
Catedral cheia que nem um ovo, com 66.387 adeptos nas bancadas, o novo recorde de assistência no actual Estádio da Luz. A noite era para isso, o programa era apelativo e aquela noite épica foi apenas há três semanas.
Não há dois jogos iguais, como sabemos das profundezas do futebolês, e por isso ninguém esperava que Real Madrid e Benfica repetissem o mesmo jogo, os mesmos defeitos e as mesmas virtudes. Pelo contrário, pelas exibições da equipa de Arbeloa de então para cá, período em que inclusivamente subiu à liderança da La Liga, esperava-se um Real Madrid mais sólido, mais consistente, mais intenso, e com os jogadores mais solidários.
E foi esse mesmo Real Madrid que vimos na Luz, tornando desde logo impossível que víssemos o mesmo Benfica. Não foi, nem poderia nessas circunstâncias ser o mesmo. Foi um bom Benfica enquanto pôde, mas nunca foi, nem nunca poderia ter sido, o Benfica brilhante de há duas semanas.
Já com quase todos os jogadores recuperados, Mourinho fez regressar ao onze inicial Dedic e Aursnes. De resto tudo igual, incluindo os dois alas, Prestiani e Schjelderup, e Rafa atrás de Pavlidis. E a equipa entrou bem no jogo, dividindo-o durante a primeira meia hora, mesmo em regime de alternância - ora atacas tu, ora ataco eu. Posse de bola repartida, ataques e remates repartidos, e até ocasiões de golo repartidas, uma para cada lado, mesmo que a de Aursnes, aos 24 minutos, com grande defesa de Courtois, tenha sido bem maior que o remate de Vinicius que saiu ao lado da baliza de Trubin, 4 minutos antes.
O Real Madrid assentou o seu desempenho no quarteto de meio campo, agora bem articulado com os quatro defesas, do melhor que há. Lá estavam dois bulldozers que tapavam todos os espaços, e ganhavam quase todoas as segundas bolas, Camavinga e Tchouameni, um todo o terreno, Valverde, que faz tudo e ainda descobre e inventa espaços, e um artístico Arda Guller, que varia jogo, abre espaços e remata. Os dois da frente ainda começaram a participar no processo de recuperação, mas depressa se deixaram disso.
Os outros oito que corram para trás, que eles só sabem correr para a frente. E sabem que os outros bastam.
E foi assim que no último quarto de hora da primeira parte a equipa de Arbeloa começou a ganhar ascendência. Empurrado lá para trás, e sem conseguir sair com bola, o Benfica começou a passar mal. E o melhor que poderia esperar era mesmo o apito para o intervalo.
A segunda parte parecia arrancar em moldes diferentes. O intervalo tinha dado ao Benfica o oxigénio que lhe faltara nos últimos minutos da primeira, e parecia que teríamos a alternância de volta. Só que, na primeira saída para o ataque, estavam jogados 5 minutos, Mbappé arrancou e Vinicius inventou um golo. Do outro mundo!
Depois aconteceu o que é frequente acontecer quando Vinicius faz destas coisas. Quando faz destes golos do outro mundo, em vez de os celebrar, entra pelos caminhos da provocação. Reza a história que, depois, as bancadas respondem com manifestações racistas. Desta vez nada veio das bancadas; viu-se Vinicius a correr para o árbitro a dizer que o Prestiani lhe tinha chamado macaco.
O jogo esteve interrompido perto de 10 minutos - diz-se que é do protocolo - e quando foi retomado passou a ser outra coisa. Nessa, nunca mais o Benfica conseguiu pôr em causa o controlo que o Real Madrid impôs ao jogo.
Com meia hora para jogar Rios e Sudakov entraram para substituir Rafa (sempre atropelado pelos bulldozers) e Schjelderup, o Benfica apenas equilibrou mais o meio campo, mas não alterou nem o ritmo nem o caminho que o jogo tinha tomado. Tal como, menos de 10 minutos depois, as entradas de Sidny, e do regressado Lukebakio, para substituírem Aursnes e Prestiani (confirme-se ou não a acusação, nunca sairá bem desta situação), mesmo que tenham trazido mais alguma profundidade ao futebol que o Benfica estava a apresentar.
Mais uma vez há razões de queixa da arbitragem. O francês François Letexier poupou amarelos, que se justificavam, aos jogadores do Real que ficariam fora da segunda mão. Poupou o segundo amarelo, e a consequente expulsão, a Vinicius. E poupou o vermelho directo ao Valverde, por óbvia e clara agressão ao Dahl.
E pronto, o destino da eliminatória estará traçado. Mas, se calhar, nem é isso que mais importará!
O Benfica tem que ser respeitado a começar nos seus servidores dentro e fora das quatro linhas por mais medalhas que ostentem de feitos anteriores no caminho percorrido nesta e noutras paragens.
ResponderEliminarSubscrevo!
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