárias) sugeriam. 


O espaço político natural de António José Seguro, incluindo-lhe a esquerda, não valerá neste momento muito mais 35% do eleitorado, traduzindo-se em cerca de 2 milhões e 100 mil votos.


O de Ventura, como já acima me atravessei, não vai além dos 25%. O "fenómeno" Ventura bateu no tecto. Perdeu 111 mil votos em relação às legislativas de Maio. Dos 1.437.881 votos que então lhe valeram 60 deputados, e a segunda maior representação parlamentar, Ventura recolheu agora 1 326 644 votos. 


Não se pode normalmente fazer comparações entre eleições diferentes. Menos ainda quando se colocam em perspectiva eleições de cariz eminentemente pessoal com as de cariz partidário. No caso de André Ventura são a mesma coisa. O Chega é Ventura, nas legislativas e nas autárquicas; e Ventura é o Chega nas presidenciais. E por isso não dúvida que Ventura, por si e pelo fenómeno que representa, já não está a crescer. 


O que não quer dizer que não possa crescer. E muito menos que não vá crescer nesta segunda volta. Vai inevitavelmente, e só não se sabe até onde. Porque a partir daqui entra uma dinâmica em funcionamento. Chame-se-lhe dinâmica de poder, de oportunidade, ou outra coisa qualquer. É um boost que, uma vez activado, vai somar-se ao seu peso específico e determinar o novo valor facial de Ventura. 


Ao deixar fugir-lhe a boca para a verdade, Cotrim de Figueiredo anunciou apoiá-lo na segunda volta. Isto não quererá dizer que os seus 900 mil votos corram direitinhos para Ventura; mas não custa muito admitir que a grande maioria deles siga esse caminho. 


Montenegro veio dizer que a sua área política perdeu e, não estando representada nesta segunda volta, não tem em quem votar. A leitura directa destas palavras é que, entre o democrata e um anti-democrata, não há escolha. Há abstenção, ou voto branco.


Também se sabe que não é assim, e que os 637 mil que votaram na calamitosa candidatura de Marques Mendes irão na sua maioria votar na segunda volta. São os fiéis do partido, mas a maioria não votará em branco. 


Seria provável que a maioria dos quase 700 mil votos em Gouveia e Melo pudesse reverter agora a favor de Seguro. Mesmo que também o almirante achasse ainda cedo para decidir entre o apoio a um democrata e ficar calado, é do destino da maioria destes votos que Seguro fica a depender para assegurar os 800 mil que hoje lhe faltam para derrotar Ventura.


 

5 comentários:

  1. E António Costa, em quem votará na segunda volta? Duvido muito que seja no Seguro...

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  2. Agora como sempre, quando é preciso trocar de mobília arrastam-se os velhos traste de lado para lado dentro de casa.

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  3. Pois. Mas o traste já é velho, e também já está dentro de casa.

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  4. Votei no Cotrim, para punir, o governo. Marques Mendes, andou 10 anos, a ser preparado (e lançado) para ser presidente. PSD pagou para que viesse a ser eleito. Até a dia 13, tudo parecia certo. Ventura 30%-36%, Mendes 23%-28%, Cotrim 15%-18%, Almirante 12%-15%, Seguro 12%-15%.
    E foi quando, aquelas 80000000 sondagens diárias, e os 100000 biliões de perfis online, começaram a travar. E Cotrim disparou para 22%. Alguém, alguma vez, poderia pensar que o liberal podia chegar aí? Seguro lá ia aos 18%. Almirante ficava, mais perto, da Catarina, do que do 4 classificado...
    Nos dias seguinte, Ventura voava com 3 a 5 milhões de votos, depois, a luta, pelo 2 lugar era Cotrim vs Mendes vs Seguro. Só na tarde de quinta feira, eis que a RTP detonou, a bomba: Seguro estava a liderar, com 18%, empatado com Ventura e Cotrim e Mendes.
    Confesso que esperava Ventura, próximo dos 26%, à boleia dos 900000 emigrantes, que votaram nas legislativas. Pelos, já apurados, quase 75%, não apareceram, para as presidenciais. Será algo que valia, a pena, entender, o porquê de 693000 emigrantes, votaram, num recorde absoluto, nas legislativas e não votaram, nas presidenciais. (Mesmo assim, duplicou, o recorde de votação, de emigrantes.)
    Como fui enganado, pelas sondagens, para a 2 volta, é escolher entre votar no líder dos Nazi ou num pão sem sal... irei para o pão sem sal. Pelo menos, não irá pagar 90000 milhões, de euros, a amigos, e fazer 3 viagens, diárias, nos Falcon para chegar aos 100 biliões, de milhas voadas e de usar 1000 voos, para qualquer deslocação oficial, para levar os 30000 seguranças, privados, que o líder nazi, precisa.

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